segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ensaios da alma V

Ensaios da alma V
1.       Bom mesmo é Deus que se dignou criar o céu e terra e tudo o que nela contém, e viu que era de acordo com sua onisciência, as estações, as fazes da lua, o brilho do sol, a fauna, a flora, os rios, regatos, a imensidão do mar, a extensão do planeta, e no seu centro gravitacional, o ser chamado  homem ,  dotado de inteligência, vontade e sensibilidade. O homem criado à sua imagem e semelhança.
2.       Antes nas primícias do tempo, no céu empíreo criou uma legião de anjos, cada miríade com sua funções especificas, querubins, serafins, tronos e potestades, sem olvidar os servidores de luz, os arcanjos. Tudo em uma ordenação perfeita, tudo em uma beleza de cegar os olhos, de enternecer o coração, de admirar a corte celeste.
3.       Sempre de acordo com sua prospecção inenarrável  dispôs as funções, delimitou a jurisdição sem tolher a liberdade, nominada de livre e solto arbítrio. Até que um deles que carregava a luz, se olhou no espelho da eternidade e sentiu-se um outro deus, esqueceu de  sua condição de criatura e começou a fomentar a discórdia entre a arcanologia.
4.       E não é que encontrou a ressonância de seu orgulho entre a terça parte dos coros celestiais. No entanto na fileiras do bem surgiu Miguel, um simples anjo arcanjo, que desembainhou a espada e juntamente com a parte sadia empreendeu a primeira batalha em prol do bem, e seu brado ressoou nas esferas anímicas alto e vibrante: ‘quis ut Deus?’
5.       Vencida a batalha, Deus determinou e expulsão de Lúcifer e seus seguidores, e o veredicto fora terrível e sem volta, foram despejados no inferno, destinados aos suplícios sem fim em um mar de fogo e enxofre, longe muito longe da Verdade, do bem e do belo.
6.       E para suprir de uma maneira maravilhosa os seus lugares encetou sua jornada criativa, foi quando surgiu nosso mundo, nossos primeiros pais, o paraiso terrestre e tudo o mais como descreve o livro do Gênesis em prosa e verso cantados.
7.       Mas em linhas gerais seu raciocínio continua o mesmo, sua ação plasma a terra informe e vazia no lugar de alegria, paz e harmonia perfeitas. E sempre justo pôs Adão e Eva à prova espetacular do merecimento, e permitiu ao anjo decaído dar uma volta por lá e tentar na sedução os dois primeiros habitantes da terra intitulada dos homens.
8.       Conversa vai, olhares vem e ele toma a forma de serpente e numa tarde de brisa fresca se aproxima primeiro da mulher e tece sua enganação perguntando como ia a vida, etc e tal...  A mulher loquaz disse que ia obrigado, e que melhor ia estragar aquele convívio lírico em que tudo respirava pura poesia e encantamento.
9.       Lucifer se dizia entendido, já se dispunha a ir embora quando uma ideia malévola veio à sua mente mentirosa, é que porque eles se deleitavam com todas as maravilhas do paladar e não podiam comer especificamente de uma intitulada: a árvore do bem e do mal? Pronto estava lançado o enigma e Eva curiosa pensou: - por que não? Foi colheu a maça e provou, chamou Adão que estava absorto em seus pensamento, e disse: - prova aí esposo...
10.   O final já sabemos, e sentimos até hoje na pele e na alma o prejuízo, pois a partir daquele instante eles conheceram o mal em seus detalhes, se viram desnudos, expulsos de seu habitat de delicias e conheceriam a morte, as guerras, as crise existenciais e uma gama de fatores de punição devido a sua interrupção abrupta com a aliança firmada com o Criador.
11.   O anjo decaido voltou a sua morada quente, soltando risos de escárnio, e prometeu voltar outras vezes ao longo da história para interferir nos acontecimentos... Porém Deus em sua infinita bondade lá mesmo no paraiso fez a promessa da redenção, anunciou a vinda do Salvador que iria se imolar e salvar a humanidade com seu sangue.
12.   Seria uma espécie de plano B, porém mais magnifico e surpreendente que o primeiro, e assim aconteceu quando os arcanos determinaram surgiu uma estrela anunciando ao mundo gentio que a hora do Filho estava prestes a surgir, que em Belém da Judeía nasceria o Salvador da humanidade, aquela decaída no pecado original, e que estava próximo seu resgate conforme anunciara os profetas.
13.   E de acordo com as promessas de  Deus  aos nossos primeiros pais no paraiso, que poria inimizades entre e serpente e raça humana, que um dia surgiria um Mulher para reparar a queda de outra mulher, seria santa, sempre virgem e cheia de graça e que daria a luz um menino, o príncipe das nações e que com hálito quente de sua boca iria destruir o mal e eleger o bem.
14.   E assim aconteceu de fato e de direito o redentor veio numa noite fria de natal, um menino nasceu de uma virgem na gruta do rei David, ouviu-se o canto suave dos anjos, acorreram alegres pastores, o tropel da caravana dos pomposos reis do Oriente se aproximou com os presentes saudando o redentor da humanidade.
15.   Veio simples, nasceu pobre, fugiu para o Egito na perseguição sangrenta do rei Herodes, depois viveu tranquilo em Nazaré na função de humilde carpinteiro, aprendeu com José o justo o mister na madeira, entalhou, sorriu, brincou, obedeceu, amou com amor ilimitado a mais pura de todas as mães, Maria.
16.   Estreou na vida publica realizando um grande milagre a pedido de sua mãe nas bodas de Cana, um feito estrondoso que foi transformar a agua das talhas em vinho, e o melhor que já se teve noticia na safra enóloga.
17.   Ele, o mestre arrebanhou modestos pescadores. Gente simples do povo galileu, discípulos iletrados e sem nenhuma influencia social, fez deles seguidores fervorosos do caminho, homens dispostos a peitar o império dos cézares, em desacordar com os dirigentes religiosos de Jerusalem e depois ir ao mundo todo anunciar o evangelho de luz, homens e mulheres cheios da unção do Espirito paráclito.
18.   O mestre iria em seus três profícuos anos de apostolado imprimir neles a s máximas de vida eterna, iria sim percorrer a árdua jornada da incompreensão por parte de gente sua raça judia, mas intemerato realizaria milagres, encantaria as multidões, e com elas sonharia um sonho de paz e liberdade.
19.   Getsemani, tribunais de Caifás, corte de Herodes, sinédrio, átrios, Poncio Pilatos nada o apartaria de sua missão, nem mesmo a pesada cruz, a flagelação, a ignominiosa coroação de espinhos, a crucifixão e morte na cruz, nada o abalaria, e de quebra ainda concedeu o paraiso ao bom ladrão Dimas.
20.   Foi o mais belo gesto da história humana, gesto este que fundamentou a redenção, o mais belo gesto de amor e crença na humanidade, merecedor de graças copiosas, merecedor do resgate total do ser chamado homem.
21.   Jesus Cristo projetou na terra dos homens a luz do Padre Eterno, a unção do Espirito Santo, que vai perdurar até a consumação final dos tempos. Marca esta inquestionável, e bendita pois foi impressa pelo sangue de um Deus humanado.
22.   Então se desprende desta realidade anímica que o universo, a vida, os mistérios da natureza, as ações humanas tão ‘ grandiosas’, mesmo o tempo, o mar, são uma ínfima centelha em comparação ao olhar do Mestre que um dia do alto de uma cruz pousou seu sim sobre a história empírica e emitiu um solene Fiat, o mesmo que uma jovem judia proferira: ‘faça-se em mim segundo tuas palavras.’
23.   Ah! A partir daí no espelho da trajetória iria refletir a saltério de dez cordas, as profecias arcanas, os acontecimentos mundiais, as bem aventuranças, a sua Igreja a guiar as gerações em demanda do reino do outro mundo.
24.   Não há duvida que imprimiu o sentido universal do amor total, do calor aconchegante, da felicidade que passa pela vontade do Altíssimo Senhor do tempo e da história. Ele veio para sublimar a natureza humana, e compor com ela um hinário de melodias eternas.
25.   Veio a Luz ao mundo, afastou as trevas do pecado, acordou a realidade, e sonhou com ela sonhos maiores de liberdade espiritual. No gólgota a batalha foi ganha contra as hostes infernais, os méritos adquiridos, a era cíclica do bem maior estava inaugurada através do sangue do Cordeiro, e projetaria até a consumação dos séculos o Caminho, a Verdade e a Vida para todos sem distinção.
26.   Bom, uma palavra apenas, pois muitos me preguntam que diacho  de mundo bom que tanto apregoo, e a era do Pater, em que argumentos me baseio, ou seria uma figura de linguagem, outra dessas de mistério neste tempo propenso em acreditar em tudo...
É bem simples de entender e faço eco das palavras de Cristo que um dia às margens do mar da Galileia reuniu seus apóstolos e ensinou-os a rezar, e qual oração que compôs?
O Padre Nosso em latim: Pater Noster. E começo dizendo quando fores orar, rezai assim: ‘ Pai  Nosso que estais no céu, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu reino, seja feita atua vontade assim na terra como nos céus...’
27.   É nesta oração que baseamos a afirmação do mundo bom das certezas anímico empíricas, ou a era do Pater, pois Cristo deixa claramente entendido que a vontade de Deus é feita lá em cima pelos anjos, e que chegará uma era que também será feita aqui na terra dos homens.
28.   Quando tal era surgirá? Mais cedo do que se pensa mais tarde do que se espera, Certamente após as tristezas da era pós moderna, depois do instante escatológico, virá o tempo da Rosa Mistica De Eleição. Acho que sua intervenção no ritmo afônico dos dias atuais , ritmo este deflagrado pelo anjo decaido há uns cinco séculos atrás,. Esta interferência necessária será a repetição da cena da Bodas de Caná, quando ela perceberá que a humanidade  perdeu a esperança e a fé totalmente ( eles não tem mais vinho), e neste instante dirá aos anjos arcanos, posicionados no portal da terra: ‘ Fazei tudo o que meu Filho Amado disser.’
29.   E o melhor vinho do Amor, da Paz, da Harmonia universais  será servido à mesa comum sem exceção . Será  a Nova Era do bem comum maior, onde o equilíbrio tonal entre matéria e espírito dará a nota predominante na terra dos homens inaugurando o ciclo vivo de interação no mundo bom das certezas, realizadas totalmente. E por ventura o Grande Poeta dos versos perdidos não cantara em prosa, verso e gosto pensado: ‘ Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado!’
30.   ‘ A vasilha da farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra. ‘ Essas foram as palavras do Profeta Elias à viúva de Sarepta, palavras estas dirigidas a todos nós, hein! E Paulo apóstolo dos gentios, não poupa o verbo ao deixar anotado em sua carta aos irmãos hebreus: ‘ Mas foi agora na plenitude dos tempos que uma vez por todas Ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo.’ No entanto continua sua argumentação esplendida: ‘... Cristo aparecerá uma segunda vez para salvar aqueles que o esperam.!
Helder Tadeu Chaia Alvim


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