terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Portas fechadas x mãos abençoadas

1.O menor esforço na leitura, na repartição, no lazer, lei molhada, condição atrapalhada, atalho para o dever. A gente faz uso dela nem é mister pensar.Seu exercício diário exige do tranqüilo usuário em nome do conforto o mínimo de trabalho e suor.

2.Agora entendo e longe de mim a pretensão de mudar a situação. Nem carrego mágoa nenhuma, apenas constatação. No meu caso fui alvo desta norma obliqua, pois portas se fecharam, inúmeras tentativas frustras , obrigando-me a capitular, assinando a rendição requerida.

3.Vou na frente, volto atrás para que o leitor compreenda o assunto contumaz.Tudo começou quando terminei a escrita intitulada: Sob o Signo da Poesia, faz tempo que já nem lembro a data bem exata. Olhei à minha volta e lá estavam os versos alinhados na gaveta onde os depositara folha por folha com carinho.

4.Disse para mim mesmo, agora devem conhecer a ofuscante luz do dia.Mãos à obra, preparei os projetos com calma e gosto pensado, imprimi-os no formato certo e sebo nas canelas.Fui direto à busca do fomento justo que facultaria eleva-los a categoria de realizados.

5.Em uma semana percorri firmas estabelecidas, autarquias privilegiadas, conversei com gente diplomada, expus exaustivamente a pessoas abalizadas, devido a pressa da diretoria resumi o mais que podia , tomei chá de cadeira exercitando a paciência. Postei cartas registradas, em mãos foram endereçadas, eletrônicas protocoladas.

6.À moda do bacurau ia recebendo respostas vagas, indeferidas sem prazo,indiferenças tácitas, elucubrações varias, explicações inconsistentes que prefiro omitir os detalhes. Enquanto isso o projeto amarelava nas pomposas estantes de carrara ou ia parar na seção cesta para consolo da reciclagem.

7.A cada dia retornava para casa desanimado, sem coragem de encarar os versos, outrora mimados. Os dias se passaram a idéia da edição luminosa caiu no esquecimento generalizado.

8.Recentemente tive pesadelos, eles transformavam-se personificando seres falantes e me diziam em tom desafiante: Poeta, liberte-nos, faça alguma coisa, pois o cansaço nos preocupa sobremaneira, a morada é apertada e traças dividem conosco o espaço, dotadas de animosidade e fúria cortante. Quando será realizada sua promessa de assumir na leitura, a conversa?

9.Acordei sobressaltado, abri a gaveta e lá estavam eles acanhados, hirtos, esmaecidos pelo tempo, longevos.Matutei insone, perambulei sem fome e tomei a decisão de lavrar um livro de ouro, captar dos humildes, do povo o apoio necessário para realizar dos escritos, o sonho. Deles aprendi que o poeta assume com verve e grandeza o que a inspiração a ele contempla com lhaneza.

10.Lancei-me com redobrado esforço e para minha surpresa o apelo encontrou boa acolhida e abriu de vez as portas,tornou este poeta mais forte.Ao compartilhar meus sonhos e segredos com os simples e humildes, pude colher, embalado pelo benfazejo vento norte a alvissareira sorte.Se o poeta é cantador cantará seu canto de gratidão em todo lugar que este livro chegar e guardará no seu coração ritmado o quanto a bondade deles alegrara os versos mimados.

11. Entendi a duras penas o que não queria aceitar o que Agostinho de Hipona já dissera lá por volta do fim da 1ª era que duas cidades opostas construiriam mundos diferentes... A empírica com sua visão inata de desprendimento, a palpável com seu apego de veneno nada palatável para o espírito. Não perdi o juízo e encontrei nos versos as respostas que partilho consigo.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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