quinta-feira, 1 de março de 2012

O gesto mais belo x a intriga final

1. A história registrou longe das câmeras, holofotes e mídia social, um belo gesto, uma demonstração de companherismo que atravessou séculos e encheu de admiração os olhos daqueles que leram o relato. Vamos recordar um pouco este momento de grandeza e calor humano admirável. Mas antes, vamos nos situar primeiro e romancear à vontade. Podem me corrigir que aceito compartilhamento de opinião.

2. Nada fora ensaiado, a platéia ovacionava com ódio inaudito um condenado à morte numa cruz naquela sexta- feira em Jerusalém. Corria a era dos grandes césares romanos, em suas bigas velozes a percorrer o vasto império, a comandar legiões invencíveis e tendo como proteção a temível guarda pretoriana.

3. A pax romana dominava a Palestina sob a jurisdição do Rei Herodes. Mas o vasto imperio basiléia tinha um pé firme em todas as regiões anexadas. E quem respondia pelos seus interesses na terra dos judeus era o procurador Pôncio Pilatos. Nesta mistureba e convenções de quando em quando havia rebeliôes do povo eleito, sufocado pela espada impiedosa das legiões ali paradas.

4. Os Judeus divididos em três gupos distintos: Fariseus, dirìriamos de tendências mais polìticas, Saduceus, mais ligados ao povo e os essênios, voltados para o misticismo. Tantos uns como os outros aguradavam a chegada do salvador terreno que os iriam livrar das botas pesadas da Roma altiva.Era chegada a hora escolhida pelo altíssimo para se manifestar aos homens... 

5. Os diretores da cena, há muito que manipulavam o enredo, do alto de seu mando religioso em Jerusalém, há muito que seus informantes iam e vinham com notícias dos prodigíos de um tal Jesus de Nazaré, que se intitulava o Salvador. Relatos e mais relatos chegavam frequentemente aos ouvidos dos sumos sacerdotes Anás e Caifás. Ora o galileu expulsara os vendilhões do templo de Salomão, ora curava leprosos, cegos e coxos, ora perdoara os pecados da meretriz, conversara com a samaritana... E se intitulara rei...

6. E numa dessas o caldo entornou quando o mestre tansformara água em vinho, a pedido de sua mãe em Caná  da Galiléia, não era possível, o homem era um prodígio e que vinho saboroso e encorpadofoi aquele. Se virasse rei de fato mesmo, tal a ascendência que tinha sobre o povo, tal sua presença iluminada, tal a persuação de suas palavras, tal a vida simples e pura, que eles os graduados iriam perder os privilégios e a boquinha dos impostos.

7. E deliberaram na calada da noite com uma 'canetada só' lavraranm a sentença: é preciso que um morra para preservar o povolugar de 'sediciosos é na cruz'. Aliciaram com mão aveludada um seguidor do nazareno,   e a troco de vinte míseras moedas de prata, fecharam um negócio - que sem saber - daria o que falar por séculos a perder de vista.

8. Aproveitaram o período da Páscoa, quando gente de toda a parte locupletava a cidade santa e desfecharam a intriga final . O plano deu certo e repetidos os julgamentos, mancomunados com as autoridades romanas condenaram o mestre nazareno à morte ignominiosa do madeiro. Tratamento reservado aos facínoras e traidores da pátria.

9. Jerusalém,  a cidade palco de tantas batalhas gloriosas, que abrigava o Templo de Salomão, orgulho da raça hebréia, visitado pela rainha de Sabá, Jerusalém de David, dos profetas, dos reis, de Judith e Ester, de Jeremias, de Isaías, dos irmãos Macabeus estava prestes a assistir algo pavoroso, não uma mera stença corriqueira, mas  a mais injusta que se teve notícia: a crucificação de um Deus.

10. Neste contexto trágico, como foi trágica a morte do justo aparece a figura de Simão Cireneu que dá um enfoque a esta postagem para ilustrar o companherismo e calor humano a toda á prova. E obrigaram o homem, até então desconhecido a carregar a cruz do setenciado, pois não queriam perder o espetáculo final do sacrifício.

11. Tudo pensado, tudo pesado, guardas a postos para conter um possível resgate por parte dos apóstolos ou seguidores. Era o alvorecer da grande era e o céu de Jerusalém se toldou de um tom avermelhado e fúnebre, estava a caminho o deicídio, perpretado por aqueles que deveriam revelar o Messias anunciado pelos profetas ao mundo e ligar a terra ao céu.

12. Simão vinha tranquilo seguindo seu caminho de volta para casa, pensando em suas obrigações árduas, na família e sua provisão, nas incursões dos bárbaros romanos, nos pesados impostos que caiam sobre o povo judeu ou talvez estivesse de passagem pela cidade, judeu da comunidade de Cirene situada no norte da áfrica, um legítimo representante da raça negra.

13. Espantou-se ao ínicio, porque logo eu?, porque esta tarefa que poderia ser feita por algum gladiador ou condenado às gales, mesmo por um soldado de menor importância.? Como foi convidado à fôrça, viu que o caldo poderia engrossar para ele. E uma negativa seria o seu fim.

14. Aos poucos passou a observar o companheiro da caminhada insólita, e como tinha um coração reto vislumbrou a presença de um Deus escondido sob as aparências humanas e tanto foi seu entusiamo naquela hora tardia da sexta feira santa que se comoveu às lágrimas e sem esboçar uma palavra, tomou uma parte da cruz e pôs-se lentamente a subir o gólgota ao lado de  Jesus. 

15. Uma rara oportunidade, Simão não era assíduo às escrituras, não detinha cargos de chefia, era um homem simples do povo, intuitivo, acostumado a observar o movimento  de elmos e cavalariça, descontente com a situação política e religiosa que o cercava e derepente na obrigatoriedade do fato vislumbrou outra realidade e as dores do justo pouco há pouco o envolverá por completo.

16. Observou seu porte régio vestido com uma túnica vermelha, sua tez luminosa sombreada por uma coroa de espinhos pontiagudos, um manto escarlate inconsútil caia sobre seus ombros. E a turba vociferava sua morte, os soldados conservavam seus passos cadenciados alheios ao sofrimento daquele homem que era uma chaga viva.

17. Perto da hora quinta, na rudez de sua razão, Simão a princípio não entendera bem, não aquiescera o mestre ao começo. Estava ali agora requisitado seguia em frente passo a passo auxiliando Jesus na subida do gólgota ou morro do crânio. Pensava onde fui parar!

18. É natural este espanto do homem cirineu, morava em outro país, embora judeu,fora confundido pelos romanos com algum escravo negro, daí a escolha que mudou sua vida, um caminho totalmente não desejado o transporta para o centro da história universal.

19. Começa a admirar a postura e o semblante daquele condenado, impressiona aquele olhar de bondade em contraste com a chusma que berrava e blasfemava á sua passagem. Observa a coragem de algumas mulheres que enfrentam os soldados com palavras se se aproximam. Aí ele entendeu que tratavase do mestre, do homem que fudstigava os vendilhões do templo, do homem que curara os dez leprosos, que ressuscitará Lázaro, era o tal Jesus de Nazaré e sua fama chegara em terras de Àfrica.

20. Viu aproximar uma mulher judia de olhar doloroso,  acompanhada de um jovem e percebeu que era  a mãe do supliciado. Contemplou o demorado olhar de ambos e entendeu o que é o amor verdadeiro entre mãe e filho. Depois apareceu outra mulher e conheceu ser Verônica, que trazia um lenço para enxugar as faces de Jesus. Em seu íntimo rezou: 'o vós todos que passai pelo caminho, parai e vede se existe dor semelhante a esta do Justo.' Já era outro Simão, olhou o homem de todas as dores, auxiliou a sua caminhada e converteu em ardoroso seguidor, um adorador em espírito e verdade.

21. Se perguntou onde estariam os outros seus amigos que o seguiam para cima e para baixo, durante os anos anteriores, onde estaria Pedro, o grande pescador, Thiago, André? E aquele taciturno que cuidava da bolsa, o tal Iscariotes? E a caminhada prosseguia, ora Jesus caía e era fustigado pelos soldados, ora respirava quase sufocado pelo calor, mas prosseguia lentamente, uma ferida só, um opóbrio do povo, o novo Jó da era romana folgada e regalada.

22. Enquanto o chicote corria solto nos ombros do justo, Simão esforçava-se  para minorar o máximo que pudesse as dores de um Deus. Ao tomar contato com a sua cruz  tornou-se livremente co-participante da redenção que estava prestes a acontecer bem á frente de seus olhos.

23. Simão, começou tímido seu mister de ajudante na cruz, depois se viu tomado por um assomo de ódio contra a autoridade que condenou o justo à morte, veio o perdão e finalmente o entusiasmo e a compreensão da obra salvífica de Cristo. Arrebanhou para si, sua família, sua comunidade cirenaica, seus filhos Alexandre e Rufo as novas bençãos  de Jacob e o direito á progenitura eterna.

24. Voltando lentamente ao grande ato final no palco montado pela perfídia, Simão Cirineu viu concretizar as imbiras da intriga. Já não olhava com olhos terrenos a ovação da plebe, no seu coração não tinha mais lugar para o ódio, aflorava em sua pele uma sensação de agradável paz interior, e quis também ser pregado na cruz com o justo.

25. Me faltam as palavras exatas e percebo que um pouco da tinta de João Evangelista seria de muito valia para encerra-las corretamente, se perpingassem um pingo só seria o sufiente para encher estes blog e outroa mais de muitos e muitos livros da ascética mística e cristã.Por enquanto vou tateando na esperança da profusão de versos em homenagem ao madeiro que propiciou ao redentor resgatar seus irmãos para a luz de sua verdade interior.

26. Enfim Simão assistiu com espanto e temor a revolta da natureza pela volta da hora sexta, o céu de Jerusalém carregado de um vermelho cinza escureceu a visão da cidade santa. sentiu o tremor de terra, a gritaria geral enquanto o justo era levantado entre dois malfeitores, Simão entendeu que tudo até aquele instante, os séculos anteriores, as confusões babilônicas, o cativeiro no Egito, Moisés, os profetas e justos, tudo, absolutamente tudo fora um prólogo e ele, humilde e manso estava ali no meio do picadeiro desempenhando um papel de coadjuvante de Jesus Crucificado.

27. Ouviu o dialógo entre Dimas e Gestas e o olhar do justo pousando demoradamente sobre eles, e o centurião curado da cegueira repetir: 'Este verdadeiramente era o filho de Deus'.E o consumatum est estava em curso e Simão olhou pela ótica de Deus e percebeu que a partir do 'elli, elli, lamma sabactani' uma nova era estava em curso, onde reinaria a liberdade, justiça, bondade,  misericordia e igualdade.

28. O resto da história já conhecemos e não precisaria me alongar mais, ou preciso? Os césares altivos se foram, o esplendor de Roma se apagou com chegada dos bárbaros, Anás e Caifás desapareceram em suas sepulturas, Herodes se tornou o arquétipo da maldade, Pilatos, a dubiedade em pessoa, ficou citado no Credo... Que mais! Simão Cirineu tornou-se o patrono do companheirismo, solidariedade e calor humanos verdadeiros.

28. Todos os intrigantes foram para no ralo da história. Os fatos históricos o comprovam, o Cristo ressuscitou, subiu aos céus, deixou na terra a sua Igreja e as promessas de sustentação até o alvorecer do último dia. O madeiro do opróbio tornou-se o sinal da vitória do bem contra o mal. Roma absoluta, e a rede de intrigas armada em Jerusalém não suportaram o peso de um Deus. Não é demais!

29. O gesto mais belo de toda a história humana coube a um desconhecido, de origem negra, um judeu consciente, de carácter reto, oriundo de  Cirene, na Africa. Ele soube aquiescer à luz, percorreu o caminho da cruz e alcançou a vida eterna, no seio do pai Abrãao.

30. Analisando mais uma vez o movimento atual, percebemos que trevas pairam no ar. Para aqueles que conservam a fé de Simão Cirineu, a pergunta é a mesmo? O que virá? Quais as direções de Deus agora para o mundo? A ampulheta do tempo escoa célere, a velocidade dos bytes soberanos multiplicam as informações.

31. Aparentemente, temos em curso o endeusamento da matéria e a sistemática negação de Deus, os véus dos templos hodiernos se rasgam, a natureza estremece, e o novo consumatum est está por um fio. Se na aparência Deus abandonou o mundo à sua sorte descabida, na essência o tempo prepara a atração e revitalização, e em seguida virá a aplicação das cotas redentoras em forma da observância da vontade de Deus aqui, como se faz lá no céu.

32. Se minha linguagem é desconexa e não pertence a esta área da alta definição, perdoe-me a intromissão, mas vale um aviso, afinal somos amigos.E sei que a hora de Simão, o companheiro está próxima e vai ajustar à razão, a prece. 'Eli, Eli, lama sabactani', Será a hora de Elias, do abandono, da luz soprepujando as trevas? Ou de tudo junto para saudar a nova aurora do Espírito Santo de Deus.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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