segunda-feira, 13 de julho de 2009

a dança da vida x o verticalismo decrescente

1.Recomeçar, mesmo que tudo aponte em sentido contrário, mesmo que o pensamento não encaixe no desjustado quebra-cabeças do movimento humano. A gente vai, a gente vem e quase se perde no lusco-fusco de ações inócuas, faltosas de resultados satisfatórios. Não me pergunte a razão, nem sei mesmo aonde vai dar a atual situação caconde em que cada dia mingua o sentir das multidões.

2. Avançamos tanto, temos à mão a invenção, os bites se avolumam e a retrocessão se afigura assombrando a mente, causando insolente. A desproporção choca, as idéias novas pululam à nossa volta, galopam em sentimentos múltiplos, se deleitam no indomável consumo, ébrias de novidade, galanteiam a praticidade, se acocoram nas selas de estonteantes bipolaridades, quando alcançadas se apresentam ultrapassadas.

3. Ah! poeta de esquina que perambula nas madrugadas vazias, que insiste em interrogar o silêncio, mesmo que ele aparentemente não responda para ti, sei que entende seu linguajar à sussurrar brisas de preocupações... A fome, o desconforto, o vazio rondam seus passos trêfegos à busca de um horizonte suave onde a brisa da manhã sopre uma canção diferente, onde o sol do meio dia abrase seu coração, onde a poesia da tarde reconforte seu ânimo tergiverso, onde não haja noites tenebrosas para a humanidade.

4. Mas um céu estrelado, incomum, onde a dança incansável dos astros na evolução simétrica perfeita de seus contornos revele a todos a grande harmonia do universo, a pouca sensatez de atos incorretos, a beleza de um belo gesto a favor da paz universal, a grandeza da concórdia, a importância da liberdade e a força suprema da união da raça humana.

5. Ah. poeta de esquina sei que não és pessimista, mas o perigo dos átomos embravecidos nos circunda e nos vemos nas antípodas do ponto de equilíbrio, invencionamos e o calor de um abraço amplo se distancia do âmago de nossos sonhos. As discórdias, as guerras, a violência se misturam na dança da vida e o grande final se apresenta ao contrário da peça ensaiada.

6.Ah! o bem comum fora relegado ao canto da coxia e não consegue mais realçar a louçania, a orquestra desafinada desfia sons ininteligíveis,o maestro com a batuta quebrada não mais entusiasma a platéia cansada e a roupa de gala se encontra dependurada nos camarins de vaidades inconfessadas, papéis invertidos, realidade controversa, a insanidade assumiu os palcos da vida e o silêncio no vazio recomeça mais um dia... Será de delírios ou de sadias perspectivas? Vamos ver!

Helder Chaia Alvim
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