quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

subsidência x a extensão do verbo

Subsidência x a extensão do verbo
1.  
    ‘ Na essência  somos iguais, nas diferenças nos respeitamos...’, proferiu o gênio de Cartago nos primórdios da era cristã quando uma orla de bárbaros incursavam no norte de África bendita e esboçavam o que seria dora diante o novo mundo, aquele gerado pelo Mestre  no alto de uma, aquele que nasceu de um coração abrasado de amor, perfurado pela lança do centurião Longino.
2.      Séculos antes, um certo dia de outono estival numa cidade desconhecida do cartograma culto, ouviu um tropel inusitado de camelo, uma luz intensa foi vista, uma aurora suave se fez sentir, ouviu-se sinfonia melodiosa de anjos arcanos, viu-se pastores simples ao redor de uma gruta.
3.      O maior acontecimento da historia se deu, uma criança divina nasceu de uma virgem, contemplou-se um homem ao lado que chamava-se José, o pai adotivo de um Deus.
4.      A natureza envolvida de êxtase, os animais ruminado sons alegres, e ali estava o esperado das nações, o anjo do grande conselho, que queria a humanidade livre das peias dos erros, da escravidão romana, uma liberdade que conquistaria exatos 33 anos depois no gólgota salvifico.
5.      Tudo muito auspicioso, tudo muito bom, a par da maldade do governante ou rei Herodes a sintonia de amor e junção entre profano e divino era perfeita, e o tropel de camelos assim como chegou levou em seu dorso fisionomias impressionantes, carregadas de mistério, prontos e iluminados  para testemunhar o renascer das esperanças...
6.      Ah os santos reis magos do oriente, nossos representantes, nossos ancestrais da fé, nossa esperança de inclusão no reino do pai, aquele que nem as traças , e nem os ladrões abocanham para si, aquele de desdobramentos eternos, de claridade perene.
7.      Então o mundo bom da justiça e equidade nasceu de uma pobre manjedoura, do seio de uma virgem e beleza maior não houve, harmonia imensa, graça única, força total e o começo da derrocada do império do anjo decaído na maldade da soberba.
8.      A humildade prevaleceu, a fraqueza venceu a força dos elmos, a razão e a vontade se fortaleceram das palhas da manjedoura, a terra se alegrou com o olhar do Deus infante, o suplicante alcançou a promessa e o universo entoou seu canto de louvor:
9.      Gloria, gloria sem fim ao Messias anunciado pelos profetas e depois daquele dia em Belém o mundo não seria mais o mesmo, as convenções maldosas dos pagãos desapareceriam, os elmos, empáfia das botas opressoras deixariam de existir, a Igreja se estabeleceria em Roma, a fé se estenderia até aos confins da terra, os bárbaros formariam uma nova civilização alicerçada no sangue do Cordeiro e tudo o mais!
10.  Hoje ao olharmos para trás agradecemos o empenho dos reis do oriente, agradecemos tantos e tantas, santos de Deus que renunciaram o mundo e seguiram Cristo de perto e não deixaram que as portas do inferno prevalecessem  contra a nau do Grande Pescador.
11.  Assim é, assim o foi, assim será,  mesmo que as aparências da subsidência do mal demonstrem em sua empáfia o contrário do contrário, neguem em seus alicerces o evangelho do Mestre divino. Em tudo e por tudo fala mais alto a profecia da cruz: ‘ atrairei a mim todas as coisas...’
12.  No meio desta era afônica das trevas em combustão, a Rosa Mistica brotará do concreto e renovará os rins, os corações, os enzimas na terra dos homens com seu inigualável perfume de eleição, as  intervenções do mal cessarão, as magnitudes intervencionistas do poder minguarão em seu nascedouro, o fenômeno de rebaixamento do espirito não existirá mais, a utilização dos recursos naturais  se concluirá  com decência, acerto e gosto pensado.
113. Todos seremos nós em toda a extensão do verbo, e in natura artis a natureza respirará novamente os ares do paraiso perdido, ora renovado mil vezes mais pela inocência do olhar da terra renovada e ampliada para seu destino perene: tudo em todos!



Helder Tadeu Chaia Alvim
Seis de Janeiro de 2016
Festa dos Reis Magos