quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Forma e Sombra

1. A cidade adormece, o silêncio é interrompido,são eles os insones de plantão,perambulam nos seus sonhos,alardeiam a solidão,acordados parecem querer falar palavras mas não encontram eco na solidão.

2.Lá ao longe se ouve o alarido,são gritos emudecidos,uns, devido a função, no volante, bares noturnos,há quem fique vigilante nos prédios, departamentos, portarias.

3. A filosofia da noite demonstra aparente calma,a lentidão se transforma em vagarosa pressa,a mente devora considerações próprias.

4. O relógio biológico anda mais devagar,importuna as horas tranquilas,o movimento do nada estabelece normas oblíquas.

5. O ser da noite é diferente, sei o que é isso.Gosta de criar em sua mente conceitos ponderados,não se obriga aos horários apertados,as filas nos supermercados, bancos e repartições,se ausentam da lista de suas afinações.

6. Noite e dia tão contrários em sua simetria,uma gosta de esconder-se na sombra,o outro aparecer na forma.Não sei qual é a sua escolha, amigo Eu me atenho a ponderar, sou mais propenso a gostar da primeira alternativa, a justificativa é porque consigo avançar na escrita, encontrar a trilha perdida.

7. A cidade desperta, mais um dia a espera, noticiários, agenda cheia, tudo começa na pressa, conversa e a ela não interessa coadjuvar a produção, miss em cena garante o papel principal na apresentação.

8. O borborinho a encanta, os aplausos das multidões eletrizadas consagram sua brilhante atuação. Roteiro e textos decorados, contratos assinados, aguarda orgulhosa o aval da direção. Ensaia passos acertados, retoca a maquiagem, orgulha-se de ser celebridade.

9. As horas transcorrem, o filme é rodado e tudo parece saiu justinho e bem elaborado. À tardinha a dama diurna recolhe-se, cansada, estressada desempenhou bem e foi além do esperado.

10. Aos poucos as luzes se apagam a F o r m a desaparece por detrás das cortinas, a S o m b r a assume os holofotes sem brilho da solidão. Irmãos sem afinidades aparentes, pouco se encontram, mas são imprescindíveis um ao outro.

Helder Chaia Alvim
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