quinta-feira, 8 de novembro de 2012

saratória x trincheiras e viseiras capataz iadas...

1. Não minto sinto pura emoção, profissionalismo à parte, lirismo é o que vale. Música suave, acordão de clave, bombas e torpedos para sempre ausentes, as canções e a arte, eternamente presentes. Isso é o que importa, não esperar, nem desesperar, deixar fluir normalmente o momento sem entrave, não trata-se de aptidão, longe a aversão, fale mais alto toda sugestão, isto foi um dia o sarau no Centro Cultural Elenko KWA, rima para cima no nosso coração, um movimento de artistas na cidade de São Paulo na década de 90 que produziu frutos de sintonia linear.

2. O mundo cético dirá: foi o arrazoado de poetas sonhadores,ou a mídia poderá ver como azaração! Vou mais longe ainda dizendo ser o aprendizado da força motriz de versos inversos, escritos sem diretrizes.Sem crises, uma ninfa desencadeou na  mente coletiva a bendita inspiração e de repente surgiram repentes de indignação, isto aconteceu e mereceu consideração.

3. Um momento que aliava arte, contestação e emoção lírica num só lugar às sextas e sábados à noite, que virava a madrugada no palco aberto e muita e muita poesia por certo. A gente dançava um bolero que não era de salão, castanhola sem olé, pois zé, ensaiava um tango, sem sair da razão, valsa ou merengue, salsa, fora do risco em ritmo de baião.

4. Nesta energia noturna do alto nível criativo buscava-se caminhos, queria-se entender conjuntamente os rumos da política mundial sem afrontas pessoais, mas buscava-se a ponta do iceberg, imberbe, solerte. E com sorte encontrava-se o fio da meada e a situação era ligada de forma acertada durante o sarau, nos intervalos e nas reuniões da semana produzindo frutos copiosos de ação lírica na cidade de São Paulo.

5. Vivíamos num fluxo continuo de sintonia e camaradagem, sem lero afirmávamos e negávamos ao mesmo tempo, vendíamos nosso peixe para sobrevivermos espiritualmente, padecíamos ao espairecer: bombas e torpedos: presentes; ausentes no panorama maior as artes e as canções! 

6. O mundo na ocasião tenso, conflitos em países estelares, mísseis a esmo lançados à eito caindo em leito de hospitais, etcetera e tais; ferindo, matando, mutilando; inumana covardia de atletas da dita democracia, anulando a soberania, varrendo civis vidas, inocentes, sofridas, horrorizadas.

7. Com fúria de ventania em Kosovo, como sofríamos a guerra fria, com imbecis idas, vis pontarias, na cadência louca da cavalaria motorizada, desajuízada, apoucada de galhardia, espalharia sangue, morte, restaria só um código nome: hecatombe étnica.

8. Que consumia existências vividas sobre o palco de uma outra pátria, que não era nossa, mas caminhava com algo semelhante ao nosso pensar, dissonante do nosso linguajar só querendo o direito de ir e vir, reconstruir o futuro num presente incerto e ameaçador.

9. Sem querer ver em tudo asneiras, louco para dizê-las, o panorama atual não mudou em nada a ganância, o poder e por pouco quem vai contra não entra pelo cano e com igual sorte, sai pela torneira deste mundo enganador, incapaz, que abandonou o criador e quer ele mesmo com sua astúcia solucionar as crises existenciais que enveredando nas viseiras de trincheiras capataz iadas.

10. Em paz,  termino este simples refrão sobre reminiscências do sarau do kwa ficando o restante perante o pendente para outra solene ocasião.Sem leme penso que o rumo certo está cada vez mais longe distante de nossas mãos, destoando do verdadeiro diapasão, onde as artes e as canções trariam acertadas soluções, sem senões, inverdades, corrupções, enganações, mas esparzidas na tranquilidade e transparência que lhe são peculiares.

11. Como 'o que vai mal no mundo sou eu mesmo', às vezes deixando aflorar egoísmos e presunções,às vezes na omissão passando largo ao semelhante carente de atenção, às vezes olvidando a oração do Pater, esquecendo da Mãe bendita, Maria mãe de Jesus e nossa.

12. E também, enquanto anoto estes traços da antiga alusão poética, muitos tramam conflitos, sabe-se lá Deus em regiões alhures, ao lado na nossa esquina, cidade e nação, torpedos e balas de incompreensões se preparam para outras incursões... E continuam e continuam tecendo uma cortina espessa e intrincada costurando conceitos errados.

13. Enquanto isso vou proseando com vocês, imaginando desta vez nossa história brasileira, parte três, sem final feliz, deixo-o para o dossiê pelicano, julgo perda de encanto, por enquanto no meu pobre canto vou matutando os fatos recentes da nossa política doméstica que amanhã terão outros desdobramentos imprevistos, haja vista o STF e seu sensato juízo.

14. Augurando com o trevo de São Patrício um norte favorável  de ocasiões propícias para a sofrida humanidade, quase sem razão, que perdeu paulatinamente a noção do bem e sua alta estima. Um norte de recomeço, onde valsa, tango, bolero e baião ensaiarão um passo novo, na direção do povo, na dimensão do espaço, no compasso de todos, sem discursos tolos.

15. Onde surjam, onde se formem verdadeiros cidadãos preocupados com o verdadeiro destino sustentável da nave terra, poetas, cancioneiros, de um tempo que será realmente nosso. É o que posso dizer, querendo que aconteça, é o que digo sem poder, acontecendo para valer.

16. A paz sem arranhaduras e composições estranhas, possa estar semeada por toda a parte, em inúmeras direções, equacionada em muitas versões, em inúmeras monções espalhada, lado a lado com todos os irmãos e a sensatez, onde escrevam com glória total, de memória a história ou saratória, parte quatro com final feliz de fato.

Helder Tadeu Chaia Alvim













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