segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O antes e o pós tudo x andares de hoje

1. Oi, estou de volta, e não fiquei di boa, uma porque o sertão, objeto de meu amor acabou; o estribo de prata foi trocado pela zoada esquisita do caminhão, de propulsão fóssil, o luar pelo neon, os trilhos do trem pela via asfaltada, as pirambeiras, pelas notícias ligeiras, a viola encantada pela parabólica, as tardes nostálgicas pelas novelas sem cor, a camaradagem pelo trator.

2. Outra é qu o sertão não é mais o mesmo, perdeu sua identidade, sua beleza e a simplicidade de sua gente. Outros vieram com sede voraz de lucro, derribaram as matas, espantaram os animais silvestres, as borboletas. Se foram as as pacas e irerês, a azáfama tardia deu lugar as discotecas, a algazarra das crinças não mais se ouviu, apagou-se  o fogão à lenha, esqueceu-se das lendas dos barões do mato.

3. A certeza da fé, as novenas, as ladainhas, o respeito pelo mais velhos apagou-se da lembrança de muitos e no intuito de unm progresso mal calculado uma nova era se implantou negando razões que fizeram a alegria de gerações.

4. Se foi também o contato puro do homem com a natureza e a destreza dos pensamentos, deu lugar ao entorno da política local, tudo paro o bolso, nada pelo social. As selas empoadas foram trocadas pelas motos e sua cilindradas e o sertão perdeu a graça e o encanto de sua primeira hora.

5. Seus habitantes  imigraram para outros estados e se amontoaram nas megalópoles modernas e não mais sentiram em suas faces o ósculo suave do orvalho matutino, não mais encheram os paiois da abastança da colheita, das festanças dos casamentos em maio florido, das bençãos dos pais abençoando filhos e netos.

6. - Ora! Ora! dirá alguém , que diferença isto faz, pelo menos eles tem o movimento, a mutação de seu espírito que trouxe conforto e bem estar! - Digo será mesmo tudo isto! Tenho minhas dúvidas e não é o caso de polemizar, vou perder um amigo e horas e horas de blá, blá, blá.

7. Ao caminhar de volta na metrópole barunhenta percebo passos que vem, passos que vão serpenteando os carros, ouço o vozerio da multidão muda, anônima, inquieta, sobressaltada, seus andares me rodeiam em um determinado momento, e passam por mim sem me perceber, parecem autômatos, tele guiados pelos seus problemas e ocupações, ligados ao consumo exacerbado de bens e novidades muitas.

8. São boa gente, porém influenciáveis ao marketing elaborado, são humanos, sentem medo, são arredios ao calor humano dado a desconfiança e violência generalizada, querem para si e para os seus o mundo bom e uma sociedade mais justa e solidária, são solitários e construiram nos shopings centers seu casulo  inquestionável, em suas casas uma fortaleza de segurança, quase inexpugnável.

9. Muitos não conheceram a era antiga, não porque não quiseram, nasceram aqui na grande e pujante metrópole  do sonho eldorado, outros já se esqueceram dela, muitos... guardam dissabores  e o ser pós moderno já nasceu cansado e não conseguiu objetivar seu sonho almejado, apenas artificializou sua vida e nada mais!

10. Vou na frente e volto atrás na ânsia incontida de escrever até ao anoitecer destes versos mínimos, pois disse alhures e continua valendo: faço parte deste quadro, penitencio-me de bom grado, percebo a moldura trincada, os contornos arranhados, e a Deus pertence a restauração completa do gênero humano segundo seus desígnios incomensuráveis, pois o tempo e o pensamento Dele não são o dos homens. Este último quebrou a aliança primeva e a hora das trevas desce sobre o planeta, toldando os olhos até dos poucos justos que restam.

11. Eu também ando sem perceber, sou parte desta imensa  multidão factível de erros, de pouco acerto, que parece procurar entender a existência, a precariedade de tudo quanto a rodeia, Lá no sertão ou o que restou dele a vida continua em outro ritmo, lá a solidão aperta e traz reflexão peremptória, o céu permanece  estrelado, aqui e acolá algum galo arrisca a cantar nas matinas, os vagalumes posicionam solidários ao extremo no seu lusco fusco das noites de breu, algum cavalo retardatário continua a galopar nas campinas, a casinha branca foi demolida, a jaguatirica não foi vista mais no matumbu, e o sertão se perdeu e com ele ficaram sepultadas na memória do tempo as coisas boas de uma era atrasada, saborosa e que não volta jamais.

12. Já, a urbe colossal, simpática continua com seu movimento, tem pressa e não sabe aonde quer chegar, cresceu desmedidamente, se envaideceu nas passarelas das tops, e entope suas ruas de lixo e água da enchente, mostra a sua cara, e a pedra de crack preocupa seu juízo são ou o que dele restou. Ah! tenho pena de minha mãe adotiva, que não ouviu as canções nostálgicas das tardes ensolaradas, do pastorear dos bois  não conheceu o som do berrante bucólico, que não contemplou o rair do sol, que não vislumbrou a beleza da lua cheia e tantas e tantas  delicadezas.

13. Um dia a metrópole vai se tornar sertão e ele 'civilização'... Esta é a postagem deste blogger mínimo de333.São Paulo já foi antiga, já viu outros ares,já teve bondes, conversas de camaradagem, muita gente vivenciou a fé do Santo S'antana Galvão, expandiu sua vocação de colosso, agora necessita refletir seriamente que rumo pretende seguir, ouso arriscar um palpite, vivo aqui há mais de vinte anos, e ela não vai abrir mão de seu progresso, não. Resta saber se vai crescer ainda mais, com sustentabilidade. Ad multtos annos! a ti São Paulo de todos.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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