segunda-feira, 28 de abril de 2014

inferências do arruamento

                                     inferências do arruamento


1. À irmã e ao irmão comuns,aos olhos do sistema, mas especial demais para este poeta mínimo acostumado a escrever para espairecer, dedico o que se segue e outros poemas mais no afã de reconhecer que ela e ele são a reserva do bom senso., E QUE EM DETERMINADO MOMENTO ARCANO, poderão ser a locomotiva de novos ventos... Saibam que me impressiona em muito seu linguajar despojado de ambição, e sinceros a não mais poder.

2.  O contraste se acentua nestes dias que correm às avessas do que deveria ser, ao ouvir os noticiários, a corrupção em curso, a violência deflagrada, a ausência de bases sociais, o desacerto da política, os desalinhos de uma metrópole em constante verticalização, os interesses vorazes da especulação imobiliária  que nivela tudo ao concreto.

3. Ah! a irmã e o irmão citados, os encontro justamente no lusco fusco da grande urbe paulista, uma cidade conceitual e solitária que de quando em vez extravasa  laivos de calor humano, o frescor de um período antigo, aquele dos bondes e avenidas arborizadas, dos chapéus e tailleurs de uma rua chamada Augusta,  de gosto apurado.

4. Que frequentemente nos brinda com conversas amenas nas mesas de bar, que entoa no lapso de sua correria infernal uma e outra cantiga suave pela boca de seus trovadores, poetas e músicos do arrimo, que esquece os bytes da comunicação, o fotoshop, para exalar na voz do irmão e irmã, anônimos da mídia, um perfume inconfundível de duplat.

5. À irmã e ao irmão, presente nas repartições, distantes da política, que oferecem colo amigo, frequentam os bares, adornam seus lares  de esperança, passam no coador de pano o café fumegante, à mesa domingueira repartem o pão e frequentam as Igrejas da páscoa, vesperais segue este singelo refrão.

6. Consoantes com seus sonhos de união pátria, agasalham a boa convivência, fogem dos dilemas, realizam o bem comum em sua esfera familiar, cuidam com esmero de sua prole numerosa, abraçam o migrante, advogam o mundo bom, na euforia, labuta, criam condições, desenvolvem uma capacidade de junção espiritual impressionante. 

7. O irmão e a irmã não detém cargos de direção, nem tão pouco mancham suas mãos na verba pública, e nas conversas de botequim cultivam a boa prosa desinteressada e não se acham o centro das atenções, nem tão pouco blasonam cargos, comissões e bacharelados.  Ao lado deles a gente se sente bem, e poderíamos ficar por horas a fio em uma conversa animada ,como sói aconteceu comigo inúmeras vezes.

8.  Reconhecem que a falta de vigilância os nocauteou, e pouco a pouco se depararam com a esperteza de uma minoria estranhamente  ideológica, e quando acordaram de seu sonho azul de mundo bom das certezas empíricas, se depararam com as aves de rapina e as rãs tramando a bancarrota do seu país continente.

9. Viram 'velhos erros' migrarem para seu território, assistiram os escândalos das mensalidades pulularem por toda a parte, estádios de futebol construídos com cifras elevadas, o pib estagnado, a carestia se alastrando, os professores mal remunerados, a saúde em frangalhos, o transporte e a  educação  entregues ao léu.

10. E ao levantarem o véu do discernimento, mesmo meio anestesiados pela mídia tendenciosa, o meu bom amigo e amiga viram tantas coisas de arrepiar e estremecer o túmulo de D. Pedro II, viram a corrupção se alastrar, o favorecimento ilícito pulular, e com tristeza a reserva da nação, a juventude perdida nas drogas e o brasil sem perspectivas de crescimento sustentável, a biodiversidade devastada, as matas e florestas derribadas em nome do 'falso' progresso.

11. E por ironia do destino, o irmão e a irmã de minha geração, quando jovens, pintaram a cara e gritaram contra o regime militar, e sem querer caíram depois  nos braços do malogro nacional, elegeram dirigentes preocupados com o próprio bolso...  A reação veio por parte da juventude aglutinada nas redes sociais, ensaiaram nas ruas em junho do ano passado uma manifestação legítima, que hoje encontra-se esvaziada de seu fim geral e debandada num quebra quebra medonho.

12. O horizonte de furta cores se toldou e de seu nevoeiro viram sair ações malogradas, por uma minoria articulada em torno do poder pelo poder, da fama, grana e glória pessoais a custo do erário público, às avessas da auto determinação dos povos e da constituição federal.

13. Ao alarido colorido de outrora se sobrepôs  açoites de montão, o povo pagou e paga a conta pelas flanações irresponsáveis de seus políticos sem escrúpulos, endeusados em brasília, nos estados e municípios da federação, nos galhos da árvore pátria, espalhando com uma canetada os despropósitos de ações governamentais.

14. Foge do texto acima acusações pessoais a quem quer que seja, o julgamento  afirmo fica sempre a cargo dos cidadãos de bem e já  aparecem à luz da história que esquadrinha rins e corações. Aliás mais depressa que se pensa surge a verdade, no caso presente  com o veredicto das ruas soberanas. Esta rimas em sua acanhada dissertação apenas relatam de forma imparcial o que tem auscultado do irmão e da irmã, a quem dedico este diapasão e outros mais... Obrigado sempre pela partilha de mundo bom!

15. Foge da tese a prática, mesmo diante da rebordosa anunciada, sei que o irmão e a irmã vão conservar a serenidade, de seus lábios colhi um riso alegre, e me alegrei também ao ouvir que ' o brasil in fieri foi acalentado por um gigante de fé e de otimismo: São José de Anchieta, ' !

16. E passados quatrocentos e tantos anos guarda suas reservas do bom senso salvador, e quando a osmose coletiva ganhar as ruas ninguém vai tascar mais, a não ser para cultivar as grandezas pátrias, ora adormecidas no coração desta nação canarinha...

17. Para além do consumismo e seus graves problemas ambientais e sociais, virá um tempo em que esta perversa 'obsolescência programada' cessará e não encontrará mais razão de ser no ambiente totalmente arejado da realidade perene ou era do Pater. E os povos finalmente caminharão à luz de madiã e efa e será a vida uma poesia só!


Helder Tadeu Chaia Alvim


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