sábado, 24 de maio de 2014

patria da bola...

1. Ficção ou realidade? Tudo junto, tudo misturado segue neste texto, pois quando me disponho  a escrever o impulso aparece quase sempre do nada. Às vezes na alvorada, também nas madrugadas, nos dias corridos da metrópole, no serão da tarde, nas mesas de bar, já dá para imaginar. Acho que rimar é uma forma interativa de amar o próximo, mesmo que para isso a gente se utilize de palavras ásperas e contundentes. O tempo passa e porque não percorre-lo na busca do mundo bom das certezas empíricas?
 
2. No meu caso não vou cansar de derramar lamentações no afã sagrado de querer melhoras para o semelhante que Cristo, Nosso Senhor libertou das peias e grilhões do erro, vicio e pecado. Precisou do sangue de um Deus para se colocar ordem na casa, e recomeçar uma nova era. Paira no ar os seus méritos infinitos e sua aplicação prática seria o que de melhor poderia acontecer em nosso tempo extremamente caotizado. Mas isto foi um capítulo, extensamente tratado na postagem anterior do Ideo Precor.
 
3. Aliás voltando ao começo, o tema flui naturalmente, não pretendendo os 'ohs alheios' e sim a continuidade da inspiração, se  a você Math  não faltar disposição, e a mim um quê de intuição sincera. Me disseram alhures que estes escritos seriam ' crônicas poéticas,' gostei da definição e agradeço e entrego à  minha irmã querida os créditos na versão.
 
4.  O que almejo é tornar mais palatável assuntos densos, sem transigir com minhas convicções filosóficas procuro auferir da situação atual algo de bom, e tá difícil,  minha irmã. Mesmo sem ser  'fruto do meio' estes escritos carregam influências desta era turbulenta e dissertam quase sempre em temas de uma sonoridade e cadência escatológicas.
 
5. Na minha infância adorada conheci o sertão, vive nele em meio ao seu luar de iluminação, subi nas grimpas da serra dos Pirineus no Norte Fluminense, minha terra natal. Neste fundo de quadro de memória procuro assentar minha alma para na calma escrever para espairecer, e junto com  minha irmã Math tentar entender os dias que correm e não deixar o enlouquecimento ilícito tomar conta de nossas vidas, ah ah ah!!!
 
6. Agorinha amanhece em São Paulo, e não vejo as serras azuladas de outrora, não tenho mais o café no bule, a broa de fubá que cuidadosamente d. Geralda preparava, nem tão pouco poderei mais usufruir da companhia agradável de meus irmãos: José Geraldo, Elaine, Mathildes, Helcia, Lourdes por perto, cada um anda cuidando do recado! O cão Peri e o Boby já se foram, a boiada já passou, a sede da fazenda foi demolida, os taquarais, os manguezais ainda resistem ao tempo, a cigarra, me disseram, continua cantando nas tardes ensolaradas um canto mavioso e triste...

> Ah eu era alegre e não sabia, respeitoso e não merecia presenciar tantas maravilhas, vivenciar tantas louçanias... de camisa aberta ao peito, com aquele meu jeito de interiorano, galopando égua baia ou cousa que valha e muito menos suspeitava o futuro incerto que em São Paulo me aguardava... ( cantos da antiga era, cap 2, & 14.
 
7. Hoje o dia está chuvoso e frio, e maio como se despede da moçada. A atmosfera  induz o citadino à reflexão e outro assunto não poderia estar em pauta do que a Copa do Mundo em junho próximo, sediada em 12 estados brasileiros. Sinto saudade, muitas saudades de um tempo que se foi e que tinha muitas copas de árvores, que as irmãs terezinhas se esbanjam em seus galhos e cipós em alegria, algazarra contagiante na Estância Pirineus, oh! Deus!
 
8. Aliás, nasci ouvindo meu pai, Sr. Didi, falar coisa com coisa que no Brasil o futebol 'brotava em árvores', que um dia seria uma 'profissão lucrativa... mais valorizada que um doutor.' E não é que foi mesmo, seu moço! Ele esqueceu de mencionar o samba, a feijoada e a caipirinha raízes de uma terra exuberante, hospitaleira e gentil.
 
9. O problema atual do brasil não é a Copa. Este evento mundial do esporte chamado futebol, tornou-se uma espécie de justa, celebrada no passado e que vencia o melhor. Somos orgulhosos de nossos títulos e taças merecidos. Quem não gosta de saber que somos Penta campeões? Quem não gosta de Tostão, Rivelino, Dodô, Zagalo, Zé Moreira, Pelé, Garrincha, Clodoaldo, Ronaldo e Neimar Jr, entre tantos?
 
10. Nos gramados verdes do mundo afora o futebol  brasileiro granjeou respeito,  e exporta  craques e técnicos de montão. E bem verdade que o rei Pelé e Ronaldo, o fenômeno, recentemente não foram muito felizes acerca de certas  declarações... Isto a gente esquece pois o  talento deles  em campo são  inquestionáveis e já deram muita alegria ao torcedor brasileiro e conquistaram o respeito internacional.
 
11. O que está em jogo na visão ampla  da realidade brasileira é outro campo de ação ou se quiserem  ' desação' da política doméstica. A carência de educação, escolas, saúde, transporte, rodovias, moradias, segurança estão gritantes, bem mais alto que o ' brado retumbante ' de Pedro I às margens do Ipiranga. Perdeu-se valores como a honra, justiça e a capacidade de gerir os destinos desta nação continente e praticamente nula para não dizer que fomos traídos à nível nacional.
 
12. Nos Tribunais Superiores, condenações e mais condenações pulularam igual febre amarela; mensalidades, CPIS ocuparam a manchete dos jornais aqui e lá fora. Tais aleivosias entravaram o crescimento sustentável e desviaram recursos que aplicados ao Bem Comum Maior fariam a diferença de qualquer nação ajuizada. Ou seja parece que o certo virou errado e vice versa. E palavras ditas outrora no fervor de campanhas eleitorais não são sustentadas depois.
 
13. O respeito  à  auto determinação, à  soberania, às leis constitucionais não se aplicam a uma camada de dirigentes, e as gentes são iludidas a mais não poder. A corrupção na malha política se alastrou qual fogo no taquaruçu de meu sertão amado, e de longe ouvimos o estalar seco de escândalos em Brasilia.

>  no  momento que   escrevo, irmã Math querida e você  me lê com   bondade   estampada nos  olhos,   mais escândalos propinas e mais propinas, compras superfaturadas, a Petrobras em alerta, etc,  sem falar das benesses das sesmarias brasileiras, loteadas pela ambição, ausência de senso comum, faltosa de tino administrativo, canetadas e mais canetadas da abjeção... se apresentam solertes nos gabinetes da administração publica brasileira.
 
14. Fábula, ficção ou a realidade nua e crua? E estou mais propenso a dizer nenhuma das opções, pois
a beirada a situação está mais para uma  comoção social sem precedentes na história brasileira. Aqui e acolá pipocam manifestações. E ainda se lembram da mãe de todas elas, em Junho de  2013 que ameaçou a acordar o Gigante de vez. Com um manobra ' inteligente ' confundiram a cabeça das pessoas, esvaziaram o seu sentido  maior e impuseram arruaças para descaracterizar o movimento; ' vem para a rua, vem!"
 
13. Depois dela ( a beleza das ruas soberanas ), o Brasil começou a esboçar resistência legítima contra os desmandos da política doméstica sem desmerecer a Constituição e os Poderes Constituídos. Hoje pequenas batalhas se travam e já não representam o pensamento da maioria, eivadas que estão de segundas e terceiras intenções   afunilando quase sempre em arruaças e depredações e confrontos desnecessários entre brasileiros.

14. Esta é a moldura do quadro em que a Copa do Mundo vai se inserir, uma realidade em ebulição. E como será na ocasião do magno evento? Será que o 'jeitinho' vai resolver desta vez? Noticias nos chegam que houve por parte dos turistas do esporte 25% de desistência. Aliás seria um absurdo envolve-los neste problema doméstico de desorganização nacional. Este evento é uma incógnita e torço vai dar tudo certo e pós copa retomarmos nossos protestos cívicos com civilidade. Porque não?

15. Agora aproveitar o gancho para hostilizar os visitantes seria uma desproporção e falta de senso inominável. Está em jogo dois brasis, e na calma, argúcia e fé o melhor vai vencer, sabemos disso, é questão de tempo  e o fenômeno  osmose coletiva aglutinará 207 milhões de brasileiros para o bem do povo e a felicidade de um novo tempo verde, amarelo, azul e branco. Basta querer! Queiramos!!!

16. Este evento trará os holofotes do mundo para o Brasil, poderá ser um tiro no pé do atual governo, poderá lhe custar o mandato, e a tão sonhada hegemonia de perpetuação no poder. Se me perguntassem antes eu diria que primeiro seria de bom tom arrumar a casa, colocar as contas públicas em dia e depois receber a Fifa, sua comitiva, os países  participantes, os turistas, e sim aí  fazer uma festa prazerosa e do nosso jeito hospitaleiro de ser.

17. No reboliço atual, as aguas se turvaram de tal modo com a gastança de bilhões, desproporcionais com a realidade de bolso do brasileiro que não sei não e rezo para que tudo transcorra normalmente, hein! Agora foi. É torcer que tudo se encaminhe bem,  a bola vai rolar... E poderia ser diferente, mas não o é! Isso que dá não consultar as ruas soberanas e locupletas de patriotismo!

18. O Brasil pós copa vai continuar protestando até ver raiar o dia bendito em que o Bem Comum se transforme numa instituição sagrada. E que haja de fato na mesa de todos os brasileiros, oportunidades, pão e esperança. Enquanto isso as ruas soberanas aguardam o desenrolar dos acontecimentos, e a moçada está de olho bem aberto com um 'no padre e outro na missa'~.


Helder Tadeu Chaia Alvim

 
 
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