segunda-feira, 2 de abril de 2012

o mercador péssimo

o mercador péssimo
1. O grande mercador da mentira, numa atitude vil, traiu seu mestre por trinta moedas odientas. Preferiu safar seu irmão carnal das jogatinas, da morte prometida por dívidas contraídas, nos relatam os textos essênios, preferiu ver o Cordeiro ser imolado na cruz e com aquele asqueroso beijo agradou aos sumos sacerdotes.

2. O anátema não tardou a vir: 'melius est si natus non fuisset', mas aconteceu mesmo e passou para a história como paradigma da vilania, covardia e composição de interesses escusos. E Judas continua vivo e atuante na pessoa do mau político, do mau sacerdote, do mau cidadão, do mau cristão a perpetuar a espécie dos vendilhões, que a troco da honra, do vil metal, de glória e poder sem limites vendem a sua consciência, sua pátria se preciso fôsse como trocam de camisa.

3. Foi uma confusão geral naquela sexta-feira santa.Na véspera Jesus orou no Getsêmani até suar sangue, convocou os seus chegados e advertiu-os com caridade: 'Vigilate et orate ut non intretis in tentationem...' E a hora do poder das trevas se aproximava e o mestre arquitetava o mundo bom das suas certezas, que deveria passar segundo a vontade do Pai pelo gólgota salvífico.

4. E as trevas se aproximavam, o ar de Jerusalém estava abafado, a natureza inteirinha chorava seu moço. Jesus, o mestre dos imponderáveis comeu a ceia com seus discípulos,instituiu o sacramento da eucaristia, deu as ultimas recomendações e saiu para orar... Lançou um olhar sobre a cidade, prestes a se tornar deicida. Na atmosfera pairava um quê de mistério que se prolongaria todas as semanas santas do ano até o ribombar da útima páscoa na Terra: 'Spiritus quidem promptus est, caro autem infirma...' O espírito, esse desconhecido, solução certa para a carne fraca e hesitante.

5. Depois foi preso pela guarda romana, seguiu-se o seu pseudo julgamento,intermediado por Pilatos, o exitante, o governador sem posição definida, veio a flagelação, a coroação de espinhos, a negação de Pedro, a dispersão dos discípulos, tudo isto numa noite só, a noite mais pesada e injusta da história e no dia seguinte subiu ao gólgota acompanhado de Simão Cirineu para morrer em lugar de seu amigo:  o gênero humano.

6. Venceu a mentira com a verdade plena, quando eles o sepultaram, empurraram uma grande pedra no porta de seu túmulo, o que viria corroborar ainda mais a sua vitória sobre a morte. Queriam-no morto, suas palavras eram puras e diretas, suaves e transformadoras. Ah! ele precisava morrer! Não porque os judeus quisessem, a imperatividade do Pai exigia um sacrificio perfeito.

7. Um pouco antes, ressuscitara Lázaro, seu amigo, curara o empregado do centurião, o mestre dissera a respeito do romano que não encontrara tamanha fé em Israel e isso tudo nas barbas da diretoria religiosa da época. Que era rei e o seu reino não fazia na terra pactuações, que tinha a seu dispor as miríades de anjos guerreiros, que no entanto as profecias precisavam ser cumpridas até a última vírgula, até o último ponto.

8. E Ele redivivo, três dias depois apareceu às santas mulheres, aos discípulos medrosos à caminho de Emaús, no cenáculo para todos, inclusive para o incrédulo Tomé. E o pior ósculo da história, esquecido jaz e o século que tiver a ventura de contemplar o madeiro do gólgota salvífico com os olhos da fé se deparará com a face de Cristo Ressuscitado e exclamará enlevado que a morte mais ignominosa do mundo, mais trágica, mais redentora não terá sido em vão! Não! E no paroxismo dos constrastes a profecia fora realizada inteiramente, atraindo a si todas as coisas. A natureza inteirinha rendeu vassalagem ao rei coroado de espinhos, ao Deus humanado por amor dos homens.

9. O mercador pior da história entregou o filho de Deus nas mãos dos ímpios; Pedro, o entusiasta do mestre, Pedro o voluntarioso, o grande pescador negou três repetidas vezes e se arrependeu amargamente; João, o discípulo do amor sem limites, as santas mulheres ao lado da Virgem Mãe perseveraram até o fim e ofereceram para todos os séculos o verdadeiro ósculo de fé, adoração e paz.

Helder Tadeu Chaia Alvim
Postar um comentário