sexta-feira, 10 de junho de 2016

a cisma do gigante...

                A cisma do gigante
1.       A politica anda meio adoidada no Brasil, tem muita falta de senso comum no  ar, uma turma que só quer levar vantagens em cima do povo, querem dinheiro, poder e fama às custas do erário  público, gente inescrupulosa, faltosa de espirito cívico, e como os brasileiros em geral pararam de ser coniventes e estão  mais plugados no bem comum maior, estão indignados e levaram as ruas soberanas seu desacordo cabal com a classe politica. O  ministério publico arrestando provas e mais provas, que realmente a pacatez da população demonstrou união e força, exorcizou fantasmas de carne, osso e ambição, tudo parece que o Gigante criou animo novo na voz autorizada  de seu povo, e esboça um leve sorriso de satisfação: 207 milhões de habitantes contra uma dúzia e meia de parlamentares, agora vai!
2.       Então vamos que vamos tangendo a bigorna, almejando o mundo bom para todos, e que a tola, arcaica, corrupta politica vá embora acompanhada de sua turma, e deixem o gigante sonhar de novo um sonho latente de liberdade e democracia, com tudo no lugar certo, as verbas aplicadas conscientemente, seu povo feliz, seu país autenticado pela brasilidade...
3.       E o gigante parou  uma esquina qualquer, viu gente sofrida, desapercebida talvez, mas cheia de força e resolução, de simpatia, bonomia e semblante calmo, ele descalçou suas botas e caminhou ao lado dela, se apoiou em seu ombro e ouviu uma cantiga esquecida de acalanto...
4.       Tão bom seria, pensou, que fossemos todos assim, andar despreocupado, fala direta, timbre sincero, e fisionomia de anjo arcano. Assim queria meus pais, e não este chafariz torto de políticos torpes a atazanar e roubar a mancheia  a riqueza de 207 de milhões de filhas e filhos amados.
5.       Mas por ora ele vê uma realidade existencial tensa, triste e tênue, mas ele alima sua esperança em dias melhores para sua prole, pois no dizer de Ovídio, viu ‘outros ventos, outras tempestades’, esta fase brava vai passar, o Brasil é maior que estes e estas deserdados da politica, saberá diluir esta crise nas suas reservas de generosidade, chão pátrio e ações profícuas para o futuro.
6.       Aqui neste solo, pensa consigo, tem quinhentos anos de história, e já pisou nestas paragens muito povo bom, muita gente má, muito estadista de nomeada, muito santo, muito pecador, todos eles passaram indistintamente e o Brasil continuou impávido e hospitaleiro.
7.       Assim foi, assim  o é, assim será, este chão fora marcado por tantas façanhas, umas artimanhas, viu duas décadas de governo do PT em Brasília, e sua equivocada maneira de gerir a Republica, viu FHC, inteligente e loquaz alavancar o plano real, equivocar-se depois e não aprovar o ajuste fiscal, viu Collor pomposo, e sua pirambeira do impedimento, Sarney culto e literato, Ulysses, Tancredo de uma vez, Itamar já dá para imaginar a celeuma da politica nestas mãos consagradas do poder.
8.       Assistiu a abertura, e o período controverso da ditadura, e Juscelino, o Kubitschek o idealizador do planalto central, e assim por  diante o gigante cismou a noite inteira com sua gente das ruas brasileiras, cantou, chorou, declamou versos e mais versos ao amanhecer, deixou-se inebriar pelas rimas de seus poetas das paulistanas alvoroçadas, e depois um tanto cansado sentou-se na guia da calçada...
9.       Assomou ao seu semblante muitas lembranças,  desavenças, demandas, gestos belos de tanta gente, viu a torpeza da politica, seus acordos espúrios, suas intenções subliminares, mas no contraponto viu o céu estrelado, os mares, as serras, o sertão e as cidades apinhados de caras alegres, e sorriso franco; da republica nova passou para a velha na marcha a ré de seu pensamento, Getulio Vargas,  Café Filho, Whasington Luiz, Julio Prestes, João Pessoa, Arthur Bernardes, e assim foi pulando de era para era nas antípodas do calendário... Floriano Peixoto, Marechal Deodoro da Fonseca, e em 1889 aportou, numa tarde outonal em que o Grande monarca Pedro II fora deposto e em seu lugar implantaram a malfadada republica federativa.
10.   E assim deu asas ao seu pensar, veio em sua memoria secular as margens do riacho Ipiranga e o grito de liberdade de Pedro I, antes a regência de  D. João no Brasil, os entraves do semi deus Napoleão Bonaparte, as capitanias, hereditárias, os bandeirantes, os deportados da coroa portuguesa,e também privou com  Caramuru, Borba Gato, Anhanguera, a corrida do ouro, a gesta de Frei Santo Galvão, Nóbrega e Anchieta das promessas divinas, dos desígnios santos para a nação Brasil.
11.    Sua caminhada de fé e arrojo se encerrou onde tudo começou na Baia de todos os Santos, onde em 22 de  abril de 1500, Cabral aportou suas naus, Santa Maria, Nina e Pinta, e em terra ergueu nestas paragens a primeira cruz, a primeira missa, onde num ósculo momentâneo de paz e bem querença, portugueses  e nativos celebraram juntos o alvorecer de uma nação, ‘ gigante pela própria natureza’ que passados 500 anos continua ainda engatinhando e apesar dos pesares almejando o bem comum maior.
Chaia Alvim Helder


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