sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Ensaios da alma I

Ensaios da alma I

1.       Passiveis de erros possíveis somos, e o fato de sermos humanos, limitados, finitos condição que nos é peculiar na contingência da vida  já de cara nos faculta não acertar sempre em nossos juízos, pois o único ser necessário coloriu as estrelas, avolumou  o mar, enfeitou a natureza, deu força ao átomos, dotou as enzimas de propriedades terapêuticas e animificou o ser humano dotando-o de razão, vontade e sensibilidade.

2.       A cosmologia de Santo Tomas de Aquino deita luzes sobre o que foi relatado na humilde versão destas rimas mínimas: ‘... tudo no mundo a nossa volta é contingente. Isto é com respeito a qualquer coisa em particular, é realmente concebível que possa não ter existido...
3.       ‘... Pois, para uma explicação realmente satisfatória a respeito de porque qualquer coisa contingente ( tal como você, eu ou esta mesa) existe, você deve finalmente começar com algo que não é ele mesmo contingente, isto é algo do qual não podemos dizer que pode não ter existido, ou seja, podemos começar com um ser necessário.’

4.        Infere-se desta explicação do doutor angélico que o ato puro existe e se chama Deus, somos então um dia descartáveis, passamos, morremos... E Santo Agostinho diz em sua filosofia sublime a respeito da Verdade ’ sempre antiga e sempre nova’.

5.       Por isso não somos suficientemente sinceros para perdoar, rancorosos para amar, rápidos no julgar o semelhante, lento para entender suas razões, intolerantes quase sempre quando uma opinião de outrem foge ao nosso ‘brilhante’ parecer.

6.       Sôfregos em ter, descuidados de ser, e por consequência poluímos  o planeta, e manchamos com egos exacerbados ‘ o nós todos juntos,’  quimera de um consciente coletivo que não existe, apenas bonito no marketing conceitual, equivocado, inconsequente, e a consequência natural está aí à porta de nossa acanhada ou ampla cozinha fomentada de crises existenciais duradoura e profundas.

7.       - Nossa que texto existencialista! – Não sei só digo que existe sim o problema e sinto na pele o prejuízo! Ou será que não nos ensinaram ou não quisemos aprender nos bancos da escola a maneira correta de viver? Enquanto isso consuma-se uma era afônica ao nosso redor, uma era altamente tecnológica, da super sônica comunicação em tempo real, mas que apequena a alma e faltosa de calma corre atrás do moinho de vento do consumismo.

8.       Ter, prazer, poder bifurca-se subliminarmente em desilusão, pois a criatura não pode satisfazer totalmente a outra matéria igual a sua, e seu coração está inquieto, pois deveria descansar em seu fim ultimo e não se deter por muito tempo na estrada contemplando indefinidamente os lírios do campo, e as violetas amarelas, de brilho fugaz.

9.       Enquanto isso sem termos aprendido a amar sem limites em Deus o próximo, amontoados na nave terra nos vemos quase à deriva no imenso mar dos desenganos, e procuramos o prazer momentâneo, o reconhecimento, a honra fátua das criaturas à nossa volta sem nenhum sucesso obviamente, pois quem e contingente sempre será contingente e não dá o que não tem:  o  descanso  anímico  empírico  do  espirito.

10.   E as velas enfunadas de orgulho da civilização hodierna persiste na ilusão, na discriminação, na intolerância, no ter para ser, e beira ao naufrágio universal sem precedentes na historia, e quem escrever mais afrente sobre a sua performance triste certamente ira citar sua desação ao delapidar o que tinha de mais importante sua alma de eleição.

11.   Ademais poderá aventar um álibi relevante pois tamanhos ventos soprados foram insuflados pelo anjo decaído e sua presença preternatural induziu a deflagração de tamanhos disparates, guerras, intrigas, mal querenças, fome, nudez, indiferenças teve como mola da maldade o tinhoso e seus lugares tenentes na terra.

12.   Fruto do meio, foi arrastado pela ocasião, e não vamos entrar nos intimo da consciência de cada um , e sim levantar o juízo, pois que bem aquilata os rins e os corações é um Ser que poucos conhecem mas cuja gloria incessantemente o coro angélico canta e canta sem cessar. E este canto da essência pura do Criador um dia vai se fazer ouvir aqui na terra dos homens.

13.   Em revista hoje quando uma cortina de incertezas assola o mundo inteiro a gente se dá conta que não carece mais dos lentes na economia, dos Qis elevados, de políticos sagazes, muitas vezes capazes de traição, a gente não carece de religião precificada, o que a gente precisa mesmo e de santos e de santas para trazer á terra ressequida o sentido da existência de seus trilhões de filhos e o benfazejo  orvalho suave e bendito da renovação universal:  tudo em todos!

Helder Tadeu Chaia Alvim









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