segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Nas redes poéticas de Solano Trindade

1. Sexta- feira 11/11/2011, duzentos e tantos quilômetros de lentidão no trânsito em São Paulo. É de torrar a moringa de qualquer um. Tomei a condução, como de costume com destino à cidade das Artes, a bela Embu, entre o anda e para da perua Clinicas X Engenho Velho me pus a folhear os "Poemas Antológicos de Solano Trindade", Editora Alexandria, São Paulo -2008, que a Profª de língua portuguesa, Silva Maria Pessoa, gentilmente me emprestou. E foi na companhia agradabilíssima do poeta resistente, orgulho da raça negra que fui saboreando seus solfejos máximos e encurtando na mente a viagem engavetada.
2. Lá fora o desempenho da cidade atingiu seu clímax de loucura, ao poeta Solano sobram inspirações, ao mundo atual faltam deliberações e o engalfinhamento continua e continua por horas seguidas, e a cidade não dá sinais de repensar seu destino, continua sôfrega adicionando gente nas redes sociais, implodindo visão  nas inconsequentes baforadas de dióxido, exalando ébria de consumo o odor do combustível fóssil.
3. Num contraste fabuloso o versejar abrangente de Solano Trindade aquieta meus ressentimentos, e agiganta meus sonhos,  e faz soltar um grito mudo de esperança, tá virando mais quinhentos anos, e a natureza parece despontar um encanto medonho, quiçá diferente, será? Pode ser o despontar do  mundo bom? O fato é que algo estranho paira no ar... para o ano que vem. O enveredamento do curso dos acontecimentos e ações humanas desdenharam o Eterno Ser e sua idealizações sublimes.
>>> Isto é preocupante, extremamente sério, considerando que a fonte de luz, ciência, conhecimento dos átomos e nióbios quânticos proveem em escala infinita de sua criação, o grande motor imóvel, e desconhecer esta verdade cristalina faculta aos homens se equipararem à formiguinhas indefesas, malvadas e ingênuas caminhando enfileiradas e associadas para o abismo do apocalipse, visse!
4. E nas páginas plácidas e argutas do grande mestre das artes e pioneiro do Embu, co- fundador desta cidade poema, vejo nos seus olhos imateriais o amor que amou a humanidade inteira, e sua memória resistiu, encontrou na sua filha amada, Raquel um doce escrutínio de fidelidades abrangentes. Morre o poeta e fica a fama, ainda mais que trata-se de um homem, um dos melhores das letras e ação de vida.
5. E Ele, somente ele sabe o que dizer: ouçamos sua Advertência altamente inspirada e atual: "Há poetas que só fazem versos de Amor, há poetas herméticos e concretistas, enquanto se fabricam bombas atômicas e de hidrogênio, enquanto se preparam exércitos para a guerra, enquanto a fome estiola os povos..."
6. O poeta continua clarividente chispando a sua inconformidade:" ...Depois eles farão versos de pavor e de remorso e não escaparão ao castigo porque a guerra e a fome também os atingirão e os poetas cairão no esquecimento..." vide- "Poemas antológicos pág 17).
7. E Na página 167 do citado livro, encontramos o seu último voo prateado, pleno de sabedoria; o guerreiro da diversidade racial e cultural, dispõe-se a repousar suas armas cancionadas e se prepara para embalar seu espírito rumo às novas plagas das certezas , vejamos: " Quando pararei de amar com intensidade? Quando deixarei de me perder aos seres e coisas? Quando me livrarei de mim? Do que sou, do que quero, do que penso? Quando deixarei de prantear? No dia que eu deixar de ser eu, no dia em que perder a consciência do mundo que idealizei... Neste dia... Eu sorrirei sem saber do que sorrio." 
(Interrogação - último poema-Embu , 1969).
8. E o perfume de seus escritos abençoados, continua exalando benesses, na página 24, o poeta dos poetas faz sua Chamada, e se consagra nos versos como ninguém sói faze-lo: "Poetas despertai enquanto é tempo, antes que a poesia do mundo vá-se embora , antes que caia sobre o homem um peso insuportável...Vinde correndo cantar o vosso canto de Amor para que as crianças não sucumbam. Vinde com a vossa poesia  socorrer as mulheres, para que elas não caiam em desespero. Vinde poetas pois vós conheceis o segredo da vida..."
Obrigado Mestre Solano Trindade, 
Helder Tadeu Chaia Alvim
Poeta Minimalista 
















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