terça-feira, 30 de outubro de 2012

poetas s/a


                                                  poetas s/a

1. Anotar no papel o que vai no coração, deixar a caneta deslizar calmamente, esta é a tarefa que a inspiração legou ao poeta em todos os tempos. A cada dia uma nova palavra, a cada hora um impulso sentido, a cada minuto uma virgula acentuada, a cada segundo  um ponto e nada mais! A finitude tem nele seu foco, a fugacidade o acompanha na qualidade de conselheira amiga.

2. Esta é a profissão mais antiga da terra, teve um pé na helênica pátria, conheceu gregos e fenícios bem lá no início de sua jornada. O tempo lhe faculta o incremento, o silêncio o juízo do juramento, e juntos o empurram aos mais variados fomentos. O papel em branco seu desafio, a caneta sua ferramenta, as letras seu emblema prazeroso.

3. As madrugadas, vazias de perdidos sonhos, partidas ilusões assanham sua imaginação, as manhãs um outro começo, o dia claro o prejuízo de seus entalhes, as tardes ensolaradas a promissão de um canto novo, as noites, o aconchego do acalanto em meio à prantos alheios.

4. Na alma do poeta encontra-se o tudo e o nada franqueados no mesmo espaço, ali nasce o poema suspirado, passa seus dias entre dor e alegria, expansão e introspecção. A sua clave,  é estranha aos olhos do mundo material. O poeta esse ser lírico por natureza pode tudo e  nada ao mesmo tempo e lhe resta o consolo da ousadia rítmica.

5. Dê-lhe um camelo, alforge, água e tâmaras, uma tenda ao luar que na manhã seguinte ele irá lhe trazer muitos feixes de poemas com sabor indefinido de eterna sensibilidade, sinalizados pela fugacidade da vida.

6. Ele vai sorrir com você um choro amargo, vai ser sua companhia na sua tristeza alegre, se vai. Não importa suas posses, gabaritos pós e ante condição intelectual, nada conta a não ser sua sensibilidade natural, sua sintonia gradual à ordem do universo e sem saber estará abrindo as portas dos versos inversos escritos sem perceber...

7. Hoje é o niver do meu amigo Ludwig Henrique Ravest, será um momento de blindar com ele e as pessoas amigas o mundo bom das certezas empíricas em face do paralelo 46 de uma das ruas mais conceituais de Sampa, mais propriamente na mesa 18 ou 'Esquina do mundo', tema e título de seu próximo livro. Mesmo em meio ao esboroamento geral da fuselagem estaremos lá com certeza. Vida longa e lúcida ao 'verbo', ah ah ah!!!!!!!!!!!!!!!!

Helder Tadeu Chaia Alvim
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