quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Natal Perene.

1 .Hoje vou escrever um tema consequente à moda de rabiscar algumas ideias tão somente. Cheguei em casa às tantas, demorei-me a conversar com amigos que não via há anos.É isso mesmo e sem compromisso. Você também deve ter tido algum dia esta alegre satisfação,como dizem: jogando conversa fora.

2.Precisava deste hiato construtivo. Foi bom! Recordamos o tempo que chegamos à São Paulo antiga, tudo era diferente, eu digo! As pessoas demoravam-se nas prosinhas, não havia celular, carros Flex, nem pensar. A continha era pendurada no armazém, no boteco, na padaria, como eu ligo para tudo isto. Hoje em dia tá tudo diferente, o cartão magnético sempre presente, se o saldo é positivo vc é bem-vindo, se não, está mal arrumado!

3. Há havia me esquecido de um detalhe conhecido, a pressa das pessoas, a novela é o requisito, será que a Flora vai até ao fim nas maldades, a Lara sofrerá mais dissabores insustentáveis,sobressaltos antenados, não sei?! E o Silverinha o que irá aprontar? ah! ah! Nisto tudo vale quanto o Ibope peza. Ah! tempos difíceis e conturbados. A violência alastrada, escancarada, a paz e o bem estar desamparados!

4. Mais um Natal chegou e com ele um pouco de esperança e leveza pairam no ar. Imponderáveis, somente imponderáveis!!! Será que alguém de coração se recorde da manjedoura humilde e régia onde uma luz intensa brilhou uníssona e forte com toda a intensidade? Dois milenios já se passaram e a humanidade parece estar sem norte, a bússola quebrada, a desarmonia, fato gritante. A cada dia acordamos estupefatos com o bombardeamento dos noticiários.

5. Já , já o calendário vai virar e o Ano Novo vai chegar. Que Dois Mil e Nove seja bem-vindo... e de se esperar coisas melhores para todos em geral. O planeta Terra, ínfimo na imensidão sideral , grande nas proezas antigas, hoje com tantos avanços, tantas realizações em multiplas esferas já não suporta as informações, as guerras, as forças descontroladas da natureza, parece que ninguém se entende mais e aquela Luz proveniente de um humilde presepe tornou-se apenas cartaz ilustrativo, tradição sem consequencias práticas, se me permitem figura de linguagem.

6. O intuito único deste relato é apelar para a boa vontade dos homens de bem, no sentido que não permitam que a ilusão os consome, pois o verdadeiro Natal é antes de tudo o grande encontro da união, da paz, da concordia, da amizade, valores emandos da manjedoura de Belém. Não permitam que aquela luz restauradora se apague, pelo contrário, amigos, afaguem o Bem, sintam-se fortes, o verdadeiro Natal está vivo, o espírito dele não perece, renasce sempre a cada ano com renovado frescor, pois os Arcanos estão escritos e por mais que não pareça, jamais será
totalmente proscrito.

7. A Humanidade ao longo de sua história pula de lá para cá, se embrenha por vias muitas vezes não seguras, enlouquece, mas não há como negar que o amplexo suave do Natal aparece, se reanima quando a alma acalenta, sonha e canta.

8.Um Feliz, Bom e Santo Natal para todos os leitores que acompanham este Blog da Google, onde posso com toda a franqueza idealizar mundos, mudar os rumos de um universo em versos.

Helder Chaia Alvim
Poeta Minimalista
SP/ 19/12/2008



segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sem Título...

1. Hoje conheci Meire, bacharel em Jornalismo pela Unip, estava entrevistando os camaradas Luiz José e Ivonete, inclusive.Na sua tese discorria com desenvoltura, fazia a eles perguntas acertadas, bem elaboradas, ia lavrando tudo em ata moderna, a que nomeio de gravador de conversas, “visse” a importância do proseio.

2. Ela é um talento raro, sabe bem seu arrazoado e merece esta trova deveras, que passo a elaborar à moda de cantador confesso, que vive arranhando seu repente com alegria no coração. Vim de muito longe,de onde o vento faz a curva, andei muito chão, deixei minha gente amada e calma com o propósito ou missão de espalhar sem pressa neste solo hospitaleiro e culto, versos e mais versos de montão.

3. E a Meire estava lá no Café Floresta, ora essa !!! Eximia no trato de olhar compenetrado, enfocando tema acertado, pelo Luiz muito bem ilustrado que promete exatidão.

4. Do pouco que a conheço, já a admiro com apreço e vejo que tem caráter alegre e convívio leve, qualidades herdadas de seus pais – da Dolce Itália – pois a vida é bella, já Fellini o dissera.

5. Declamar estas loas acanhadas traz consigo uma razão, pois se ditadas pela inspiração, espalham versos em homenagem a uma nova amiga, que na escrita tem muita vida e na amizade sincera revela um elo de emoção, Judite e Renata também fazem parte segundo revela o amigo Luiz com forte admiração.

6. Que San Gennaro me valha, assim pretendo passar adiante, não sem antes citar a sua preocupação intensa com o semelhante.

 7. Feitas as apresentações, talhadas as impressões, hoje a encontramos debruçada com grande empenho, conjeturando a historia, auscultando de Luiz e Ivonete, a memória, explanando no papel o registro impressionante, também tocante de suas lutas, percalços, passado e glória presente.

8. Aliás, de passagem eu digo, declaro em verdade e não minto, o Luiz e a Ivonete são vencedores, vierem ao embalo do vento norte e nesta Capital semearam, batalharam de sol a sol em demanda da melhor sorte, enfrentaram inúmeros dissabores, sorveram juntos o cálice da dor e firmaram na Augusta Paulistana seus nobres valores.

9. Sinto-me feliz em poder constatar o empenho da jornalista Meire em relatar os fatos vividos, nas entrelinhas escritos, elaborados com carinho acerca destes dois valorosos amigos, que são penhores e lição de luta na grande e simpática Urbe, senhores. 10. Ao encerrar este refrão, as luzes da ribalta me sinalizam sem cessar de antemão já dá para imaginar... Felicidades a mancheias a cara jornalista Meire e que sua tese “in fieri” esplendida e genial:

a)Alcance os objetivos, com louvor, prognosticados. b)Produza frutos opimos para a posteridade.c)Alavanque na São Paulo solidária, revelando aos leitores laureados e demais interessados o quanto estas jóias preciosas, Luiz e Ivonete deram esplendidamente conta do seu recado.

11. Assim sendo deposito estas singelas palavras de improviso nas mãos de Meire com um caloroso abraço deste quase poeta seu novo amigo, que ousa as rimas e os versos, que pretende vender seu peixe não nas tendas de celebres xeiques, mas no recôndito mil vezes suave de sua atenção.O bicho da seda tece a teia e aguarda a provisão, o poeta arranha a tecla, expõe idéias condicionadas na inspiração.Obrigado Meire cara amiga pela oportunidade única de plasmar idéias, concatenar fatos baseados na sua intenção. Assim a gente vai vivendo com um pé em Sampa e outro lá no nosso sertão iluminado!

12. Ao concluir a partitura, uma lembrança de ternura à São Paulo, Cidade entre todas acolhedora, de prerrogativas imorredouras. Mãe, tu me adotaste qual filho e me ensinaste desde o inicio que a perfeita harmonia está na diversidade e que apesar dos dissabores, do sacrifício – vence aquele que persiste e nunca desiste de sonhar.

Helder Chaia Alvim
SP 02/04/07

P. S: Meire, vai sem titulo sua poesia?Ou melhor dizendo, não! Qual a sua opinião: a) P a u t a s P a u t a d a s b) P a u s a s P a u s a d a s c) V i d a s V i v i d a s de Luiz e Ivonete no olhar de Meire d) (x) As três alternativas juntas.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Prece poderosa

“Meu Senhor, meu Deus, meu Pai. Em memória das 38.430 gotas de sangue de Jesus Cristo que derramou por mim e por todos nós, tende piedade de mim segundo a imensidão de Vossa Misericórdia”.

Amém

( 7 Pai-Nossos, 7 Ave-Marias, 7 Gloria ao Pai )

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Pausas pausadas x pautas pautadas

os arredores de uma cidade que não existe...

Noites frias, vazias de sentido, acho que não! São apenas intervalos, se não me engano,arcanos que vão e vem, se você não tem o que discorrer para espairecer,ao amanhecer, ao entardecer de nossas idas e vindas neste mundo vividas, perseguindo,seguindo um grande caminho.


Uns ao léu, sem chapéu, outros na luta, labuta, quem sabe um tanto biruta de um ideal fugidio, escorregadio,talvez, ou ao invés no ouro desdouro de um mundo sumidouro.Ao acordar, divagar,ao levantar apressado, içado ao trabalho, no malho sem alho, com pressa, sem pressa, impensado, folgado sem sábados e feriados.


São coisas que se aprende, desprende, entende, compreende sem lente, se enche sem enchente, se sente ciente, paciente, sem mente, usualmente, vulgarmente.Comumente se diz, me fiz aprendiz, sem giz, nem pis, sem carteira, nem eira, nem beira e ribanceira. Sobranceiro, costumeiro, escrevendo o que quiz.


O que me diz sem dizer, diga sem esmorecer e desvanecer. Sem devaneios ou rodeios, somos amigos sem rodopios, vivemos sem assobios, sonhamos de olhos abertos, despertos, abrimos nossas mentes para um sonho certo.


Pausas pausadas, pautas pautadas, vidas vividas, ideais idealizados, sonhos sonhados,resumo e sumo neste valo sem intervalo.


Noites frias,vazias de sentido,acho que não. Nela  idealizamos mundos, mudamos os rumos de um universo em versos.Ou quem sabe somos personagens de um romance que não foi escrito,os arredores de uma cidade que não existe, se você persiste e não desiste nunca de sonhar...

ah! as certezas pertencem aos práticos... as dúvidas aos poetas. '  Poderia o ser humano entender minuto após minuto o sentido da existência? - Não só os santos e os poetas talvez um pouco...' 
Para ser santo, a estrita observância do saltério de dez cordas os aguardam, aos poetas a inspiração, aquela que já teve um pé na helênica pátria, que conheceu gregos e fenícios lá no ínício de sua jornada...

Helder Tadeu Chaia Alvim

Incompreensão!!!

1. Não entender, julgar erroneamente atos “inconseqüentes”,como se não fosse o bastante, destilar palavras ásperas,um caldo em água corrente como se diz comumente ou subtrair do dormente o pouco fôlego exatamente.

2.Tromba d’água em abundância e não se trata de redundância, barreira que desliza velozmente na alma apoquentada do pobre coitado,objeto de tais regalias inusitadas.Ainda bem que existe a escrita que alivia tais pisadas, distancia as causadas e freia a forra desajuizada.

3.Não sei se me fiz entender, mas se você, algum dia, foi alvo da incompreensão, ajuste os botões com siso e reflexão, distancie-se do palco do conflito, enxergue um palmo além do acontecido.

4.A solidão é boa conselheira nessas horas, apazigua os ânimos, pondera os contrários, tempera sentimentos temerários e imprime na alma a sensação da paz sensata, a exata dimensão de fatos superados.Não cabe ao lesado remoer culpas, alimentar dúvidas muito menos ficar ai definindo o escaldoressentido.

5.Vai por mim, sei o que digo, amigo(a) incompreendido(a).Os ratos, ora eles se fecharão no porão, pois lá não hão mister de provocação... Entendido! Ótimo!

6.Quanto a incompreensão ela sempre existirá, quem sabe a mão que a fez desabrochar, não tenha noção do prejuízo a si remetido, mesmo tendo razões momentâneas em nada justifica deflagrar crise tamanha pois o conjunto de ações positivas vale por mil rusgas negativas.

7.Cabe ao indefeso não virar a vida do avesso, entender que tudo passa e a lição de casa será completada com o perdão ainda que tarde se faça.E o arreio da insensibilidade não demorará a cair por si só.

8.E a incompreensão solerte? Não pense mais nela, não vale muito a pena. Já é passado, soletre baixinho: f o i - se e o momento presente merece da gente, bons sentidos, solfejos benditos.O futuro com sorriso largo nos aguarda, solicito e vivo.

9.O Grande Poeta dos versos perdidos nos deixou a máxima divina “Bem-aventurados os mansos de coração, pois possuirão a terra.” Nela se encerra toda a perfeição.

Helder Chaia Alvim ( Outros poemas, verso 100 )

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Portas fechadas x mãos abençoadas

1.O menor esforço na leitura, na repartição, no lazer, lei molhada, condição atrapalhada, atalho para o dever. A gente faz uso dela nem é mister pensar.Seu exercício diário exige do tranqüilo usuário em nome do conforto o mínimo de trabalho e suor.

2.Agora entendo e longe de mim a pretensão de mudar a situação. Nem carrego mágoa nenhuma, apenas constatação. No meu caso fui alvo desta norma obliqua, pois portas se fecharam, inúmeras tentativas frustras , obrigando-me a capitular, assinando a rendição requerida.

3.Vou na frente, volto atrás para que o leitor compreenda o assunto contumaz.Tudo começou quando terminei a escrita intitulada: Sob o Signo da Poesia, faz tempo que já nem lembro a data bem exata. Olhei à minha volta e lá estavam os versos alinhados na gaveta onde os depositara folha por folha com carinho.

4.Disse para mim mesmo, agora devem conhecer a ofuscante luz do dia.Mãos à obra, preparei os projetos com calma e gosto pensado, imprimi-os no formato certo e sebo nas canelas.Fui direto à busca do fomento justo que facultaria eleva-los a categoria de realizados.

5.Em uma semana percorri firmas estabelecidas, autarquias privilegiadas, conversei com gente diplomada, expus exaustivamente a pessoas abalizadas, devido a pressa da diretoria resumi o mais que podia , tomei chá de cadeira exercitando a paciência. Postei cartas registradas, em mãos foram endereçadas, eletrônicas protocoladas.

6.À moda do bacurau ia recebendo respostas vagas, indeferidas sem prazo,indiferenças tácitas, elucubrações varias, explicações inconsistentes que prefiro omitir os detalhes. Enquanto isso o projeto amarelava nas pomposas estantes de carrara ou ia parar na seção cesta para consolo da reciclagem.

7.A cada dia retornava para casa desanimado, sem coragem de encarar os versos, outrora mimados. Os dias se passaram a idéia da edição luminosa caiu no esquecimento generalizado.

8.Recentemente tive pesadelos, eles transformavam-se personificando seres falantes e me diziam em tom desafiante: Poeta, liberte-nos, faça alguma coisa, pois o cansaço nos preocupa sobremaneira, a morada é apertada e traças dividem conosco o espaço, dotadas de animosidade e fúria cortante. Quando será realizada sua promessa de assumir na leitura, a conversa?

9.Acordei sobressaltado, abri a gaveta e lá estavam eles acanhados, hirtos, esmaecidos pelo tempo, longevos.Matutei insone, perambulei sem fome e tomei a decisão de lavrar um livro de ouro, captar dos humildes, do povo o apoio necessário para realizar dos escritos, o sonho. Deles aprendi que o poeta assume com verve e grandeza o que a inspiração a ele contempla com lhaneza.

10.Lancei-me com redobrado esforço e para minha surpresa o apelo encontrou boa acolhida e abriu de vez as portas,tornou este poeta mais forte.Ao compartilhar meus sonhos e segredos com os simples e humildes, pude colher, embalado pelo benfazejo vento norte a alvissareira sorte.Se o poeta é cantador cantará seu canto de gratidão em todo lugar que este livro chegar e guardará no seu coração ritmado o quanto a bondade deles alegrara os versos mimados.

11. Entendi a duras penas o que não queria aceitar o que Agostinho de Hipona já dissera lá por volta do fim da 1ª era que duas cidades opostas construiriam mundos diferentes... A empírica com sua visão inata de desprendimento, a palpável com seu apego de veneno nada palatável para o espírito. Não perdi o juízo e encontrei nos versos as respostas que partilho consigo.

Helder Tadeu Chaia Alvim

Doce nostalgia

E os vagalumes solidários passavam e passavam sinalizando aos retardatários nas noites de geada a travessia segura para a Estância Crisálida dos Pirineus, oh! Deus!
( cantos da antiga era, verso 40 )
D i v a g a n d o d e v a g a r p a u s a s p a u s a d a s
p a u t a s p a u t a d a s   v i d a s v i v i d a s i d e a i s i d e a l i z a d o s s o n h o s s o n h a d o s r e s u m o e  s u m o n e s t e v a l o s e m i n t e r v a l o


Mecenas,

Ao escrever neste blog do Google, pretendo divulgar meu pensamento, interagir o entendimento, colocar para fora sentidos sentimentos que ora se encontram ansiosos na gaveta aguardando a chance da publicação, o sorriso precioso de sua compreensão.Arte,merecidamente atual agradece na letra. Desculpe-me por tomar seu tempo. Tudo que relatei foi ditado pelas rimas da inspiração, o que foi escrito foi repassado pela voz do coração. Eu o deixo com uma benção irlandesa simples:

Possa a estrada levantar-se para encontra-lo, possa o vento estar sempre às suas costas,o sol brilhar em seu rosto, as chuvas caírem mansas em seus campos, e até que nos encontremos outra vez, possa Deus tê-lo mansamente na palma de suas mãos.”



O autor mínimo

Certezas

Nsra e seu Divino Filho Jesus


Dois olhares de aconchego e paz sem perder os ares de soberania.
Demonstração nítida de o quanto o mundo precisa deste abraço carinhoso.
Oh! Mãe bendita, nós também somos Teu povo,
da inocência resta-nos pouco, filhos pródigos,
Restaurai-nos de pronto, envolvei-nos com teu manto de pureza,
Fazei-nos trilhar os caminhos das certezas e livrai-- nos das
asperezas. Assim Seja!
H.T.C.A
Santa Pascoa 2007

Reminiscências...

reminiscencias                 

1. Às vezes fico a pensar, me ponha a matutar,outros tempos, outros ventos da minha infância vivida lá na Pirineus, oh! Deus de camisa aberta ao peito, com aquele meu jeito de interiorano, não litorâneo, galopando égua baia sem malha ou cousa que valha

2. Era alegre e não atinava, nadava e peraltava respeitoso e não vacilava quanto ao futuro incerto que em São Paulo me aguardava

3. Hoje quando recordo esses tempos que já se vão, não me arrependo ter vivido, não me reporto ter sofrido nenhuma contradição.

4. Foi lá que fui jogral, no meio do arrozal, às vezes no canavial era simplesmente sensacional um palco em pleno sol as plateias eram as centopeias, os adereços os cabrestos, os bastidores, os corredores dos verdes arrozais, dos dourados bambuzais

5. Madrugava, não acordava, a boiada chamava e pastoreava o dia inteiro via sol raiar , aguardava a lua chegar, algo de diferente via naquele poente transluzente e quente dourava tudo quanto tocava
e fazia brotar canções nos lábios que acariciava.

6. Um dia pretendo voltar para lá, vir novamente a ser gente respirando os ares daquelas bandas,
respeitando os matizes daquelas plantas voltando a ser jogral em dias de sol.

7. Esse era o cenário, doce imaginário de minhas epopeias pequeninas, lupanário de feitos que até hoje me iluminam

Helder Chaia Alvim
( Cantos da Antiga Era, verso 33 )

Café Floresta - Este Nome é sinônimo de fôrça!!!

Café Floresta, o r a e s s a !!!

1. Vou falar em versos agora / de um estabelecimento / que em boa hora /
tomei conhecimento / Foi um dia desses ensolarados / se me lembro final de tarde / de transito congestionado / Ele fica situado bem pertinho da Paulista / uma quadra abaixo / justamente na esquina da Augusta com a Luis Coelho /
duas entradas / galeria movimentada / é um espelho .

2. Conglomerado de lojas variadas / bem direcionadas /onde meus amigos /
João e Francisco exercem a função de guardiões na competência e disposição/
Chegue mais / venha conhecer / não vai se arrepender /Você vai se sentir em casa logo de cara / seu nome: Café Floresta, ora essa!!! Tendo à frente Luiz / veterano de estrada / bom sujeito /atencioso / respeitoso de fala alegre e coração generoso / Ivonete e Letícia / dois encantos de pessoas /a equipe é
bem formada / cada um a seu modo cuidando da jornada /lanches vão /
lanches vem e o Luíz ainda tem tempo para fazer as vezes de mestre – sala .

3. O café é uma delícia/ as iguarias à perder de vista /bolo caseiro / pão de queijo /lanches no esmero / refrigerantes e sucos / tudo a tempo e a hora
e o que não falta é a prosinha e atendimento maioral etc e tais /
Clientela primorosa / conversas deliciosas / a cultura está presente
em verso e prosa realmente/ a meu ver pontos fundamentais.
Fica ao Paulistano uma dica ou sugestão / dê uma pausa à sua agenda cheia
para aquele “pit stop ” no Café Floresta / é uma idéia / refrescar a memória
o Luiz tem uma bom repertório de histórias / que podem favorecer suas decisões meritórias...

4. Ao terminar este refrão / deixo um caloroso abraço de união ao meu amigo Luiz José que considero irmão / aos clientes do café, p o i s z é que o prestigiam faz um tempão / aos artesãos Canuto Carioca / seu lugar tenente Osmar /citando seu auxiliar Jair Valente / a Eliseu ourives competente /
a Fátima depiladora experiente / a Lucinha Cunha estilista de moda / Dani e Ju inovadoras / ao Reinaldo alfaiate exemplar / vale a pena serem lembrados.

5. Fazendo jus a este escrito / no repente agradecido / estou para fechar o que foi dito / não sem antes afirmar que a harmonia é o que vale nesta vida passageira/ a lisonja é ligeira / subtrai a paz inteira / por isso canto versos na humildade / e confesso na verdade / ser fugaz o som das letras /
E impulsionado pelo benfazejo vento norte / confiante na sorte / pretendo divulgar este tema no meu primeiro livro de poemas. ( Helder Chaia Alvim)

Bom Gôsto x Primor

Na prosa e verso lembrado,
reconhecimento em loas deixado
À Canuto Heizer Ramos,
artesão conceituado
que não perdeu o estilo interiorano,
a simplicidade e costumeiro chavão:
“É tudo carioca, meu irmão.”

A história atesta
no Arquivo do Estado,
em Santana a memória
de uma antiga ocupação,
que fez do artesanato em couro
um acervo glorioso
de sua fundação.

Coube a este acanhado glossário,
na voz deste humilde cantador
homenagear com alegria
um conterrâneo da nata
altamente merecedor
desta elegia
ditada pela voz da inspiração

Vou ressaltar agora uma importante profissão
fazer jus aos méritos deste Itaocarense da gema que há muito está em cena na Capital
transformando a Arte de confeccionar sapatos
num ideal primoroso e de muito bom gosto.
Assim encerro o refrão agradecido ao camarada Canuto O incentivo a esta singela criação.


Sob o Signo da Poesia - Coleção: Vidas Vividas
Helder Chaia Alvim

Mundo virado

“ Ouça o eu vou lhe dizer para que não seja em vão. Quem espera acontecer, morre cedo de ilusão. Esse mundo é bem virado, já virou meu coração. Já não choro o pranto amargo, já não canto a solidão. Quem não viu que venha ver a beleza desta vida, se a vida é pra viver , vou viver então a vida.”  Zé Alvim Chaia, festival da canção popular - Itaperuna -RJ 1975

o trem metropolitano e o mundo virado!

O trem parte da estação
Leva pessoas aglomeradas
Ocupando os lugares sem dizer nada

Ah! Se ele falasse! Quantas coisas diria...
Mas é mudo
Ouve tudo
Guarda taciturno
Muitos vão
Outros vem

E o trem acolhe a todos
Com bondade e disciplina
Não discrimina
Nem tão pouco determina

É sempre a mesma rotina cronometrada
Apitos, zunidos de marcha forçada
Altamente qualificada
Lá vai ele de parada em parada

Ah! Se ele falasse! Talvez se calasse...
De madrugada, no frio
Nas tardes de euforia
No calor do dia, na calada da noite
Quantas decepções presencia

Um sem fim de noticias
Sonhos perdidos
Alegrias desapercebidas
Injustiças á perder de vista

O trem chega
Trazendo aos lares gente desfeita
Afeita ao sofrimento
Parte novamente enorme serpente
Parece ser gente, nunca para, sempre á frente
Carregando consigo
A sensação de que algum dia, se dependesse dele
O nosso destino seria diferente.

Helder Chaia Alvim

Sertão Iluminado


                   Sertão iluminado!

Acabou, seu moço, o nosso amado sertão, pois trote de burro, estribo de prata foi trocado pela zoada esquisita da tal caminhão de lata, carroceria quadrada,roda emborrachada, na subida ronca nem touro brabo, na descida desembesta igual notícia ruim, na curva apita, dizem que aquilo se chama “burzina”.

Acabou,seu moço, a emoção, a poesia e o encanto do nosso amado sertão.Ouvi falar, não sei dizer ao certo, que em Roseiral do Norte a energia elétrica Já chegou, depois do rádio transmissor o povo se entretém na praça com o tal televisor.

A escrita ta vindo, seu moço, à paisana, de fala mansa. A palavra não valerá uma libra na balança, embornal não terá serventia no estio, nem arado mais valia no plantio, não vai demorar alguns anos, desconfio.

Acabou, seu moço, os tempo de cabra macho, da ousadia, cevavam porco gordo, arruavam café no pasto, potro baio tinha endereço. O sertão das senzalas,das encruzilhadas, das patentes, dos segredos sem apreço, das pacas e irerês. Ele já não é mais o mesmo.

O sertão da clorofila esmaeceu, anoiteceu belo e promissor e acordou cortado pela fumaça à diesel, pelo ronco barulhento da moto serra, pela parabólica, pelo sonho equivocado de cidade grande.

Cessou por lá o canto mavioso da cigarra, o labor do João de barro, secou o pé de jenipapo, os vaga lumes emigraram para outras paragens e do coração do sertão fugiu a poesia daquelas horas livres e ninguém se lembrou mais de sua azáfama tardia... 

Helder Chaia Alvim

( Cantos da Antiga Era – verso 62 )

A última notícia

 a ultima noticia
1. Vou cantar em versos agora, a respeito de um aluvião a história é bem ligeira e agradeço a atenção.É de um certo Zé Cadinho que não assuntava confusão, no entanto o destino trouxe uma triste sina, que já, já, conhecerão. Se me dão licença passarei a descrever o causo ocorrido bem lá no meu distante sertão, onde o vento faz a curva e a lua brilha na imensidão, clareando pensamentos, trazendo muita recordação. Vamos sem delongas passar ao diapasão.

2. Seu nome de batismo, não é este citado acima, mas Antonio Calado Mendonça,descendente de gente nobre diziam, originária do ramo dos Brabantes, senhores do engenho, gente influente no reino, órfão ainda pequenino, educado pelo pai, Dr. Eugenio Mendonça, homem letrado, muito estudado, mas sem honrarias, de trato afável, de muita camaradagem, homem sensato, dizem que viveu no áureo tempo do café, exerceu a função de Juiz de paz nas sesmarias, de caráter serio, dispensava capataz, aliás acatado em suas decisões,árbitro aclamado nas demandas de terra um autentico interiorano sem restrições.


3. Casado com Dona Idalina Cândida Mendonça, alma temente a Deus,de fala macia, porte elegante faleceu muito jovem ao completar trinta doces primaveras. Apesar de possuir uma pequena nesga de terra lá para as bandas do riacho novo horizonte, Zé Cadinho trajava nos dias santos de guarda, terno de casimira chapéu panamá no alinho, botas altanadas no brilho. Quem o via montado no seu alazão dizia ser um visconde ou autoridade importante.Sua fisionomia serena guardava segredos, decepções, desilusões a par de uma insaciável vontade de viver. Mas, a noticia derradeira estava a caminho, a passos largos,muito próxima...


4. Era conhecido em toda a zona da mata, no ribeirão do córrego fundo, nas fazendas de café, na cidade até. E não era para menos, no ofício um talento, ferreiro desde moço, amansava os potros e os calçava que era um colosso. De coração generoso, no conselho primoroso, ia à missa aos domingos no arraial de Santa Fé e arriscava até a cantar no coro no dia do lava-pés.


5. Na juventude fez seminário, foi acólito, congregado mariano,da ordem 3ª do Carmo, estudou no célebre Caraça, formou-se em medicina na cidade de Medina com louvor e distinção. Por três anos seguidos exerceu a profissão. Médico abalizado cuidava dos  pacientes com muita abnegação. Não se sabe ao certo o motivo da deserção, apenas suposições aventadas, se o tempo facultar a charada vamos desvendar.

6. Mais tarde largou tudo, tornou-se andarilho, conheceu o mundo, foi mascate, abastado comerciante. Casou-se com a bela Catarina em São Pedro da Aldeia, interior do Rio de Janeiro, enviuvou na seqüência. Enfim, cansado das glórias do mundo, sem ambição nem filhos, retornou ao seu querido torrão natal para sossegar um bocado, como dizia, e passou a cuidar da sua antiga função.


7. Passemos ao fato que aconteceu num dia de S. João,um quarto de hora depois que o campanário tocava as doze abençoadas ave-marias. A data teria tudo para ser alegre e descontraída, dali a quatro dias era festa de S.Pedro e Zé Cadinho iria completar 48 anos, mas infelizmente não foi não. Na véspera conforme costume antigo arriou o cavalo no jeito na matula, rapadura, farinha e torresmo. E partiu bem cedinho para
Boqueirão das Almas, ia encontrar o amigo Luís de Tânia para sua última façanha.


8. A noite já ia alta e alvissareira, no povoado as bandeirolas enfileiradas recebiam os visitantes e no conjunto tudo estava radiante. Não faltavam pau de sebo, a grande fogueira ornamentada, quentão, prendas, alaridos, o quadro do santo e a tradicional queima de fogos de artifício. Todos os anos era uma festança, que os mais antigos guardam na lembrança.


9. O devoto Zé Cadinho,seu compadre Luís de Tânia dançaram a quadrilha naquela noite estranha,estrelada e cheia de brilho. A última façanha para os dois quase-irmãos, sina medonha, acredito ser destino o causo sucedido. Outros disseram ser alopração do desentendido, resultando desdobramentos trágicos
ou premonição ao acaso?


10. Zé Cadinho bom no passo, encantara Maria Solange, prometida a Itelvino Frejante. Luís de Tânia, moço falante flertou com Inês Vieira, noiva de Tião Figueira. Moças casadoiras, nem tanto... Comentavam no arraial ser casamento arranjado, capricho dos pais, outros opinavam ser interesses de herança. Vá entender! Só uma coisa posso dizer: No ar estava a intrigada trama armada...não à toa calculada! A cobiça desmedida, o ciúme ferido, a vingança arraigada atrapalha a mente de gente sensata.

11. A noite passou ligeira, quando deixaram o Arraial o galo cantava na soleira, adiantaram os cavalos, o sereno caia calmo e pararam na Venda das Pedras para o acostumado escaldo. Num canto acocorados, conversaram animados, a última prosa deste mundo obstinado: - É Nonato, cumprimos nosso ritual, passamos a fogueira do santo, foi uma alegria e tanto. Agora é meu compadre, né. - Isso mesmo compadre Zé e foi à meia-noite em ponto. Significa que estamos ligados na vida e na morte... - Concordo plenamente. E ano que vem a gente volta de novo, compadre Nonato para a renovação deste compromisso sagrado.- Bom, já é hora de tomarmos a estrada, que acha?! - Sem dúvida. Seu Juca Bragança, fecha a conta, meu camarada. - Noite pra quem fica! - Noite pra quem vai! ( Respondeu pigarreando uma figura taciturna ao canto do balcão).


12. Na viola afinada Fortunato dos Anjos, entre um trago e outro da maravilhosa, levava sua cantiga melodiosa que falava da sorte infeliz de um tal Chico de Assis, por causa de encrencas amorosas arrumadas pereceu numa emboscada em Terra Nova dos Emboabas, assim os antigos diziam. Era a cantoria do emissário do diabo, que ouviram e nem sequer suspeitaram do perigo.


13. O dia já clareava quando selaram os cavalos e retomaram a marcha forçada. Atravessaram a vertente da mata, o sereno brilhava nas folhas dos cafezais e na curva da estrada as preás saltitavam alvoroçadas. Era a última caminhada... Cavalgaram o dia todo, atravessaram povoados e descampados. Fizeram quatro paradas . Já era noitinha quando avistaram o alto da Fazenda Prosperidade. A noite caia mansa, o som de um sino na Igrejinha de Santa Luzia, na aldeia de Várzea Grande anunciava o Ângelus. - Arre! Compadre Zé que escuridão esquisita. Sinto um estranho calafrio. Acho melhor pegar outro caminho. Pêra aí qual nada é impressão. Eia! Chicote, vamos! Que relincho é esse?! Foram suas últimas palavras neste mundo malvado. A vindita estava perto... Continuaram em silencio por um quarto de hora. A sorte contrária se aproximava...

14. Na encruzilhada da porteira, os cavalos se assustaram, bufavam inquietos, firmes nas rédeas, os dois amigos vislumbraram o iminente perigo e apenas se entreolharam... Ouviu-se dois estampidos sonoros de carabina certeira que ecoaram anunciando a noticia derradeira...


15. Assim terminam as lembranças que trago na memória Até hoje duas cruzes estão fincadas na encruzilhada da porteira, indicando a última travessia de Zé Cadinho e Luís de Tânia. Que Deus os tenha em sua imensa misericórdia!


16. A pedido dos leitores prosseguirei na empreitada descrevendo os fatos posteriores a tragédia anunciada. Antonio Calado Mendonça e Luís de Tânia Nonato foram sepultados com comoção, receberam dos amigos e familiares o último adeus, missa e devoção.No caixão de Zé Cadinho depositaram seu inseparável bentinho. Nonato foi sepultado com  sua espora de prata. Poucas semanas depois o cavalo chicote morreu de febre palude. Mistério! Zé Cadinho em vida lavrara testamento. Deixara uma considerável fortuna para as obras de misericórdia... Tudo agora fazia sentido e vamos aos fatos que passam a esclarecer a trama sem perdão.


17. Os jornais noticiaram o acontecido. O caso teve repercussão. Dr.Nepomuceno Junqueira, delegado de renome foi designado e de pronto diligenciou buscas minuciosas. Prendeu um pistoleiro perigoso na distante cidade de Alterosa. Tratava-se de Fortunato dos Anjos , vulgo amargoso, violeiro dissimulado e bom de prosa. Interrogado, revelou detalhes da tramóia e os preâmbulos que culminaram na terrível emboscada naquela noite que teria tudo para ser rememorada com júbilo...


18. Acertara o “serviço” na Venda Porto das Pedras um pouco depois da dança da quadrilha por 30 contos de réis. Ficara bebendo até a passagem dos dois amigos. Explicou ao Juiz que queria tomar raiva deles para melhor executar o serviço. Pasmem! Logo em seguida partiu à galope para o local escolhido.Trocou de cavalo três vezes para ter uma boa folga na frente de Zé Cadinho e Luís de Tânia, tudo combinado. O interrogatório estendeu-se pela noite adentro. Fortunato revelou sangue frio e uma ponta de
ironia ao relatar os últimos momentos dos dois amigos.


19. –“ Os desventurados não esboçaram nenhuma reação, nem podiam, o fator surpresa foi decisivo... Mirei bem,nisso eu bom e plaft, plaft. Mandei os infelizes para outro mundo.Tem uma coisa que preciso falar. Naquele último instante eles perceberam a situação e enfrentaram a morte como cabras machos e de cabeça erguida”. O Juiz Dr. Conrado Severo indagou se eles esboçaram alguma reação? - Não sei não, Sr. doutor. Um deles, acho que foi Zé Cadinho, exclamou: “ Minha Santinha! Nossa hora chegou, compadre! Valha-nos Deus”. Após os disparos eu me aproximei bem dos dois Eu me alembro , porque a coruja piou três vezes no oco da figueira. Eles tinham um brilho incomum nos olhos, e olha, seu doutor que nunca vi uma coisa assim antes. Essas foram as palavras de um dos pistoleiros mais temido em toda a zona da mata.

20. Os mandantes do crime foram indiciados, presos e julgados. Não valeu aos Vieiras e Figueiras apelarem , ao magistrado.Crime é crime e mereceu a pena máxima decretada. Os agravantes impressionantes foram revelados: se apossariam da fortuna de Cadinho, títulos ao portador e ouro em barras ao todo somavam a quantia 100.000,00 réis. Não contavam com a precaução do testamentário que muito antes em cartório, ao tabelião notário a notificação em ata documentara. Se vingariam do passado alegando que o doutorzinho teve envolvimento numa operação mal sucedida num irmão de Itelvino. Fato verídico mas que não justifica a inominável vingança arquitetada. (A bem da verdade é bom esclarecer que a junta médica presidida por Dr. Antonio Calado no Hospital Bom Pastor em Nova Bonfim era pioneira em cirurgias de vesícula. Dos 30 casos que se tem conhecimento apenas três deles tiveram desfecho fatal. Entre esses se encontrava Frejinho, irmão caçula de Itelvino).Voltando ao assunto interrompido, também relataram que foram preteridos na dança da quadrilha pelas respectivas moças desencadeando o estopim e o pretexto como se fosse questão de honra. De nada adiantou a argumentação da defesa ressaltando ser crime passional, os jurados unânimes corroboraram aos réus a justa sentença. Não demorou muito e o sertão conheceu a paz desejada.O Intendente estadual Dr. Porfírio Andrade e Silva tomou providencias, a guarda armada foi constituída e agiu com força, critério e justiça. Em pouco tempo desmantelou a sanha desta gente malvada. Um por um outros justiceiros foram caçados, presos e julgados. Enfim o mandonismo estava com seus dias contados.

21. Os anos se passaram. O povoado emancipou-se e tornou-se a simpática cidade de Mendonça, com carros, comercio, Igreja,câmara municipal e faculdade. Quem visita a cidade logo lê a citação esculpida na enorme pedra sabão na praça Dois amigos no largo da matriz: Aqui nasceu Antonio Calado Mendonça,Insigne Ferreiro. Herói, orgulho da Terra Sejam bem-vindos, amigos.


22. Um desses forasteiros, numa manhã de sol era Fortunato dos Anjos, cumprira sua pena e agora regenerado ia visitar o túmulo de Zé Cadinho e Nonato. Procurava redenção e certamente deles receberia o perdão. No cemitério, apenas balbuciou um lamento amargo: - Matei dois inocentes... Assim como chegou, silencioso partiu e ninguém nunca mais ouviu falar dele. Parece que mudou para Santo Anastácio e tornou-se retireiro e tocador de boi para algum fazendeiro.O remorso, ferida em chagas o acompanhou até a sua morte em 1979. Contam também que de quando em vez a coruja piava em algum toco de pau, ele se arrepiava, plaft,plaft...


23. Melhor sorte não encontraram Itelvino e Tião . Na cheia de fevereiro do ano de 1968, fugiram da prisão e por ironia do destino encontraram a morte na travessia do caudaloso riacho Novo Horizonte.


24. Maria Solange da Costa entrou para o convento das Carmelitas Descalças em Santa Fé, professou os votos perpétuos com o nome de Sóror Maria da Anunciação.Fundou a Casa da Pequena Misericórdia para órfãos. Faleceu em 1972 em odor de santidade.


25. Inês Vieira de Lima, mudou-se para o Rio de Janeiro,estudou música, formou-se em Letras. Nunca se casou. Atualmente é escritora de renome em Buenos Aires. Recentemente esteve em Santa Fé para o lançamento do seu 26º romance intitulado: Memórias de Sangue O livro, bem escrito descreve em detalhes surpreendentes os três motivos que desencadearam a emboscada e selaram para sempre o destino de dois valorosos amigos.

26. O dito progresso chegou célere em Mendonça. A Maria Fumaça, antes orgulho da região, foi substituída pela extensa Rio-Bahia, com motores a diesel, máquinas de terraplenagem, motores barulhentos em movimento, prenuncio de uma era turbulenta,onde poucos saberiam medir toda a sua extensão fraudulenta. As lavouras de café deram lugar ao descampado para criação do gado leiteiro e de corte. E o sertão pouco a pouco se deu conta da grande evasão. E os fatos trágicos que foram narrados caiaram no esquecimento geral. Ou melhor dizendo não para os vaga-lumes solidários que por volta da lua cheia nas noites de cerração baixa alumiam sem cessar a encruzilhada da porteira homenageando aqueles dos amigos inseparáveis que pereceram sem razão. O fenômeno intriga os céticos, mas acontece, posso afirmar,todos os anos na noite de São João.

27. Ao terminar a poesia a última notícia, o peito bate forte, as tristezas e lágrimas não há quem as console, a não ser o sentido norte que conduziu este poeta mínimo que vive com um pé na realidade cosmopolita e outro fincado na era antiga.Quem sabe possamos prosseguir em outra ocasião, relatando outros causos de intrigas, ódio, braveza e passos que povoam a imaginação do povo interiorano acerca de nosso distante, amado e iluminado sertão, palco de proezas, histórias e muita singeleza que marcaram para sempre a vida deste quase escritor que ousa sonhar de olhos abertos, despertos, e que depois de muito chão canta seu aluvião na humildade e confessa na verdade ser fugaz o som das letras. Aproveita a ocasião para deixar registrado nestas páginas o quanto o olhar carinhoso do amigo(a) leitor(a) enobrece seu coração e personifica a grande locomotiva que lhe trouxe a inspiração bendita. Graças a ele que encontra motivo para externar sentidos sentimentos. Daí a razão para oferecer-lhes esta despretensiosa criação e depositá-la comovido em suas mãos.


Helder Chaia Alvim

( Coleção Lamparina, 1ª Parte –São Paulo, 2007 )

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

a lua cheia em contingência x proatividade

Os céus conspiram, vamos lá,
São Jorge, guerreiro lendário,
até hoje povoa o imaginário
de crenças populares,
montado em um cavalo ajaezado
se torna defensor dos fracos e desamparados.

Deixo de lado o vulgar propalado
e pego carona, abismado com o
céu paulistano, de incomum estrelado
momento sublime e impar... Vejamos!

Até hoje paira o insondável mistério
acerca de sua figura lendária,
vida de desdobramentos etéreos
uns dizem que foi guerreiro católico,
salvara a princesa de sacrifício peremptório,

Com sua espada flamejante,
derrotara o dragão num instante, munido de bravura
e obteve dela um olhar fulminante de ternura,
firme em sua crença a Cristo devotara a sua existência

Paira no ar e a lua está aí para atestar
seu destemor, o que importa é a lenda pura
de um homem santo e corajoso,
sua oferenda atravessa séculos e se afirma
defensor dos fracos e hesitantes

Neste traço de um poeta cantador
fica registrado os passos de um herói popular
que a tantos enlevou e se consagrou
guerreiro, mártir no alvorecer da grande Era.

Lendas à parte, ele existiu de fato
e ainda hoje a lua cheia revela
em mítica proeza a vitória do bem
em toda a extensão da clareza.

( Poesias aladas -Helder Chaia Alvim )

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Pedinte de Deus

o pedinte de Deus

Antonio percorreu a estrada da perfeição e fez acontecer prodígios,
acolheu o irmão desfalecido, curou feridas sentidas d'alma.
O seu querer fundiu-se ao Eterno Ser, buscou no claustro a liberdade calma,
abraçou a ascese, alimentou o interior espírito,
entrelaçou-se à mística superior,
ao seu Deus devotou a existência,
aos pobres a bem querença.

Jovem, Santo e sonhador plainava em abismos etéreos,
onde habitam insondáveis mistérios,
na terra, a caridade foi sua marca, atraiu a si a benevolência,
porquanto escrevo estes versos e...
reconheço na adversidade a mão abençoada deste humilde frade,
de semblante grave, olhar clemente,
até hoje se faz presente no bom conselho e benção permanente.

Orador de fogo encantava as multidões,
taumaturgo dos mil perdões,
admoestava com sabedoria e determinação,
zelo e coragem foram o seu quinhão,
asceta de Cristo, devoto de sua Bendita Mãe, A Virgem Maria.
Em vida pregava aos peixes, ao pedinte estendia a mão,
mitigava no pão a fome, o espírito saciava com oração.

Seu nome é forte, luz que irradia pureza,
pai dos oprimidos, injustiçados, desesperançados,
estigma bendito, com certeza.
No Reino Lusitano sorriu para a vida,
na Casa Portuguesa, em Lisboa
viveu a infância querida.

Na Dolce Italia, ingressou na milícia de Cristo,
seguindo os passos do Poverello de Assis, convicto,
professou votos, dedicou a sua existência aos pobres,
herói muito atual, exemplo sem igual,
obediente, casto, perseverante,
na santidade tornou-se gigante,
devoto menor, ofereço a Ele este poema,
que da minha cabeça veio o tema, apenas.

Oh! Pedinte de Deus, aceite esta rogação
e na hipótese de uma eventual espera demorada,
a súplica cabal tornar-se-á redobrada
em prol destas rimas mínimas,
amigo, irmão Santo Antonio de Pádua!

Helder Tadeu Chaia Alvim