terça-feira, 21 de julho de 2009

Anjos da Coluna Divina

anjos da coluna divina

1.Vida dificil a do poeta de esquina, escreve nos curtos espaços de inspiração, entre um afazer e outro lá está ele de caderninho e lápis em punho, anotando rimas, costurando poemas,a produção é intensa, vertiginosa, suada, mas com tonalidades gratificantes, principalmente quando encontra um amigo e declama sem perigo, recebe um elogio merecido, agradece com um sorriso, guarda a anotação e parte sem rumo para outra lunação.

2. Quando chega em casa aflora em seu semblante a decepção pois vê na mesinha seus escritos se avolumando e a cada dia vai amontoando mais poemas que ficam lá à espera da tão sonhada publicação. Para um instante, remexe os papéis, dialoga com eles e são tantos que se acanha. Pensa consigo e esboça um leve sorriso: um dia irei publicá-los, mas ele sabe das dificuldades impostas pela sociedade consumista e que este dia, talvez, nunca vai chegar, o dinheiro nunca dá...

3. Esta é a vida do poeta urbano minha gente. Me insiro com desilusão amarga nesta realidade. Oh! como seria tão simples, facílimo se surgisse algum Mecenas como outrora para desafogar o fluxo das inspirações, fazer chegar ao leitor o trabalho destes campeões anônimos dos versos em borbotões, que assinalam seu tempo sem maiores condições...

4. Mas este dia não amanhece, ele o poeta de esquina não endoidece, continua calmo e confiante dialogando com o cânhamo, criando versos, enxergando mais adiante pois traz consigo uma firme convicção que este dia virá... e vai virar para ele e seus colegas de escrita. A energia do universo conspira a favor deles e os Anjos da Coluna Divina não tardarão em aparecer altaneiros, impulsionando primeiro, um coração generoso, amante das Artes, vislumbrador de horizontes, então pelas mãos abençodas deste Mecenas fluirá a doce melodia do poeta de esquina concretizando sonhos acalentados tão amplamente sonhados.

Helder Chaia Alvim
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