quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O tique-taque

1. E nas circunstâncias recentes das fábulas brasileiras se o saudoso Torquato Alvim vivo fosse estaria chateado e na melhor das hipóteses soltando fogo pelas ventas, Deus o tenha! Explico-me e não vai aqui nenhuma acusação pessoal contra a instituição do Estado Brasileiro, suas leis e normas consuetudinárias e sim do abuso que alguns fazem da máquina estatal, ora desviando verbas, ora enriquecendo ilicitamente, tendo em vista processos e mais processos que tramitam nas repartições federais apurando as denuncias e muito lentamente punindo os culpados.

2. 'A nação brasileira deita e acorda sobressaltada e se arrepende em determinados momentos, com lágrimas , por ter parido títeres malditos que se multiplicam a cada revoada de primavera,' me confidenciou outrora entre um intervalo e outro de um comício eleitoral na localidade de Paraiso do Tobias uns dos últimos barões do mato autênticos que conheci.

3. E ele tinha razão e sua fala transportada para o nosso tempo encaixa como luva à realidade que corre. Vemos verbas desperdiçadas, falta de pão à mesa sofrega, talentos não aproveitados,projetos no papel esquecidos, nepotismos, favorecimentos, informações privilegiadas, corporativismos a luz do dia, negociatas escusas na calada da noite, dinheiros embolsados na cara dura. Muitos perderam a noção da ética, da moral , da lhaneza no trato das coisas públicas e virou um balaio de gato, de um boi surgiram milhares deles a mamar nas tetas da pátria canarinha.

4. Sai dessa, nação altaneira, você não precisa disso, seus filhos estão cansados de mendigar migalhas ao rico epulão, suas mãos estão amordaçadas soturnamente por aqueles que tem as chaves da liberdade democrática. 

5. Acorda mãe plácida, de seu sonho gentil, pois vivemos pesadelos e estamos encapuzados para não ver a real situação que a todos envolve na cortina de fumaça tóxica.

6. Quando irá cumprir a promessa e iluminar o seu céu de anil com a claridade de políticos de verdade que engrandeçam seu solo promissor, que acolham a diversidade, que anseiem pela concórdia, que almejem o bem estar da mesa, o verde das suas florestas, a correnteza solta de seus rios, a velocidade de suas capitais, a fôrça produtiva de seu interior, a beleza de suas canções, a poesia de sua monções.

7. Sem ilusões presentes, inconformes, a multidão dos irmãos brasileiros erguem seus braços em forma de protesto pacífico e cobram dos seus dirigentes ações exatas que ponham termo esta situação de vergonha nacional. "Quousque tandem abutere catilina patientia nostra" com o patrício romano o senador Cicero, ouvimos o coro de milhões de vozes repetir com indignação: até quando os catilinas modernos abusarão de nossa paciência? 

8. E o tique-taque das fábulas brasileiras continua e continua a contar a cada minuto as doidices insanas a condenar a galera  a remar indefinidamente ao léu, um tique-taque às avessas de nossa constituição, nossas raízes culturais, nossa fé em Deus, um tique taque sombrio, na contramão de sua vocação de grandeza colossal. Até quando?

9. O papel escapa das mãos, a caneta se nega a anotar a noite infeliz que desceu sobre  a nação brasil, uma noite fria, vazia de sentido. E nela a rima continua, fazendo eco as lamentações verídicas, tentando mudar com os irmãos a situação deste universo em versos.

10. Você que me acessa, ajude-nos a restaurar a moldura, retocar os contornos, e atilar uma pintura totalmente nova para fazer nascer um futuro de ... me ajude a concluir, mesmo que não seja de nacionalidade brasileira, mas esteja consoante com o mundo bom das certezas de Deus. 

11. Você camarada irmão que me acessa de outro país, quiça continente, que não fala a minha língua, mas vibra com estes 365 poemas ( estamos quase lá...) você que deseja na sua totalidade que a essência de cada indivíduo no conjunto global seja feliz!

12. É assim que vamos caminhar no futuro, pois a natureza tem sede da harmonia, de paz, de avanços que realizem o âmago de seus sonhos do bem geral que foram perdidos nas noites de pesadelos atuais.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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