sábado, 14 de janeiro de 2012

A travessia da alma na era do occupy e apps

1. Ainda não cheguei ao meu destino, parei um pouco para analisar o ambiente, os estragos das enchentes aqui no Noroeste Fluminense, alcançando Minas e Espírito Santo. As cheias dos  afluentes do rio Paraiba do Sul são conhecidas há muito tempo e ano a ano flagelam a população envolvida e que moram na região.

2. Conheci de perto esta realidade na minha infância dos Pirineus, no município de Santo Antonio de Miracema, terra de D. Ermelinda, terra do povo que nasce e do pau que brota, será o capítulo de uma próxima prosa, prometo.

3. Às vezes chove em uma semana para o mês todo, e os níveis pluviometros marcam  linearmente com precissão o volume de água. Assim era, assim e assim continua sendo. O que estarrece a gente é que  a máquina administrativa conhece bem a topografia da região, recebe recursos polpudos do governo federal e ano após ano a situação piora.

4. Vai chover sempre e com a terra aquecida a tendência é que as forças embrabecidas da mãe natureza vão dar o ar da graça sem avisar. Portanto seria mais prudente construir sua casa sobre a rocha e não nas areias e ribanceiras como acontece por aqui. Se no âmbito do espírito Cristo falou magistralmente como Mestre que era, na área material isto vale também. E a tecnologia evoluiu muito e com traçado sólido o que acontece poderia ser evitado em parte maior. O poeta Hermínio de Nova Friburgo que o diga!!!

5. E vamos continuar na estrada da vida poética tentando sobreviver, estamos com sangue pulsando nas veias, isto é um bom sinal, e devemos arregaçar as mangas das rimas e continuar sem parar, sem esmorecer agradecendo a Deus o dom da vida, que maravilha saber que ele nos ama, e se tem tristeza no ar e na serra, nos rios e cidades, isto não foi obra sua, mas do anjo decaído e feio que quer a humanidade parecida com ele. Ele abandonou a luz por orgulho, e ressentido que envolver os fracos de espírito na sua lorota eterna.
6. Para que enganar, trair, roubar? Para que, fingir, ignorar, roubar? Para que desprezar, não abraçar a causa do bem, para que maltratar o semelhante, os animais, a natureza? Se a vida é curta, curta a presença de Deus em tudo, ele  não precisou atestar nada, pois é o grande e único detentor das causas e efeitos dos elementos.

7. Ah! Vida curta, passou o tempo de Alexandre, Tomás de Aquino, Gregório, Pedro II, Luiz Gonzaga e num instante passará o nosso também, e não haverá mister de agasalho e o Grande Ser, que iremos conhecer estará lá imutável, pleno de inteligência e sabedoria, e tudo que inventamos na terra, in fieri foi concebido por Ele o grande motor imóvel do universo.

8. Se a vida é curta e no final dela uma cova fria nos aguarda, já imaginaram gente chorando, gente bebendo ao morto, daí um tempo esquecido fica à mercê dos vermes, e ninguém se alembra mais, a não ser no sétimo dia, mês, quiça um ano talvez.

9. Extraimos deste texto uma notícia, que poderá ser boa ou ruim, imperceptível aos olhos carnais, preocupados com o consumo de bens perecíveis, e é que a alma liberta, ao criador se achega e dele indagado sobre sua trajetória, terá muito ou pouco a contar, dependendo do desempenho de cada um, este momento é chamado de juízo particular, um tribunal inafiançável, pode ser de arrepiar.

10. Os talentos desperdiçados, a não vivência dos mistérios, um fato; a matéria pesada, o fado do desgosto constante e concomitante faz a alma se afastar da luz, sem final feliz, diz adeus ao seu mentor e não suporta a sua bondade intrinseca e extrinseca, pois na vida menosprezou a fidelidade.

11. Digo o que digo, ainda resta o tempo presente para alimar os atos corretos, antes do para quê bater à porta. É salutar e bom viver o porque da existência inteiramente, para quando surgir, na curva da estrada o depois, ele nos encontre  na verdade e justiça, pois é o que importa antes e depois de tudo! Of passage the soul - para além do fenômeno estrondoso occupy e app - temos a abrangência espiritual aguardando respostas das nuvens. se aplicadas corretamente irão alavancar o mundo bom e despertar anseios perdiodos no meio da fumaça do dióxido poluente.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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