quarta-feira, 11 de junho de 2014

os novos pardos,medos, e elamitas...

1. Aquela  tarde, não  foi  uma  tarde qualquer,  corria  o  ano 33 da primeira grande era,  os acontecimentos  anteriores  àqueles  50  dias  estavam  pululando em Jerosolimam  e  suas muralhas ancestrais pareciam conversar entre si   em tom de lamentação: - porque  fizeram isso? - Qual o motivo de tanto ódio contra  o Justo? - Porque  crucificaram o sangue de seu sangue?

2. Como descrever uma condenação à revelia? Como entender que um povo conhecedor a fundo  das  escrituras   não   atinasse   que   a   hora  prevista  pelos  profetas havia  chegado?
A hora da libertação dos grilhões, do pecado,  das trevas e da  morte eterna, a hora auspiciosa do bem comum, da paz, da harmonia, do acerto de contas e a projeção universal do evangelho ( '... ide, levai a boa nova a toda criatura...' )

3. Naquela tarde um vento começou a soprar forte, as  oliveiras e as palmeiras logo sentiram seu ímpeto forte dobrando suas copas até ao chão, enquanto o vento uivava estranho, muitos pareceram ver asas de anjos sobrevoando aquele céu avermelhado da judeia.

4. A noite desceu forte logo espalhando uma cortina de cobre sobre o templo de Salomão. Poucos se arriscavam nas ruelas seculares, as mesmas que vira o pastor David passar para derrotar o gigante Golias, que assistira o fausto de Salomão e a beleza da rainha de Sabat, que ouvira os profetas do quilate de Jeremias lamentar os desmandos de uma raça eleita.

5. Que negara acolhida a  José, à  Virgem, e a seu filho santo, que se sobressaltou com os magos do Oriente, que no domingo de ramos  aclamar um rei montado num jumentinho, que entristecera ao ver o injustiçado  derramar o sangue  atrozmente numa cruz.

6. A cidade dormia em meio a pesadelos, um medo disfarçado rodeava o sinédrio, o gólgota testemunha ocular tragicamente parecia esperar a vindita, o monte das oliveiras quieto, o palácio de Herodes, a cavalariça  e as sandálias romanas sediadas entre aquelas muralhas santas riam o riso do escárnio.

7. Não longe dali no cenáculo, a mesa da última ceia ainda estava por arrumar pois o pavor tomara conta dos galileus discípulos e trancafiados desta aquela fatídica sexta feira pareciam ver chegar a qualquer momento homens com archotes, paus e espadas...

8. Jerusalém uma grande metrópole, além dos judeus de origem lá moravam gente de todas as partes do mundo, atraída pela sua pujança, comercio e pela segurança dos elmos da roma altiva: '... partos medos, elamitas, habitantes da mesopotâmia, da judéia e da capadócia, do ponto e da assíria, e da panfília,  do egito e da parte da líbia, próximo de cirene, e romanos, judeus e prosélitos, cretenses e árabes.'

9. E por certo todos comentavam a condenação de Jesus Cristo, de Dimas e do outro malfeitor. Muitos não entendiam a intrincada política dos fariseus no trato com o dominador, parecia aos seus olhos  um tremendo antagonismo , disfarçado de santidade, autoridade, mas no fundo subserviente.

10. O Nazareno fez milagres, transformara  água em vinho, alguns deles haviam experimentado o melhor e mais apurado vinho que se teve notícia. Alguns deles haviam sido curados da lepra e reintegrados à vida social, alguns paralíticos estavam em boa forma, o jovem filho da viúva de Naim também.

11. A samaritana, ora discípula fervorosa, acompanhava as santas mulheres, entre  elas a mais santa, a virgem Maria., depois Maria de Magdala, João Evangelista, Pedro,Thiago, André,Judas de Thad, Lázaro e todos lá estavam no Cenáculo aguardando o sinal do Paráclito.

12. Tantas reflexões se assomaram àquelas mentes, remorsos, saudades, ódios, esperanças. Cada morador estava perfilado no gólgota, e parecia ver o Mestre subir o calvário, e tranquilamente estender seus braços, perdoar o bom ladrão, que na derradeira hora roubou para si o paraíso.

13. Cada um testemunha histórica  da redenção viu nascer uma nova era do lado aberto do Nazareno, presenciou o véu do templo se rasgar, os tremores de terra, mortos vivos pelas ruas da cidade deicida, e ficaram sabendo que aquele Homem, Deus Humanado ressuscitara, e por cima ascendera ao céu empíreo.

14. Displicentes e tolos seriam os habitantes de Jerusalém se não aquilatassem ponto por ponto aquele momento, toda aquela façanha de sangue, toda aquela oblação perfeita, e não se perguntassem se tudo ficaria igual doravante?

15. A resposta veio em forma de um vento impetuoso que se dirigiu ao cenáculo naquela noite de luz misteriosa e fogo abrasador. Ah! o Pentecostes veio conforme as promessas de Cristo. O Espírito consolador veio com força sem aniquilar, com poder sem impor, com átomos suficientes para incendiar o mundo visível e não fez desta vez, a não ser tocar a alma dos discípulos e confirma-los na fé e certeza do mundo bom.

16. Os frutos logo vieram à tona com a pregação daqueles seguidores, rudes galileus, sem instrução e status, sem voz, sem toga,  e vez. E o impetuoso Pedro, confirmado em graça e como o fundamento da Igreja nascente dirigira uma prédica convertendo mais de três mil e aquele punhado de homens e mulheres  surpreenderam os moradores de Jerosolimam com sua presença iluminada e à  partir do Pentecostes, a paz, as virtudes e a sabedoria do Cordeiro se difundiram sobre a face da terra.

17. Voltando ao nosso chão tecnológico e relativista, vemos que ele destoa somente nas aparências daquela 1ª era. Mesmas paixões, mesmos anseios políticos, mesma vanguarda de feitos vãos x poucos e poucas focados na alma e na preocupação com o irmão.

18. Mas, depois de finita esta atual hegemonia perniciosa do anjo decaído, virá no tropel de 
arcanos  alados a nova terra preconizada por Adão, Noé, Moisés, o Batista e José. Virá sim novamente este sopro benéfico para salvar os novos Pardos, Medos e Elamitas e com eles construir o reino do outro mundo...

19. Quando os povos se apartam da unção do Espírito Santo Paráclito, fecham seus ouvidos à voz da graça, amontoam sobre si e o planeta que habitam , catástrofes, guerras, destruições e malefícios de arrasar em massa a humanidade.

20. A História verídica desde o começo da Grande Era, há dois mil anos atrás, revela duas posições antagônicas que marcaram  feitos, maldições e bênçãos. Quando se aproximam do Pentecostes restauram o espírito e constroem civilizações do bem; quando se apartam promovem o veneno de Louda Isccariotis, as subvenções do mal até a medula dos ossos.

21. O Pentecostes que a liturgia acabou de comemorar é esta lufada de ar fresco a percorrer a espinha dorsal do universo, restaurando e impulsionando o bem sem limites, o perdão total a esperança radiosa de um mundo melhor, mais solidário, caloroso, verdadeiro e fiel. O Pentecostes à partir do cenáculo traz luzes suficientes para resolver todos os problemas existenciais do homem contemporâneo, ativista da tecnologia, intimista da alma empírea.

22. Quando a Santíssima Trindade, pai, filho, espirito santo por intermédio da rosa mística de eleição determinar a intervenção salvífica, o pentecostes vai reiniciar, configurar, e deletar parte de sua criação para das pedras brutas fazer surgir homens, mulheres, crianças livres e a terra totalmente sustentável e um lugar digno e justo de se habitar.

23. Existe uma antífona fabulosa no missal romano que expressa um pedido: 'Emitte Domine, spirituum tuum et creabuntor et renovabis faciem terra.'  Um gesto tão ao gosto do Mestre ao soprar o Espirito sobre seus discípulos naquela noite  misteriosa e arcana do Pentecostes, que ao soar a hora impetuosa da sua parusia trará aos corações trancafiados da modernidade a solução e a resposta adequada: '... a paz esteja convosco!'

"... E eles o reconhecerão ao partir do pão."


Helder Tadeu Chaia Alvim
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