quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Guardião da humanidade em a noite nebulosa

1. O amigo Libanio Nunes Lopes comentava outro dia entre uma conversa e outra uma verdade que: Um pai cria dez filhos e dez filhos não cuidam de um pai. Podemos conjecturar toda a grandeza destas palavras, as atenções, cuidados, providências materiais e um número incalculável de preocupações que povoam a vida de um pai, ciente de sua alta missão, até ver seu rebento educado, formado e bem encaminhado.

2. Sendo este assunto por demais sabido, não pretendo desenrolar o novelo, nem tão pouco enaltecer tais desvelos, pois para tanto creio que um diminuto artigo poético não conseguiria abordar com precisão, dado a montanha inesgotável e tamanha heroicidade dos pais e o que eles representam para os seus filhos e para a sociedade.

3. Pulo para outra parte, tendo em vista a frase do Libanio:Um pai cria dez filhos...Lembram-se? Isto posto lembramos que o planeta Terra tem desempenhado o mesmo papel para seus filhos.Desde que o mundo é mundo quantos e quantos viu nascer, crescer, quantas conquistas presenciou, quantas decepções abarcou. Tem proporcionado a eles a condição favorável, o clima,tirado de suas entranhas, os minerais, as pedras preciosas, as plantas medicinais, os mananciais, as torrentes caudalosas dos rios, a quatro estações, o equilibrio do eco-sistema, as frutas, as flôres, as aguas cristalinas de suas fontes, os animais.

4. Um só planeta Terra, diminuto na via láctea, grande em suas proporções continentais.Amanhece, anoitece, os séculos passam e Ele, dotado por Deus de inesgotável energia a cada dia se revela o guardião da humanidade. Pergunto se não é chegada a hora de cuidarmos melhor dele, ampará-lo nas suas feridas, sentir com ele suas dores sentidas. O homem atualmente dispõe de alta tecnologia, mede os ventos, prevê as chuvas, os maremotos, o olho artificial do satélite vigia sem cessar o orbe, nas pesquisas os avanços são notórios, nos laboratórios os elementos são manuseados com conhecimento e competência, as substâncias elaboradas em ciência.

5. O Planeta em que habitamos está doente, requer sustança, precisa urgente de um plano de emergência para salvá-lo, um antídoto poderoso, um anti-virus para suas veias lânguidas e extenuadas. Isto requer a cooperação imediata de todos os seus filhos, sem exceção. Ainda dá tempo de estancar seu sangue, diagnosticar o mal que o consome, restabelecer sua respiração oscilante.

6. Pensemos bem, vamos juntos amadurecer o pensamento, analisar seu grande tormento e aliviar seu sofrimento. Como? É simples deixe aflorar a voz de seu coração, o amor filial, a gratidão pelo ar que faz respirar seu pulmão. Se... pensarmos bem o que acontecer com ela nos atingirá de cheio. Mas acho que o amor de seus filhos despreendidos falará mais alto pois eles sabem, que sua condição de vida e existência e das gerações vindouras estão agora em suas mãos.

7. Estamos na curva da História e uma manobra errada de um milésimo comprometerá toda a prova grandiosa que é a vida humana no Planeta Terra. Quem vai se arriscar?! Sei que um Pai tão especial, que tem criado sei lá quatrilhões de filhos, não merecerá este esforço salutar? Ele tem ainda um descortínio amplo pela frente, vai atravessar muitas cachoeiras, isto se fizermos o que é certo, ajustarmos os ponteiros, verificarmos o câmbio e os freios. Não há necessidade de maiores explicações e só explicitarmos em atos salutares nossas teses e os fatos posteriores comprovarão.

8. Após esta noite nebulosa que Ele atravessa e pode durar muito tempo,amanhecerá com certeza um dia claro e Ele acordará remoçado e dirá: - Meus filhos, muito obrigado! Que o dito inteligente de Libânio, o popular Fernando, encontre eco em sentido contrário...Esclareça esta página , ilumine os passos, estabeleça normas claras. Fico por aqui, leitor amável, amanhã nos encontraremos no 1º turno, arregaçando as mangas, cuidando do nosso recado,hein!

Helder Chaia Alvim

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Poema de bar

aos poetas do guardanapo,

Deixar anotado num guardanapo de bar é uma maneira de amar...busca-se não a notoriedade mas a comunicação utilizando o flape à mão.Na maioria das vezes a mensagem é pequena no tamanho, mas tem muito a dizer...A intenção do escrevente reveste-se de seriedade e compenetração, saudáveis.Dado a atmosfera tumultuada, ele consegue colorir o papel de muitas verdades abstratas,uma espécie sui generis de desabafo concreto jogado à esmo, um êxodo momentâneo da realidade.

O bom, pude observar que este exercício prazeroso não requer métrica, estilo apurado,dizeres empoados. Ele, o poeta anônimo não perde a concentração,tá lá com a caneta na mão,o ambiente é propício à sua imaginação, de corpo presente, espírito longe, investe neste jeito simples de amar, dialoga com o cânhamo em branco, aos poucos vê pulular versos livres, não se acanha nos seus sonhos revestidos de uma tonalidade perfeita.

Em São Paulo, vejo que é um costume usual, quem dera surgisse um compilador, colhesse os esparsos poemas, catalogasse os temas em muitas páginas,resultaria numa coleção enorme de puro lirismo. O que acontece é quem os cria desaparece e a anotação, de destino incerto, permanece por alguns instantes à mercê da vontade alheia, servida sem custos adicionais que vai mais tarde,desacompanhada, parar quase sempre no lixo, sem mais paroxismos!

Poema de bar quanto você me é familiar!Sem mérito aparente, costumo ler todos que encontro pela frente.É agradável, descompromissado, fala o que pensa, desconhecido das estantes cultas,apura o sentimento das multidões mudas, sem voz e nem vez manda o recado para o freguêz.
Muito me agrada esta forma de expressar, confrades poetas de guardanapo, merecem minha atenção, vê se não desacostumem de anotar. Sempre tem alguém de plantão que admira sua legislação. Compartilhem sempre e sempre, deixem um email para contato, pois pude perceber que apesar das aparências contrárias tem gente ávida desta linda temática frugal. Acho vocês de iniciativa sensacional.

Helder Chaia Alvim
Poeta Minimalista

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O homem que acreditava em Deus

Hoje acordei com uma sensação triste, coração apertado, que durou todo o dia. Às 18 hs. dei uma passadinha na Igreja da Consolação, demorei-me algum tempo em prece e reflexão. Em seguida tomei o caminho de casa. Após o jantar, arrumei o guarda-roupas, ajeitei algumas tralhas, separei alguns rabiscos para correção e fui deitar amargurado. Acordei de madrugada sobressaltado e não consegui mais pregar os olhos. De manhã na empresa recebi a notícia inesperada que o amigo Paulo d'Alongio havia falecido na véspera, lá na cidade que nos viu crescer e conhecer as artes, a poesia lírica, a filosofia. Engoli seco, agradeci consternado o recado que me troxe angústia e dor acalmada.

Paulo Angelo Francisco Vieira, natural de Londrina, um paranaense de fibra, dedicado aos estudos, imbuído de crença firme, devoto de Nsra, de carácter prestativo, acreditou em Deus,nas verdades do catecismo. Tive a satisfação de partilhar com ele por anos seguidos no seminário em Campos, muitas conversas construtivas, rezas, novenas, missas pontificais. Possuia uma voz cristalina, um tenor e tanto. Evangelizou com idealismo na cidade de Miracema. Deixará saudades, amigo e a doce lição que vale a pena cultivar as virtudes da alma. Seu corpo envolto no Rosário à terra foi entregue pelas mãos do Revmo. Pe. Olavo, sua alma vôou para o céu para conhecer aquele Deus de misericordia que em vida se consagrou, o dom da fé soube preservar, esperou na caridade, a visão de Deus, da Virgem Maria, de São Miguel Arcanjo, dos Anjos e Santos tornou-se para ele eterna claridade.

Assim encerro estas linhas, a lembrança do velho amigo vai continuar sempre. Ele foi um sábio,viveu a vida com alegria, esforço e luta renhida. Enfrentou por longos anos a enfermidade que o vitimou, foi um grande propulsor da caridade, anjo do bom conselho, seus arranjos foram verdadeiros. Deixou aos amigos muita saudade, partiu com o semblante sereno, cumpriu sua missão passo à passo. Fará falta ao mundo este homem de oração e fé. Hoje sua alma descansa o sono dos justos, até o dia derradeiro quando os Anjos de Deus soarem a trombeta final...

Paulo Angelo acreditou na verdades eternas, foi coerente, puro e simples, devoto ardoroso de Nossa Senhora, recebeu dela o sorriso e a palma da vitoria.Descansa na terra querida de Santo Antonio dos Brotos o sono dos justos. Lá onde o vento benéfico e suave da Fé Católica habita no coração daquela gente valorosa. Na cidade que viu passar sua presença amena e bondosa na catequese, nas encenações teatrais. Lá estava ele nos bastidores provendo com alegria as festividades religiosas, coadjuvando as solenidades.

O conforto, o alento de seus corações é saber que em vida acreditou, seguiu de perto os passos do Redentor da humanidade, Cristo Jesus. Hoje ele vê o Deus de bondade na extensão gloriosa de sua Divindade. No regaço materno e acolhedor de Nossa Senhora continua em prece perene a favor de seu povo, solene. Da terra leva a lembrança de sua jornada insistente, a nós, pobres mortais deixa a convicção de seu exemplo e vida consequente.

Quanto a mim, poeta mínimo que canta versos na humildade, debruça-se nas palavras, nas angústias da caminhada, reservo estas páginas singelas no intuito de resgatar uma amizade sincera e principalmente revelar para os leitores, a têmpera correta de um amigo, Arauto Autêntico do Evangelho que partiu tão cedo rumo à Patria Celeste, lugar onde o Sol não se põe nunca e não há necessidade de luz, pois Deus é a própia essência pura. Seu semblante calmo guardo sereno, no papel registro seus nobres sentimentos e um último pedido ouso dirigir ao pranteado clérigo Paulo Angelo Francisco Vieira, para que Deus me conceda trilhar na dor, perdoar meus erros e retomar o caminho do Eterno Amor!

Helder Chaia Alvim
SP/13/02/2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Forma e Sombra

1. A cidade adormece, o silêncio é interrompido,são eles os insones de plantão,perambulam nos seus sonhos,alardeiam a solidão,acordados parecem querer falar palavras mas não encontram eco na solidão.

2.Lá ao longe se ouve o alarido,são gritos emudecidos,uns, devido a função, no volante, bares noturnos,há quem fique vigilante nos prédios, departamentos, portarias.

3. A filosofia da noite demonstra aparente calma,a lentidão se transforma em vagarosa pressa,a mente devora considerações próprias.

4. O relógio biológico anda mais devagar,importuna as horas tranquilas,o movimento do nada estabelece normas oblíquas.

5. O ser da noite é diferente, sei o que é isso.Gosta de criar em sua mente conceitos ponderados,não se obriga aos horários apertados,as filas nos supermercados, bancos e repartições,se ausentam da lista de suas afinações.

6. Noite e dia tão contrários em sua simetria,uma gosta de esconder-se na sombra,o outro aparecer na forma.Não sei qual é a sua escolha, amigo Eu me atenho a ponderar, sou mais propenso a gostar da primeira alternativa, a justificativa é porque consigo avançar na escrita, encontrar a trilha perdida.

7. A cidade desperta, mais um dia a espera, noticiários, agenda cheia, tudo começa na pressa, conversa e a ela não interessa coadjuvar a produção, miss em cena garante o papel principal na apresentação.

8. O borborinho a encanta, os aplausos das multidões eletrizadas consagram sua brilhante atuação. Roteiro e textos decorados, contratos assinados, aguarda orgulhosa o aval da direção. Ensaia passos acertados, retoca a maquiagem, orgulha-se de ser celebridade.

9. As horas transcorrem, o filme é rodado e tudo parece saiu justinho e bem elaborado. À tardinha a dama diurna recolhe-se, cansada, estressada desempenhou bem e foi além do esperado.

10. Aos poucos as luzes se apagam a F o r m a desaparece por detrás das cortinas, a S o m b r a assume os holofotes sem brilho da solidão. Irmãos sem afinidades aparentes, pouco se encontram, mas são imprescindíveis um ao outro.

Helder Chaia Alvim

Cismações variáveis

Não me julgo diferente dos menos favorecidos. É uma variavel para não dizer dos pobres.Pois choca os ouvidos alheios, sei lá! Bom apesar de ter meu canto exíguo, não posso me ufanar de ter vencido o desafio. Deus sabe o que padeço, escrever considero um lenitivo desde o começo.A ração é precária, a perpectiva é rara. A pertinência da escrita me sustenta e alumia.

Tenho um punhado de amigos que me compreendem de fato e dizem: Poeta vá em frente que um dia seus versos surgirão na curva da estrada e encontrará neles o arrimo para seu coração.Por enquanto, o pão anda escasso, a carestia esta braba, acredite, meu amigo, que estes versos suados partiu de um poeta cismado no seu canto , amuado no meu pranto, abismado que se cala, grita forte almejando o doce norte.

Por enquanto colhe desilusão. Apesar de ter andado muitas terras, ter conhecido caladas serras,temperado palavras serenas, argumentado verdades plenas, o vazio a sua fala espera...

Se algum dia o reconhecimentoi surgir pretende com os irmãos carentes repartir o que vier. Eles lhe proporcionaram a visão de se tornar um poeta mínimo na humildade, lhe ensinaram sem dizer uma só palavra a expargir no papel o quinhão da sinceridade.

No fim que lhe aguarda se não puder mais falar, se lhe couber apenas uma dança de salão, não errará o passo, afinará no canto este quase encerrado diapasão. Voltará às ruas e com gestos, esforço incontido dirá a sua explicação:

- Tentei, amigos! Sou um poeta sem razão, me dê seu ombro amigo, acenda um cigarro, mê dê um trago,pois aqui vê seu irmão que tentou em vão mudar nossa situação.

Helder Chaia Alvim

Rumos...

 Hoje tenho 50 anos. E em pensar que envelheci, a juventude passou, a idade madura chegou a passos largos. Realizei muito pouco do que queria. Os arroubos da mocidade estão guardados a sete chaves. Entre erros e acertos muito pouco restou. Num relance vejo um filme em preto e branco alternado de algumas cores, protagonizando altos e baixos. Os entraves da existência me acompanham, os colegas do ginasial não sei por onde andam, as f1.orças me faltam. É natural, já não tenho a vitalidade, a disposição para andares não calculados. Idealizei a meu jeito a bondade, sim! Argüi a maldade e constatei que a humanidade desgastada também se iludiu na rampa de tanto esforço em vão. Chegou a cair no chão e a miss em cena não recolheu os aplausos, nem chegou ouvir a ovação. Se mérito os tive, são estes escritos que assimilo os declives de uma sociedade em acelerada expansão, direcionada para crises que a deixam fora da razão.


2. No banco da escola, entusiasmei-me com a trans- amazônica, vi o astronauta pisar na lua,usei brilhantina, calças boca de sino, vi homens derribando matas a favor do pasto e do plantio. A fumaça à óleo diesel conduzindo os colonos em demanda das cidades povoadas. Moço ainda tive condições de andar de vespa, dirigir o vw gordini, naqueles tempos que o ônibus Jardineira cortava os morros trazendo em seu bojo as notícias da inevitável evolução. As amarelinhas, o soldadinho de chumbo, o pião já não encantavam a meninada,as cantigas de roda, as quadrilhas iluminadas, sucumbiam ante o sonho eldorado das revistas em quadrinhos, das tvs americanizadas. Mais tarde a energia elétrica iluminou forte aquelas serras, a lua na amplidão ficou esquecida, os vaga-lumes solidários se refugiaram nos cantos escondidos dos seus sonhos, os roncos dos motores, as buzinas estridentes silenciaram a maria-fumaça, relegada ao pátio abandonado da dita era “atrasada”.


3. Tenho saudades da Estância Pirineus, de meu avô paterno, Plínio, homem probo e inteligente, do fogão à lenha,do lampião, da lamparina, dos causos que nos contavam, do saci pererê, do lobisomem, da mula sem cabeça; dos jantarados, da fartura, do café, do carro de bois, do arado, dos tabuleiros de arroz, do campinho improvisado, as cavalgadas pelas planícies, as trilhas na mata virgem, a família numerosa, a festa da Santa no Arraial do Tobias, da folia de reis, os casamentos que presenciei, as ave-marias, as ladainhas cantadas,as procissões do mês de maio, os terços de Nossa Senhora entoado por vozes piedosas, as tristezas que vivenciei, as cruzes do cemitério onde guardam as memórias de gente que amei.


4. Tudo isto se foi, levado à esmo se pôs. E me encontro na cidade grande onde o movimento é fato presente, gente manuseando lixo, à margem da normalidade, tropeçando na miséria, expostas à intempéries na curva extremada de uma estrada que já foi nossa e parece que não há quem possa solucionar a questão enunciada. Foge da tese a prática, da consistência a lástima e a pergunta vai e volta sem resposta acertada.


5. Ah! se pudesse editaria versos, publicaria nos matutinos, criaria condições sem suspirar pelos créditos nas versões. Ilusionismos! Puros ilusionismos de um poeta flautista, dirão os céticos rebatendo esta entrevista. Se a viabilidade foge à minha modesta concepção, nem por isso deixo de externar, fazendo jus ao uso do direito de opinar facultado a todo e qualquer cidadão.

6. As ferramentas de trabalho do poeta são a escrita de onde deriva sua inspiração. A alma canta embora a matéria clama desalentada de projeções declinadas. O papel aceita de bom grado a tinta que nele é plasmada. “ Senhor Deus dos desgraçados...” já falava o poeta decano. O assunto que trato não é novidade, apenas alinhavo em versos próprios aquilo que é sabido da humanidade, as tonalidades variam mas os problemas são os mesmos debaixo de nossos olhos cansados e apreensivos. Luis de Camões, imortal e épico em sua lhaneza personifica o velho do restelo com clareza: “Oh! vã ciência de mandar, oh! vã cobiça que se chama honra...”


7. É hora gente sensata de rufar os tambores, acertar os sensores, fugir dos rumores, pois a mão que manuseia o conhecimento, saboreia o progresso, detém os elementos é a mesma que pode viabilizar ao semelhante a vitalidade que é inerente a sua condição humana. Em última análise se quiserem poderão devolver-lhes a dignidade, o sorriso tão peculiar de sua brasilidade. Há meios, o apoio da sociedade, sejam as mãos perfumadas que oferecerão oportunidades, solidariedade, calor, eu lhes peço por favor. Eu digo realmente se não me tornei sábio, apesar da idade, a vivência me empurra para deixar registrada estas palavras, não de censura, mas de livre arbítrio, na espontaneidade e esperança que a luz divina impulsione a todos os que vierem a ler estes versos do coração a refletirem e mais do que isso a sentirem a sensação do bem estar das mãos que oferecem rosas.


8. Que a ilusão, tão peculiar à nossa geração não pulverize sentimentos nobres, não estabeleça normas tortuosas, não enfraqueça as fibras sadias, não consuma as energias que nos poderão guindar para um tempo de paz e harmonia.


9. Fica dito, o intuito revelado não foi mero acaso.O tempo atual carregado de preocupações, crises avolumadas, senões e um sem número de interrogações tem assunto de sobra, soluções nos faltam. Sinais! Não creio, acredito na inteligência humana, na vontade soberana do bem, na força criativa de Deus donde emana o bom senso restaurador. A fase negativa pode ser neutralizada se a chave positiva for conectada a tempo ao chip do Amor. Simples assim ou complicado ao extremo? A resposta não sei! Dependerá da escolha.

Helder Chaia Alvim

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Lázaro vive.

Rabiscar versos que coisa boa, começar do nada à toa, amparado na contemplação a façanha simples requer um lugar distante,ausente de agitação, munido de asas aladas ausentar-se do planeta terra.Lá onde habitam anjos devotados na missão de dizer-nos coisas belas em meio à humana aflição.

Mas, meus arranjos são singelos em toda e qualquer situação,parte de um coração poeta que reconhece a pequenez de sua dissertação Que Deus ilumine estes traços sem muita pretensão, versos soltos, envoltos de certa admiração,

Enquanto me fôr facultado continuo meus passos, anuvio, me desfaço em busca de um certo lastro que a humana vida perdeu, em meio à tanta dissipação, se iludiram no cansaço, quisera possuir a voz de um assanhaço, para traduzir em melodia a realidade que os definha, em poucas palavras os desalinha.

O que foi dito não traz consigo mensagens de ceticismo, longe de mim o desalento, não rezo nesta cartilha,alinhavo o verbo aguardando o sopro benéfico de melhores dias que virão.

Oh! Raça minha, o mandamento do amor não foi observado na íntegra, os versos do grande poeta Jesus, Deus Humanado se fizeram perdidos, porque não dizer esquecidos, mas ainda hoje peregrinam na canções de um poeta mínimo trovador, sacramentando os dizeres do grande Mestre da Luz, que da Galiléia proclamou a paz perene, o perdão solene, Lázaro vive nas profecias do Redentor.

Dois Mil e Nove há dois meses já raiou, o calendário corre, o tempo é computado inexoravelmente e os vagalumes solidários continuam sinalizando sem cessar aos andarilhos do espaço a travessia segura para Crisálida dos Pirineus, oh! Deus

E o universo se comporta às avessas de sua rota, cataclismos, guerras sem volta, ilusões e tantas revoltas. De que vale tudo isso, para que perder o juízo, se uma só coisa é necessária? Deixo aos leitores a resposta a esta indagação, façamos valer a consciência pura e em um instante as coisas mudam, as nuvens carregadas se dissipam e o mundo conhecerá a tão suspirada Paz sem arranhaduras...

Não adianta palavras bonitas, o esforço destas rimas, figuras de linguagem se a linhagem humana não traduzir em atos as suas potências restauradoras, inovando seus penhores, exercitando seus pendores, a bem da harmonia, institucionalizando a sintonia.

Helder Chaia Alvim.

O andarilho do espaço e o mundo virado

Dizer versos é o que faço, profissão de poeta não é nada fácil.Se agrado ao interlocutor me sinto recompensado.Um dia meu pai presente disse: Meu filho, ouça o que eu vou lhe dizer para que não seja em vão: Quem espera acontecer morre cedo de paixão,  este mundo é bem virado, já virou o meu coração, já não choro o pranto amargo, já não canto a solidão. 

Quem não viu que venha ver a beleza desta vida, se a vida é prá viver, vou viver então a vida! Menino não se apoquente, pois nesta vida tem muitas moradas, quanto a mim toco a boiada e conheço cada canto desta estrada, você vai por este mundo afora, faça verso, faça prosa e diga a quem te ouvir o que falo agora: - A vida é um eterno começar... o que passou, passou, encontre as palavras certas, esmere-se na exatidão, encha este mundo de poemas, fuja das encrencas,respeite o semelhante, fite sempre seu semblante,Não se apoquente nada é perene, a não ser o amor que a gente sente, cumpra a sua parte, fé em Deus e muita sorte! "

O tempo correu depressa, desapareceram as seriemas, o cruzeiro iluminado,as tardes ensolaradas, meu Pai também se foi. E tudo foi tão rápido igual a um relâmpago que corta o céu nas águas de janeiro. Estou longe de casa, no aperreio da vida pós-moderna, na matula guardo versos, as lembranças alegres que hoje revelo,na cabeça o chapéu daquele boiadeiro, que um dia me disse primeiro antevendo meus passos que tinha sim é vocação para andarilho do espaço. Por isso converso consigo agora nesta cidade pessoa que respeito, peço licença na presença deste amável auditório, para desfiar versos à moda antiga, loas de cantador confesso que depois de muito chão ainda povoam minha imaginação.

Helder Chaia Alvim