segunda-feira, 16 de novembro de 2015

les serpents et les colombes

A pomba e a serpente

a,“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3:1)” A serpente fez exatamente as perguntas necessárias para afastar a visão da mulher do mandamento de Deus, e para fazer com que esta se voltasse para o seu próprio desejo. A serpente foi astuta quanto a identificar o mal.”

b.    Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra; mas a pomba não achou onde pousar a planta do pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas ainda estavam sobre a face de toda a terra; e Noé, estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca. Esperou ainda outros sete dias, e tornou a soltar a pomba fora da arca. À tardinha a pomba voltou para ele, e eis no seu bico uma folha verde de oliveira; assim soube Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra. Então esperou ainda outros sete dias, e soltou a pomba; e esta não tornou mais a ele.” (Gênesis 8:8-12) 

1.     Duas metáforas que transcrevo hoje à guiza de introdução a esta página enlutada pelos atentados terroristas em Paris em 13/11 p.p, 128 mortos, centenas de feridos, uma cidade sitiada pelo terror de um grupo do E.I, articulados, suicidas, perpetraram uma ação condenável em múltiplos aspectos.

2.     Tudo o que foi dito, divulgado, televisionado torna-se um nada mediante as vidas covardemente ceifadas estupidamente, quando uma cortina de dor profunda, tristeza inaudita, cobriu os céus parisienses, muitos não acreditavam no que assistiam, e passado aquele momento cruel derramaram lágrimas de sangue ao chorar seus entes queridos afeitos á alegria contagiante, aos cafés charmosos, às danceterias e ao petit gateuax de sua vida cotidiana.

3.     O mundo chorou junto com cada família enlutada, os chefes de governo externaram sua solidariedade e repudio veemente as tais atrocidades, o Papa Francisco rezou nas intenções das almas que prematuramente deixaram o convívio dos seus pelas mãos dos verdugos de uma equivocada ‘guerra santa’.Como pode muitas vezes jovens bem sucedidos serem abduzidos pelo extremo do fanatismo e se tornarem suicidas?

4.     Um atentado com o perfil de extremistas que não dá tempo ao ‘ adversário de se defender, que vitima civis, inocentes, muitos talvez pleiteantes da liberdade de expressão, da igualdade dos povos e da fraternidade universal e caíram nas garras da intolerância e crueldade sem mais nem menos.

5.      No momento crucial da historia reflexionar sobre este dia triste não seria um tanto desproposital, infelizmente as vidas arrancadas  de uma forma abrupta e cruel não voltarão mais aos braços da doce Paris, seus sonhos não serão mais sonhados às margens do Louvre, nem tão pouco suas flanações culturais terão mais lugar à sombra da Torre Eifell , nem se verão suas fisionomias alegres no Café Carillon, no Le Petit Camboja, na Rua Charome, na La Cosa Nostra.

6.      O Stade de France guardará em sua memória esportiva aquele dia fatídico que por pouco não aumentara em seu gramado a tragédia ( na véspera alertada pelo Iraque, conforme noticiou a imprensa. E o Bataclan não esquecerá jamais o ‘Alá Akbar’ e sua sentença certeira da noticia derradeira para uma centena de seus frequentadores Blacks Sabats...

7.     Parece que a Europa esqueceu do fator vigilância próprio das serpentes,  seria em sentido exato da prudência que  identifica o mal para fazer o bem, pois no momento atual somente a simplicidade da pomba não basta, pois há muito o mundo perdeu a terra firme...

8.     Ademais pesa sobre sua alma as migrações, a fuga dos árabes por melhores e seguras condições de recomeço de vida, e só um discernimento poderá aliar à solidariedade um equilíbrio tonal e seguro em seus países de primeiro mundo. O E.I aglutina jovens em seu território, treina-os em suas bases no Iraque e depois devolve-os aos seus países de origem, e o resto a gente já sabe de cor e salteado.

9.      Já se foi o tempo em que Salah al Yusuf comandava unidos os Xiitas e Sunitas na Alta Mesopotâmia, que se valia de sua diplomacia e palavra empenhada e conquistou dos Cristãos à força de cimitarras, Jerusalém e os lugares santos. Outros tempos, outros valores que se perderam no lusco fusco de uma era afônica, que perdeu o sentido de sua existência e cambaleia e não quer saber onde vai chegar.

10.  Lacunas e mais lacunas no Ocidente, estatisticamente cristão, ausência de descortínio anímico, sem planos de ação efetivos, uma politica de humor duvidoso, uma cultura alienante, e por mais que o G20 se reúna e trace estratégias para atacar em conjunto alvos do E.I, divididos em seus interesses e alianças acabam ficando aquém  da realidade, e sua reação chega sempre depois da articulada maquina suicida.

11.  O maior conflito religioso da história deu-se há mais de 920 anos atrás, um desdobramento em dez etapas, que culminou com a queda de Jerusalém, e Saladino sultão árabe á frente de seu exercito derrotou os cruzados e de lá para cá ambos os lados se ressentem das derrotas e se alegram com os feitos de seus correligionários de crença.

12.  Não há como negar, outros tempos da espada e cimitarra, das caminhadas inóspitas, da cruz o do crescente, que idealizaram mundos diferentes mas em tudo e por tudo sabiam respeitar as leis da guerra e tinham outra postura politica e social na arte de guerrear. 

13.  Hoje está tudo do avesso, os que afirmam a fé católica o fazem pela terça metade, os que professam o alcorão( no caso o  E. I), o fazem com intolerância, ódio ferrenho, e querem destruir o outro em potencial seu oponente. Para isso ele ao atrair os jovens pelo mundo afora desperta nele um heroísmo religioso sem parâmetros do certo ou errado e chegam ao extremo de solicitar ao seu adepto a entrega de sua própria vida pela sua  ‘causa Jirad”

14.  A humanitária Europa se vê acuada em seu terreiro, justamente na sua casa, orgulho legitimo de tantos feitos que a engrandeceram,  e fizeram dela sem duvida a guardiã da Fé herdada de Helena, Clóvis, que a sublimaram na voz de Roland e Carlos  Magno, que a engrandeceram com seus castelos e catedrais em uma época bela de Antonieta e Luis XVI.

15.  E hoje chora ao contemplar seu palco devastado, suas centenas de filhos imolados no altar da nova guilhotina de arrepiar a bastilha, quiçá o general Bonaparte. E encontra forças, e quer reagir à altura na prudência da serpente sem perder a candura da pomba, sem arrefecer, pois o sangue parisiense não fora derramado em vão.

16.  E ela a primogênita do Mestre hoje certamente encontrará alento, força e esperança nas proféticas palavras do Grande Pescador: ‘... Senhor salvai a França, porque ela perece!” Não fora o próprio Cristo que dissera ‘... Adveniat regnum tuum, fiat voluntas tua sicut in caellis et in terra’! ‘ Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça porque serão saciados.'

17.  Sim , se faz tarde, muito tarde no horizonte, nuvens de intolerância despejam ódio e morte sobre a face da terra, e não há lugar de paz, harmonia, nem continente algum seguro. A quem iremos, mesmo o potentado mais poderoso é falível, finito e mortal, só vós Senhor tens palavras de vida plena, perene e sustentável para a alma, o corpo e todas as nações.

18.  Se hoje a dor está estampada na face de cada cidadão bom do mundo, amanha com o advento da Era do Pater os povos todos sorrirão um riso solto e se abraçarão e reconhecerão que és o ‘Caminho, a Verdade e a Vida.’ O caminho a seguir, a verdade a crer e as certezas de renovação plena da raça humana.

19.  E as mãos da França, ansiosas do bem comum , se erguerão em prece: Je vous salue Jesu! E transmudarão seu choro em alegria, a dor esculpida em seu coração em atos afirmativos do calor humano, e de seus braços do infortúnio sairão um universal abraço de paz.

      > ' Soyes donc prudents comme les serpents et simples comme les colombes."

Helder Tadeu Chaia Alvim










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