sexta-feira, 31 de julho de 2009

O gólgota das decepções e a teoria poética.

1.Que coisa formidável é observar um varal de roupas que depois de lavadas, batidas, esfregadas vão parar justapostas, coloridas, levantadas por este indispensável utensílio doméstico. O mais comum deles é ainda o de cordinha de nylon ou arame tendo como suporte um bambu, o preferido dos usuários.

2. O pregador, outro acessório importante compõe a performance e mantém unidas as peças de roupas em exposição de secagem. Assunto à parte, configuro a mente na transposição oblíqua para outra vantagem. Ao escrever alguns versos o poeta utiliza a mesma técnica manual a sua cabotagem, vejamos na sequência da teoria poética.

3. O varal exposto recebe o volume de seu esforço, quer seja em um blog, um livro editado, uma mera declamação despreocupada, solicitada e incentivada por algum truta camarada.Percebe-se que tem a poesia festiva, triste, a enigmática, a descomplicada, a empoada,expostas ao juízo categórico da platéia e da critica impiedosa.

4. Às vezes o sol arde e elas são guardadas na gaveta de suas miragens, ou vem a chuva e o desavisado lembra que as esqueceu sem proteção, quando o vento sopra descontrolado e sem pregadores adequados são arrancadas e deixadas de lado.

5. O ideal é quando encontram tempo firme, calor controlado, depois ao fim do dia são retiradas com carinho, ainda quente do mormaço da tarde e vão morar no cantinho do coração do leitor, raridade rara, as felicito com uma salva de palmas.

6. Das produzidas, poucas são adotadas permanentes, tem a sorte de receber um trato conveniente, um comentário que as façam se sentir vivas, quando não sem as variantes da publicação, jazem nos rascunhos, incompreendidas,desencorajadas , esconjuradas até ,que não conseguiram a chance da impressão e divulgação. Por um golpe sem razão,insistem no gólgota, estampando na face a sofrível decepção, sem ao menos terem encontrado um Dimas companheiro para lançar-lhes na fronte exangue um olhar de amor, amparo e resignação.

7. Vida dificil é essa do poeta de esquina, mas ele não desanima, insiste no canteiro da inspiração,Dandi que 0 diga, acalenta sonhos, cultiva anseios, personifica a fugacidade da vida, debruça-se no papel em branco e o povoa de populosas letras, depois as deposita com carinho na vitrine apagada das oportunidades, esperando contra toda esperança a sentença favorável dos inquisidores da consciência moderna.

8. Sempre paciente, gritando mudo, aguarda o salvo conduto, para guiar suas letras ao mundo da leitura, percorrendo com elas as edições de capa dura, escolas, livrarias, cafés em cybers, lares e outras particularidades. Não vendáveis se calam, mudas falam ao mundo que as encalham...

9. Até quando vão aguentar o anonimato, não são autómatas, reflexivas tem iguais direitos,conquistaram na antiguidade o pensamento, percorreram o mundo do direito romano, teceram com suas mãos o Manto Sagrado de Cristo, nas catacumbas alumiaram mentes puras, sairam a luz da grande proclamação de Constantino, viram Roland cantar os feitos nobres de Carlos Magno, circum-navegaram o globo, estiveram com Camões épico em Celta, renasceram com Da Vinci, Dante, Frá Angelico, cantaram com Assis, o poverello, com Pedro II, Isabel e Taunay engrandeceram o império, na pele de Euclides conheceram a sertão agreste, com o lírico Drumond pesquisaram emoções, na pele de Guimarães destinaram a brasilidade das razões interioranas. De Fernando Pessoa destrincharam pensamentos estabeleceram sentimentos.

10. Se falam declaram sua missão sem peias, são o espelho do seu tempo, refletem angustias, peregrinam no dia a dia, analisam sem pretensões de guias, crises individuais e coletivas, decifram enigmas, paradigmam ousadas idealizações.

11. Percorreram na era clássica e percorrem ainda hoje os ventos da desilusão sem chorar o pranto amargo,
tem a capacidade também deamar, odiar, sentem fome, abandono e caminham à sua maneira anunciando visões complexas do universo , rodeadas de versos, dores suas e alheias, titubeantes, sim, mas sem regatear imponderáveis, abençoam, bendizem, predizem,frágeis, sensibilizam com o naufrágio do mundo bom, esperneiam, se horrorizam com a truculência do princípio do mal, do poder das trevas que as rodeiam.

12. E dando prosseguimento ao raciocínio sem aprimoramentos tangíveis, anotam, denotam preocupações acerca de notícias graves tal qual H1N1 , que atinge o mundo e ceifa vidas sem conta. Ah! e a violência em escala avançada não podem olvidar sua sanha maldita.Oferecem nesta página uma homenagem ao jovem ciclista baleado e morto na marginal da cidade de São Paulo sem o abrigo da proteção... sua mãe perdera seu sorriso meigo e a sociedade a decepção de mais uma vítima, mais um espinho encravado no seu coração.

13. E a caminhada continua, do nada se acentua aos pobres poetas de esquina, sem rosto,sem vez e oportunidades,mas cônscios de sua responsabilidade de falar, falar e não se calar...Vêem o estado de direito perder campo e o simples existir endereça cartas e mais cartas de assombro. Quantos vão dormir o sono dos injustiçados para nunca mais acordar nesta vida fugaz.Seria bom , muito bom que acordassem amanhã dia 24/05/2009 - domingo, em São Paulo clarividente e o dia fosse diferente, ponderado, sem rumo inconsequente, os prumos alinhados na bondade, aliado ao calor humano, diferenciados, mas uníssonos no bem sem restrições.

14. Neste concerto harmonioso, as poesias, coadjuvantes atentas, cantadoras sinceras de realidades plenas aguardam ansiosas novos rumos, novos ventos de camaradagem, respeito, solidariedade, segurança plena, patamares que sempre nortearam esta grande e bela cidade de grandiosidade extensa, propensa a solidariedade, falo da São Paulo das mil razões, objeto incessante das canções dos trovadores, poetas, músicos e artistas urbanos.

15. Sem retocar a maquiagem foi o que me confidenciaram as rimas soltas num sussurro aberto e que deixo no fim destes versos: Que o grande varal multi colorido da grande harmonia na diversidade volte a ser levantado nesta cidade, bem alto, segurado pelos prendedores da lealdade, para regozijo e apreciação de seus milhões de filhos, foi o que disseram a este pregador mínimo.

Helder Chaia Alvim

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O sentido da existência na curta longa jornada da vida

1.Curta Metragem. Curta Duração. Vida Curta. Curta a Vida. Calça Curta. Curta Distância.Quantos dizeres, já os ouvimos milhares de vezes e seus significados são abrangentes, depende do estado de espirito que povoa a imaginação da gente. Explana-los seria chover no molhado. O importante é que refletem a breve existência de algo que termina logo em seguida de quando começou.

2. Na curva da caminhada humana é a surpresa que ceifa nosso existir, breve como um som de um trovão, ligeiro como um relâmpago nas tardes de tempestade de outono. É a condição que todos estão sujeitos, aleatoriamente; contra a fugacidade da vida não há remédio, abrigo ou aconchego.

3. Conta-se que um certo senhor fez um pacto com a morte, pediu um prazo de dez anos,no que foi atendido... Passaram-se os anos e ele esqueceu o combinado, viajou muito, delapidou o patrimônio em orgias, não atendeu as solicitações do semelhante, provado pela sorte adversa,nem lembrava que Deus existia. Só que uns meses antes de completar a data, de repente a figura impiedosa da dona morte veio a sua mente e apavorou-se.

4. Esperto que era, pensava isto de si mesmo, elaborou um plano meticuloso para driblar a noticia derradeira. Primeiro trocou a identidade, fez umas plasticas,vendeu tudo e mudou-sede cidade, estado, sucessivamente. E o tempo passava, corria rápido e o coitado não tinha mais paz, com qualquer vulto que aparecia à noite apavorava-se, não saia mais de casa,trancava a porta e janelas com pesados ferrolhos.

5. Uma semana antes da data combinada, foi mais ousado, selou seu melhor cavalo, colocou todo o seu dinheiro num alforje e partiu a galopes, percorreu muitos lugares, e a hora passava, já se completava o tempo marcado quando avistou a fronteira e pensou: estou salvo... Não foi o que sucedeu, vejamos... Lá ao longe avistou um vulto, apressou o cavalo e quando passou ao lado do caminhante desconhecido, a dona derradeira disse: Olha que bom, eu ia te buscar mas você veio ao meu encontro...

6. Dura realidade revestida de seriedade a que estamos expostos. Nem por isso cabe o despropósito de se desesperar. Para que a vida curta se torne longa tem um remédio. Seria vivê-la intensamente em cada minuto da existência, ter pensamentos bons, ações generosas, fazer o que se gosta, crer em Deus. Aí quando o relógio do tempo expirar, não haverá remorso, apenas a sensação confortante do dever cumprido, assim era a máxima sábia dos antigos.

7. Ainda temos tempo, a areia da ampulheta ainda não sinalizou o fim, assinale o percurso, se resguarde dos percalços, mantenha-se calmo, detenha-se na beleza da vida, confira os bons sentimentos dos semelhantes, abrace a manhã, sorria durante o dia, à noite recolha-se com alegria. Pois amanhã, virá outro dia... A dança da vida continua sempre!

Helder Tadeu Chaia Alvim

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lunações Eternas 2

lunações eternas 2
vamo ' areunir' hj?

1.Oh! Deus soberano, mortais somos e nos propomos a nos tornar melhores, ainda existe em nós um pouco da inocência primeira, tirai de nós a vizeira do mal, fazei-nos trilhar o bem sem restrições. Ah! a humanidade caminha pelas vias da destruição, enleada por falsas averiguações,sistematizadas soluções, globalizou o desentendimento, fomentou ódios, intolerâncias programadas de altas ressonâncias psicológicas e não deu a si ainda a chance da paz, não homologou a concórdia, fechou-se em seu entendimento fugaz, incapaz de discernir o bem, hoje jaz no descontentamento quase sem volta.

2. Estamos inseridos nesta realidade tremenda e não se trata de plural magestático, cada um tem sua parcela de responsabilidade neste quadro pessimista, mas ainda há tempo de endireitar as premisssas, inteligentes, conscientes somos e amparados pela força motriz das iluminações divinas, peregrinando sob instrumento ousamos assoprar a brasa da fé salvífica e nos rendemos as carícias da bondade redentora do Cristo amigo, quando afastadas as ilusões o criador e as criaturas selarão um segundo pacto de ternura para se iniciar a grande era das eternas lunações.

Helder Chaia Alvim

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vida Bigbrotteada do Tabaco

1.O tema é forte e controverso. Há tempo pensava em escrever a respeito do assunto. Tenho acompanhado a campanha anti tabagismo e confesso que estou incomodado. As razões deixo-as impressas nesta página. E trata-se de um assunto bem atual, até porque depois de séculos aparece um movimento bem elaborado sobre os efeitos do tabaco na sociedade e inserido nela na vida dos fumantes, obviamente. Concordo em termos pois o cigarro usado sem moderação pode neutralizar as potências do cérebro, corroer a saúde, a inteligência e o espírito humano, minar os tostões do nossos bolsos todos os dias a par do prazer momentâneo, a longo prazo o estrago pode se tornar grande. Falo como fumante assíduo, tenho 51 anos e gozo de perfeita saúde, pois consumo uma das melhores marcas de cigarro a Souza Cruz, de reconhecimento internacional, ok!
 
2. Mas o fundo de quadro me preocupa, e não se trata de fazer apologia disfarçada do tabaco,pergunto amparado na liberdade de expressão, não será mais uma intervenção do estado e instituições envolvidas, na vida já tão bigbrotteada do cidadão? Onde fica o princípio do livre arbítrio e da auto-determinação inerente desde os tempos remotos da filosofia ao ser humano.Somos responsáveis pelos nossos atos, será que a propaganda nos entontece de tal maneira que ao nos seduzir ficamos isentos da responsabilidade pelas nossas ações?

3. A pontinha de intolerância na propaganda antitabagista me deixa de orelha em pé. Amanhã as baterias poderão voltar tendo como alvo outros hábitos arraigados, por exemplo, quem sabe contra o cafézinho, não sei,é uma hipótese, por que não? Será só fomentar estudos científicos sem consistência, publicar artigos e o costume se tornará subversivo.

4. Amigos, uma vez que vivemos na democracia, a poesia acompanha o movimeto de sua época e opinar aumenta as chances do diálogo,do senso crítico e faz brotar o consenso, mediador de conflitos, adiador de imposições. Por isso a razão última deste artigo. Somos tolerantes com nossos defeitos,blazonamos nossas conquistas pessoais e relegamos o fumante para o canto de uma esquina perdida... Assim não dá pé, né!


5. Gostaríamos de ver estampadas na mídia escrita, falada, televisionada, ações cabais contra a violência que assume estatura colossal em todos os níveis da convivência humana. Ações contra a descompustura na política das coisas públicas, ações a favor do saneamento, da iluminação pública, do tranporte, educação, formação intelectual da juventude, a favor da cultura em suas variadas formas, que encontra-se relegada ao mísero estado de quase mendicância, dos moradores de rua a outra realidade contrastante de uma cidade pujante. Ações, ações visando restaurar nossas instituições, pilares de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Mais ações
coibindo a poluição avassaladora, socorrendo a camada de ozônio, haja fôlego!!! Enfim, falei, eu e os milhões de cidadãos, aguardamos soluções a curto, médio e longo prazo.

Ajude um poeta a editar seu livro, a Arte agradece!

Helder Chaia Alvim

terça-feira, 21 de julho de 2009

Anjos da Coluna Divina

anjos da coluna divina

1.Vida dificil a do poeta de esquina, escreve nos curtos espaços de inspiração, entre um afazer e outro lá está ele de caderninho e lápis em punho, anotando rimas, costurando poemas,a produção é intensa, vertiginosa, suada, mas com tonalidades gratificantes, principalmente quando encontra um amigo e declama sem perigo, recebe um elogio merecido, agradece com um sorriso, guarda a anotação e parte sem rumo para outra lunação.

2. Quando chega em casa aflora em seu semblante a decepção pois vê na mesinha seus escritos se avolumando e a cada dia vai amontoando mais poemas que ficam lá à espera da tão sonhada publicação. Para um instante, remexe os papéis, dialoga com eles e são tantos que se acanha. Pensa consigo e esboça um leve sorriso: um dia irei publicá-los, mas ele sabe das dificuldades impostas pela sociedade consumista e que este dia, talvez, nunca vai chegar, o dinheiro nunca dá...

3. Esta é a vida do poeta urbano minha gente. Me insiro com desilusão amarga nesta realidade. Oh! como seria tão simples, facílimo se surgisse algum Mecenas como outrora para desafogar o fluxo das inspirações, fazer chegar ao leitor o trabalho destes campeões anônimos dos versos em borbotões, que assinalam seu tempo sem maiores condições...

4. Mas este dia não amanhece, ele o poeta de esquina não endoidece, continua calmo e confiante dialogando com o cânhamo, criando versos, enxergando mais adiante pois traz consigo uma firme convicção que este dia virá... e vai virar para ele e seus colegas de escrita. A energia do universo conspira a favor deles e os Anjos da Coluna Divina não tardarão em aparecer altaneiros, impulsionando primeiro, um coração generoso, amante das Artes, vislumbrador de horizontes, então pelas mãos abençodas deste Mecenas fluirá a doce melodia do poeta de esquina concretizando sonhos acalentados tão amplamente sonhados.

Helder Chaia Alvim

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Um Lugar Perene e a Infocibernética

certo mês de maio da chuva, flores e frio!

1.Madrugada findando o mês de maio, das flores, rosas e lírios, das mães e por excelência Maria,a mais pura dádiva saída das mãos de Deus, concebida sem a mácula do pecado original, pura de corpo e alma, sempre virgem, sempre mãe, sempre a esperança de um mundo melhor onde o divino se una ao humano e o eleve acima das querelas e fugacidade da vida terrena passageira.

2. Época de chuvas que entornam água em muita parte; o noticiário diz, represas estouram, o cidadão encara as forças descontroladas da natureza, o firmamento se fecha e de seus orificios desce o aguaceiro intenso e penso na grandeza do universo, na pequenez dos nossos gestos.

3. Bom, vamos mudar de assunto, já que o tempo nos retém em casa é normal que haja algo para fazer. Estive pensando que a internet está esgaravatando tudo, a engenharia on line observa os usuários com meticulosidade e precisão absurda, prevê gostos e tendências para mais na frente oferecer produtos de alta definição. Compra-se por seu intermédio um quase tudo, fogão, computador, filmadoras e uma gama de outros produtos, até flores, sim senhor...

4. Da sua casa, escritório, laborátorio, onde estiver pode adquirir com segurança o que quiser. Oh! era do bluetof, banda larga, velocidade em alta escala. O perigo mora na nossa frente, está na ponta do dedo do desavisado usuário, um clique apenas numa mensagem com dowlond mal intencionado e está tudo acabado zap zap.

5. E a chuva continua incremente, e prossigo,se me permite o caso da modernidade excessiva que minga valores de antigamente como a boa prosa frente a frente com os amigos da gente. Termos e mais termos, ferramentas, links povoam este universo que os antigos diriam do outro mundo que acessa tudo, todos, em poucos segundos. Já disse várias vezes as facilicidades da vida atual, os avanços em tempo real.

6. Cada manhã aparece uma coisa nova, sem falar dos deletérios vírus que incomoda a navegação infocibernética, aparecem roteadores, Ubs, tela cristal, lentes que auxiliam a atingir níveis elevados de precisão em escala planetária, que confusão na minha cabeça, que profusão admirável de conceitos e conteúdos.

7. Nesse turbilhão de informação na minha opinião bem pouco se aproveita, que pena, seriam excelentes meios para a consecução de fins mais nobres e altaneiros. Tecnologia em alta, calor humano em baixa, a alma humana, a cortesia, o papo descontraído deram lugar aos cybers de perder o juízo. E a moda não é passageira, vejo que veio para ficar e alimentar a industria da informática, incrementar um novo jeito de ser da raça humana, isolado na sua cadeira, plugado com o mundo inteiro sem fazer a diferença, iguala para baixo conceitos e medos.

8. Lá vem o poeta com este assunto saudosista e retrógado, companheiro, não vão vingar estas palavras do seu prólogo, dirão certamente os entusiastas on line por inteiro. Que pena, mais uma vez. Queria respirar, levantar a cabeça e olhar ao meu lado, para frente e atrás e enxergar um espaço diferente, com os avanços necessários. Se estamos bem na fita com este cabedal de conhecimento virtual, seríamos melhores mais humanos e soberanos se com tudo isto não minguassem em nós o calor da convivência, a inocência leve, a perenidade do belo, bom e pulcro. Sairiamos dos apuros que nos encontramos e restabeleceriamos o equilibrio de que tanto precisamos.

Heldert Chaider

Tudo à Mão... Outra Versão...

1.Escrever para espairecer, quantas vezes declarei este estado de espírito que norteia muitos de meus colegas de inspiração, máxime na Augusta Paulistana, palco de realizações, entardeceres consumidos de desilusões. O quanto amo a realidade poética, diversificada,ilustrada,tremenda, triste, alegre, alvissareira, não sei o que dizer mais. Mas ela me atrai, me seduz, induz ao nada. Sem soluções aparente, me pergunto de que vale a vida, fora deste horizonte, num instante perde-se tudo, sonhos acalentados, esquecidos em uma esquina cega que seca anseios certos.

2.Quanta desilusão, quanta frustração permeia a existência humana. A alma acalenta, canta e percebe quanto o mundo bom, almejado pelos poetas maiores está longe. Sem pensamentos definidos a humanidade apenas vive e não requisita o sublime, nem imprime na vida o tom sagrado. O descaso pelo ser tornou-se patente, vive-se o momento agitado do ter para demonstrar conquistas vazias que quando alcançadas jazem em cinzas frias.

3. Já corri atrás delas, confesso, a matéria instavel e colhi desilusão. Ouçam, ouçam, parem,reflitam, por favor e mudem o rumo que se pulveriza com o som de um trovão. Não escrevo para assustar o irmão, não é minha intenção, apenas relato e constato o imenso vazio, frio de minha conclusão.

4. Quisera outro mundo, regado de atenção ao semelhante, onde amanhecesse diferente, crente no autor da criação. Aqui toco o ponto da despretenciosa dissertação, temos hoje tudo à mão: tecnologia, avanço digital, alta definição, a informação em tempo real, mas a felicidade de situação esta a quilometros de distancia e não há especialista que saiba diagnosticar o mal. Isto consome o ânimo que restou em nossa imaginação. Tão bom se um mundo ciente, o calor humano presente,as alienações afastadas e as realizações concretas voltassem a pauta de  nossas intenções.

5. Esta é a fala de um poeta calejado, ovelha desgarrada do redil convencional, que antes de descer a tumba que o silenciará para sempre, deseja com sincera intenção que o vôo interrompido da humanidade seja retomado, sem tardanças e encontre condições atmosféricas favoráveis para aterrissar em um aeroporto seguro, onde o sol nasça para todos sem devaneios tortos.

Helder Chaia Alvim

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Confidente e a Direção Lenta

1. Perde-se o sono e fica-se a imaginar como loucos somos, falo de mim mesmo exatamente, quem quiser me escutar, será um prazer tê-lo como confidente, pois trocar figurinhas, distrai os problemas, aquece a alma, estreita laços, preenche a solidão cosmopolita e estabelece uma amizade plena.

2. Para variar não tenho tema, teimo em escrever, deixo rolar a tinta com prazeroso empenho no papel em branco, não domino a técnica, nem possuo estilo apurado, vou fazendo, pois aprende-se a nadar caindo n'agua, respirando no compasso ritmado, esforçando-se com os braços intercalados e quando pensamos que não nos vemos bem arranjados.

3. Agora para se tornar um profissional do nado, requer-se outras qualidades, disciplina, alimentação adequada, treinos e mais treinos, uma série de cuidados e agenda da nutricionista,seguida à risca. Na escrita da vida ás vezes o improviso ajuda muito, me vejo um poeta improvisado, pego no tranco, respiro fundo e deixo a cuca funcionar em marcha lenta , depois encaminho a direção aonde soprar o vento. Estou conversando consigo e percebo que já passou uns quilometros de puro agrado. O sono foi embora de vez, a cidade na madrugada fria não adormeceu totalmente ainda, outros se preparam nas suas casas para outro dia de ocupações, soluções esperadas, arriscadas manobras, notícias alegres, tristezas comedidas.

4.Assim é a vida e me insiro nela, também peregrino, também mortal, também aguardando a finitude que nos é peculiar. Me assusta o simples existir, o caminhar sem rumo definido, o desequilibrio descomunal, os perigos que rondam a mim e ao próximo; me consola saber que o Deus de clemencia existe e não nos faltará jamais o seu colo quente, o seu sopro salutar, a sua proteção eficaz. É, amigo perdi o sono, sem me desesperar, ganhei um confidente na sua pessoa, que compreende minha direção lenta.

Helder Chaia Alvim

a dança da vida x o verticalismo decrescente

1.Recomeçar, mesmo que tudo aponte em sentido contrário, mesmo que o pensamento não encaixe no desjustado quebra-cabeças do movimento humano. A gente vai, a gente vem e quase se perde no lusco-fusco de ações inócuas, faltosas de resultados satisfatórios. Não me pergunte a razão, nem sei mesmo aonde vai dar a atual situação caconde em que cada dia mingua o sentir das multidões.

2. Avançamos tanto, temos à mão a invenção, os bites se avolumam e a retrocessão se afigura assombrando a mente, causando insolente. A desproporção choca, as idéias novas pululam à nossa volta, galopam em sentimentos múltiplos, se deleitam no indomável consumo, ébrias de novidade, galanteiam a praticidade, se acocoram nas selas de estonteantes bipolaridades, quando alcançadas se apresentam ultrapassadas.

3. Ah! poeta de esquina que perambula nas madrugadas vazias, que insiste em interrogar o silêncio, mesmo que ele aparentemente não responda para ti, sei que entende seu linguajar à sussurrar brisas de preocupações... A fome, o desconforto, o vazio rondam seus passos trêfegos à busca de um horizonte suave onde a brisa da manhã sopre uma canção diferente, onde o sol do meio dia abrase seu coração, onde a poesia da tarde reconforte seu ânimo tergiverso, onde não haja noites tenebrosas para a humanidade.

4. Mas um céu estrelado, incomum, onde a dança incansável dos astros na evolução simétrica perfeita de seus contornos revele a todos a grande harmonia do universo, a pouca sensatez de atos incorretos, a beleza de um belo gesto a favor da paz universal, a grandeza da concórdia, a importância da liberdade e a força suprema da união da raça humana.

5. Ah. poeta de esquina sei que não és pessimista, mas o perigo dos átomos embravecidos nos circunda e nos vemos nas antípodas do ponto de equilíbrio, invencionamos e o calor de um abraço amplo se distancia do âmago de nossos sonhos. As discórdias, as guerras, a violência se misturam na dança da vida e o grande final se apresenta ao contrário da peça ensaiada.

6.Ah! o bem comum fora relegado ao canto da coxia e não consegue mais realçar a louçania, a orquestra desafinada desfia sons ininteligíveis,o maestro com a batuta quebrada não mais entusiasma a platéia cansada e a roupa de gala se encontra dependurada nos camarins de vaidades inconfessadas, papéis invertidos, realidade controversa, a insanidade assumiu os palcos da vida e o silêncio no vazio recomeça mais um dia... Será de delírios ou de sadias perspectivas? Vamos ver!

Helder Chaia Alvim

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Hipopotamo de outro mundo

1.Hoje acordei com uma vontade danada de ficar na cama. Sábado de folga pensei... voltei a dormir.Sonhei coisas estranhas, um enorme hipopótamo de outro planeta havia pousado sua nave bem no meio da avenida paulista, imaginem! Era sorridente e lá estava ele sentado na rua, portava um laptop do tamanho de uma mesa de bilhar e tentava uma comunicação retilínea com seu mundo cósmico, o planeta de Niobius. Pedia resgate ou qualquer providencia neste sentido.

2.Como conseguiu vencer as barreiras do som e a 5ª dimensão? Não sei explicar, deixo a competência aos cientistas. O fato é que conseguia se comunicar com os humanos pelos telões da avenida. Perguntou que planeta era esse com tantos carros e poluição, gente apressada...Não obteve respostas...

3. Indagou porque seres inteligentes, que detem tantos avanços virtuais, não utilizam suas energias assertivas para gerar paz, harmonia, mansidão em vez de guerras, conflitos? Em seguida pediu melancia e vieram duas toneladas, saboreou, bebeu cinco garrafões de agua minalba, soltou um arroto que estremeceu cinco quarteirões. Se conteve, dormiu um sono. Acordou acionou seus controles, obteve um sinal cifrado, entrou na nave e partiu em um segundo para Nióbius, distante da Terra 5 trilhões de anos-luz.

4. Acordei ás 14hs. com uma sensação absoluta, o sonho me deixara mudo, pensativo, prostrado. O que fora aquilo? Será!

Helder Chaia Alvim