quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

descoroçoado no planeta das idéias...

1. A indagação chega e não sei o que fazer, são tantas as possibilidades na minha ignorância a percorrer... e  sinto os instantes ecoando, escoando para o ralo da vida qual chuva copiosa de janeiro, uma parte cai nos telhados da ilusão e desliza para o chão da desilusão, outra molha a rua das incertezas, outra e outra aquece a terra, a pouca terra fértil que restou dos sonhos perdidos.

2. Continuo tergiverso matutando horas a fio qual  estrada a percorrer, vejo três vias: a dos sonhos, a da fé, e a da ação. e a chuva real continua lá fora por horas seguidas, inundando tudo e deixando os citadinos em maus lençóis.

3. Entendo a equação, estendo a mente e vejo que não existe contradição, só aparente, uai! Os sonhos bons, aqueles que valem serem sonhados, acontecerão depois de muita oração e Deus obviará a consecução dos mesmos.

4. Então olho pela vidraça e noto que a chuva amainou, volto à Igreja rezar ao divino para fazer o que é reto sempre, pois sem seu amparo 'a casa de meus sonhos é feita de ilusão'.

5. Depois de um vigília saio às ruas e percebo à frente que as pessoas se parecem comigo no caminhar desconexo, na sua procura não encontrada, o horizonte cristalino tolda-se completamente e a noite mais fechada cai à minha volta.Os pensamentos se embaralham e penso alto: que tarefa difícil a de viver...

6. Paro na padaria, cumprimento o balconista e peço um pingado com pão na chapa. Na televisão o noticiário continua com o caso 'Eloá' e seu desdobramento intenso. Pergunto porque tanta insistência? O sujeito é assassino mesmo e nada justifica seu ato covarde contra a indefesa Eloá. Se pegar prisão perpétua é pouco!

7. E prossigo o raciocínio de aliar à fé, a razão, que dureza desenvolver aptidões, neste mundo sem noção do certo e do errado, que tenta argumentar a favor de um caso estatelado de maldade. Mesmo assim continuo, já na rua Consolação em direção à Paulista, um ânimo novo assoma ao meu espírito, com ar de inquietude. Aonde isto tudo vai dar? Onde esta iniquidade praticada vai desembocar?

8. Ajunto pensamentos, qual catador de latinhas das ruas paulistanas, para reciclar o planeta das idéias, esperar que algo fale mais alto do que esses e outros fatos da mídia realista e repetitiva. A terra se move, o ser humano nasce, cresce... e fica exposto aos golpes do destino.E ainda vem a justiça defender assassinos?

9. Enfim, tudo se aquieta e ao chegar em casa tem um recado do José Piauí: que d. Teresa sub síndica falecera. E para espairecer vou escrevendo, lembrando que a cumprimentei de manhã,perguntei pelos seus amados pets e parecia estar bem e contente - agora é hora de ir dar-lhe aquele derradeiro Adeus - Que destino tomou sua bondosa alma? O melhor possível, espero eu. Os seus amigos, vizinhos, seus animais de estimação,tantos, vão sentir a sua falta.

10. E volto a pensar, até quando as incertezas continuarão? A chuva lá fora desce novamente inclemente, acompanhada de raios e trovões. De repente serena e se parece com anéis de prata, depois aperta, o movimento da rua pouco há pouco diminui até reinar o mais completo silêncio.

11. Vou dormir sem ter encontrado as respostas que meu espírito almejava, talvez nunca as obtenha, talvez já as tenha e não queira aceitar, talvez não careça delas uma vez que o fim que me aguarda pode estar próximo e salvar a alma seja o negócio mais importante desta inquietação.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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