terça-feira, 4 de outubro de 2011

A pedra angular

                                         Leitura ( Is 5, 1-6 )

 1. "Vou cantar para o meu amigo seu cântico de amor a respeito de sua vinha: Ele possuía uma vinha   em fértil encosta. Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens. Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai minha situação e a da minha vinha.O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? 

2. Eu contava com uvas de verdade, mas por que produziu elas uvas selvagens? Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha: vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não será podada nem lavrada, espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela."

3. Tocamos hoje em dia em paroxismos de ângulos extremos, a sociedade de consumo erigiu suas bases na pedra principal chamada grana, status ou poder. é só aparecer uma revoada de instabilidades nas bolsas globais que até o cafezinho fica comprometido e tá arriscado a voltar para a era antiga do escambo. Para isso acontecer será um, dois.

4. No entanto, vemos com amargura o campo espiritual, tão necessário à vida da sociedade ser cada vez mais preterido às babéis modernas dos conceitos virtuais e da alta definição. Embola tudo, descarta-se tudo o que não lisonjear os olhos inquietos da alta consumação em massa.

5. Mesmo assim ,tornou-se atualíssima a máxima de Jesus em sua fala dirigida ao grande pescador nas margens do Tiberíades: " Tu es Petrus e super hanc petram edificabo eclesiam meam." Ele, somente ele, foi escolhido para ser a base forte de uma instituição predestinada a permanecer, a par dos ventos e tempestades, a par da frieza dos céticos, a par dos pecados de seus seguidores, a par da traição dos seus ministros, apesar de tudo e contra todos e o movimento de aparente inércia do criador,  vai vingar a sua seiva sagrada, " ... et portas inferi non prevalebunt adversus ea." Isso até a  última lágrima, até a derradeira batalha, antes do juízo final quando consumar-se-á a vida no planeta terra.

6. Tudo passa, estas rimas também, seu autor, as pessoas que convivem com ele, o seu tempo, mas Deus permanece o mesmo e se no livre arbítrio da natureza o coração do homem fecha-se às belezas do mundo imaterial, Ele pode alterar o curso das circunstancias e transformar outras pedras brutas em filhos atuantes e justos para seguir a linhagem de Abrãao. Isto para sua onisciência são um , dois, mil possibilidades.

7. E Taylor Caldwell em sua inigualável pena de escritora, uma das mais brilhantes que já li traz em seu livro, Médico de  Homens e Almas - Editora Record -2002 31ª edição, com excelente tradução  de Aydano Arruda, à pág. 190 capítulo 14: Lucano estava lendo o sétimo livro de Heródoto, no qual ele escreveu sobre Xerxes, que chorara quando da vitória. Então tio de Xerxes, Artábano, viera consolá-lo e dissera: "Majestade, primeiro congratulai-vos convosco mesmo, depois chorai, ao que Xerxes respondeu: "Eu fui tomado de piedade à lembrança da brevidade da vida humana, quando compreendi que, de todas essas multidões, nem um só indivíduo estará vivo daqui a cem anos."

8. "...Oh! Os inocentes, que viviam só para que pudessem morrer! Lucano descansou a testa no peitoril da janela e sentiu uma tremenda compaixão e um tremendo amor por tudo quanto vivia e era torturado, murchava , desfazia-se em pó, desde uma abelha até um homem, de uma folha a uma criança, de uma árvore a um boi, de uma estrela a uma aranha. Desejava abarcar a vida em seus braços, acarinhá-la, murmurar-lhe amor e consolo, e mantendo-a assim, desafiar seu Destruidor." Idem á pág. 191.

9. E o Eclesiastes pergunta e esclarece: "...Que proveito tira o homem de todo trabalho com que se afadiga debaixo do sol? Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida se levanta de novo. O vento vai em direção ao sul, vai em direção ao norte, volteia e gira nos mesmos círculos. Todos os rios se dirigem para o mar, e o mar não se transborda. Em direção ao mar, para onde correm os rios eles continuam a correr. Todas as coisas se afadigam, mais do que se pode dizer, a vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir."

10. E continua o autor inspirado pelo Espírito Santo:"... O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer, não há nada de novo debaixo do sol. Se é encontrada alguma coisa da qual se diz: "Veja isto é novo", ela já existia nos tempos passados. Não há memoria do que é antigo, e nossos descendentes não deixarão memória junto àqueles  que virão depois deles."


Helder Tadeu Chaia Alvim

                 


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