segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Mediações e simbologias de Sarepta

1. Domingo de sol, novembro onze, chuvas no horizonte, olhar vazio, o sino de bronze faz um apelo insistente, a Igreja do Divino um presente. Assumo as indagações, o rumo em prece demorada, ao Espirito Santo recorro respondendo ao convite do amigo, sentinela do outeiro do Frei. E encontro no terço da santa algumas despretensiosas  e fortes respostas que narro a seguir. Eu sei...

2. Ela, a melhor de todas as mães, sempre solícita sabe onde estou e aonde eu possa estar e providencia o melhor para  mim, não trata-se de sucesso financeiro, influências literárias ou coisas do gênero mas a simplicidade para entender o movimento tão contrário ao espírito nos dias que correm , sem saber para o lugar ao certo.

3. O templo me recebe e a todos que nele adentram oferece uma acolhida singela e doce E na calma de suas iluminuras e ícones sagrados propicia um momento de reflexão inigualável. Às dez e meia vem o sacramento, a missa e as rogações, sem lugar para tergiversações, pois a voz interior da graça ilumina todos os corações irmanados na liturgia.

4. O Sol de justiça se imola no altar das rogações, e sem arroubos, apenas um sussurro, ausente dos critérios e cálculos humanos, parece falar: irmãos meus, tende confiança eu venci o mundo! O altar iluminado pelo sírio pascal consome a oração penitencial, o Cordeiro de Deus expia os pecados do mundo, Cristo se imola misticamente, isto é o que importa justamente.Não traz uma inspiração hipotética, irreal, mas de fato 'ex opere operandis'  está ali vivo e atuante.

5. Vem à mente da assembléia dos fiéis a leitura do livro dos Reis,  aquele trecho de Elias a   caminho da costa mediterrânea do Líbano, à cidade de Sidônia chamada Sarepta com suas visões, mediações e simbologias. Ele foge do flagelo da seca, também fora atingido e mais tarde acolhido pela simplicidade da viúva de Saré. O profeta intervém a seu favor e de seus filhos, o pão e o óleo da lâmpada se multiplicam miraculosamente até que a chuva desça copiosa, figura das graças celestiais.

6. A celebração se aproxima do término e aquela conversa com o amigo Jesus me trouxe a convicção de aplacar as tempestades d'alma. A calma e uma alegria triste pairam no ar... O celebrante  implora no altar pela paz na cidade de São Paulo, tão tumultuada nesta guerra desleal tentando implantar o caos 'institucionalizado' do crime organizado quando muitos militares são assassinados em honra  ao dever e a ordem.

7. O povo reunido, faz um silêncio comovido em memória dos valorosos policiais que tombaram no serviço da pátria, e se coloca na condição do cego de Jericó implorando visões, para que o caminho de todos sejam aplainados, a reação da sociedade e autoridades não se arrefeça e a harmonia do bem volte o quanto antes.

8. Saio às ruas, os transeuntes passam contrariando a estática dos que não vão passear no domínio declarado da ilusão, a moça na mercearia compra o pão, o Bira atende no balcão, o Tião aparece e conversamos acerca da construção. Folheio os jornais e noto a notícia que um tal promotor propôs a inusitada ideia de retirar a referência  Deus seja louvado das cédulas... 

9. Observo que as pessoas receosas guardam seu recato, sentam-se à mesa da padaria,  bares e botecos da região, refreiam sua opinião, levantam-se, pagam a conta e lá se vão... Ah! domingo de paisagem linear, ar quente, o tempo absorve o  movimento e continua inquirindo à sina que anima sua sugestão.

10. Aguardando a hora bendita em que o profeta arcano virá para por fim à consternação e trazer para o povo sofrido e apreensivo o verdadeiro pão e o óleo da unção  '... até que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra'.:' Veni Creator Spiritus mentes tuorum visita imple superna gratia quae tu creasti pectora...fonte de luz, verdade e graça plena!'...

Helder Tadeu Chaia Alvim

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