quarta-feira, 8 de junho de 2016

cartas empiricas

           cartas empíricas  

1.      Hoje voltei a escrever, descrever algo sentido, querendo encontrar um motivo melhor da existência minha e do meu semelhante, que a realidade que nos cerca no planeta fosse outra, mais suave, leve e solta, de calor palmilhada, que não houvessem crianças nuas, animais abandonados, dormindo no chão das ruas, de barrigas vazias, mais  pão, e esperança de fogão quente, lares aconchegantes, mas não!
2.      Ando adiante e vejo o contraste, a safadeza que norteia a politica brasileira, seres humanos provectos no saber, de larga carreira no mundo publico, açambarcando na cara dura as verbas da população. Na inação deixaram o Brasil, e ainda pousam de bons e boas, valha nos Deus da retidão, da justiça, então!
3.      Ah tão bom seria que a violência não existisse, que existisse sim oportunidades iguais para todos, que o esforço e o talento fosse valorizado, que na mesa geral reiterasse mais compreensão, amor e participação, que nas ruas meu povo sorrisse um riso solto de brasilidade em ascensão.
4.      E que em lugar desses discursos inócuos da tribuna central, o varal da diversidade cultural amanhecesse locupleto de feitos sãos, e que desaparecesse do cenário nacional a corrupção, o favor ilícito e tudo o mais que mancha a bandeira, a honra e a constituição.
5.      E que o mundo bom fosse viável a mais de 207 milhões de brasileiros, aquele mundo que o Mestre da paz objetivou no primeiro natal da humanidade na gruta de Bethleem a todos os povos de coração fraterno, indistintamente.
6.      No entanto o contraste se acentua nas ruas quando assistimos do barranco a derrota do ser a favor do ter. Haja espaço, glamour, passarelas, ostentação, maldição desta tal corrupção, se a goela está seca de aspirações mais elevadas e da sacada dos tempos Deus aguarda a hora do acorde final do Brasil.
7.      Pois a condução equivocada de nossa história foi passando de mão em mão, em acordos escusos, negociatas nas mansardas do poder, desacordos consuetudinários, negação da liberdade individual e coletiva, manipulação da mídia, conchavos de escandalizar Pedro II e Sir Ruy Barbosa, até chegar-se aos dias de hoje, com a possibilidade de prisão de quatro ex presidentes, valha nos Deus, que quase desgraçados estamos, e beiramos à fimbria perigosa da comoção social.
8.      Momento carregado de preocupações, nulas proezas na politica, carestia brava, ausência de postura ética dos vendilhões do templo sagrado da Republica Federativa, Judas Iskariotis pululando que nem noticia ruim, beiramos ao início do fim. Uns na solidão empírica da multidão, outros no consumo ou na grandeza fátua de um automóvel, de uma passeio ao shopping e nada mais!
9.      Nestes 127 anos de Republica, uma espécie de maldição acompanha a nação canarinha, pois não houve um dia sequer que o país anoitecesse e não amanhecesse com sua politica instável, com suas assembleias e tribunas  digladiando em causa própria, quiçá partidária, interesses alheios á maioria, tanto que hoje temos um processo de impedimento da presidente, políticos afastados, presos, e uma montoeira de processos a cargo do capacitado e corajoso, juiz Moro, que não vai permitir que a totalidade dos brasileiros cordatos levem desaforo para casa.
10.  E sem direção ideológica séria, a politica domestica se rotulou de vantagens escusas, as quais estão ficando patentes na operação Lava à Jato, e se peneirar bem vai aparecer peixes e mais peixes graúdos, quando o conteúdo se revelar de condenação peremptória.
11.  Hoje se me perguntar vou sem pestanejar dizer que o gigante não sabe mais para onde vai, nem de onde veio, nem mesmo porque nasceu neste solo rico em expectativas do porvir, de verde em matas exuberantes, de montanhas, cascatas, rios, regatos  e cachoeiras, panoramas de tirar o fôlego, de povo lhano e pacato, com sua alma de fé , coragem e arrojo, pois zé, bem que merecia gente na politica que sintonizasse com seu bem comum maior.
12.  Quando os três brasis se fundirem num só, a politica, a realidade e o coração do povo vão sorrir juntos  um riso solto de brasilidade ! ! !

        Chaia Alvim Helder




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