segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Melhores e piores no dia Nacional da Virgem Negra

1. Não entendo porque se permite a exploração do ouro mineral nos rios brasileiros, não entendo as pretensões do poder, não entendo porque o rio Tietê está ainda com altos níveis de poluição, não entendo os montões de garrafas pets à deriva, as sacolas de plásticos em mãos que poderiam portar embornais de pano.

2. Não entendo a ambição desmedida, o consumo descontrolado, a violência dizimando a inocência das crianças, o alcance pernicioso da idade madura, o descaso e a descrença da idade longeva, o discurso vazio, a volta aos erros do passado, o escárnio contra as leis naturais e divinas, a vontade de contrariar a ordem estabelecida.

3. Não entendo a persistência do combustível fóssil, a violência contra os extrativistas, a não aderência à outros tipos de propulsão, a corrupção daqueles que deveriam zelar pelo bem comum da nação brasileira, o encolhimento de vistas a respeito do planeta verdadeiramente sustentável.

4. E o não entendimento abrange todas as camadas da ação humana, para que tanta correria em vão? Tanta ostentação, tanta bravata, tantas gravatas à serviço de causas inócuas ao povo de bom coração.

5. Não entendo tantas coisas, e olhando  de soslaio percebo que a finitude espreita a todos, que somos mortais, e o fim que nos espera  é igualzinho, não poupa cabeças coroadas, contas polpudas, magreza de posses, que ao cabo de um tempo relativamente curto, somos esquecidos  na tumba fria e arriscamos deixar à alma as consequências de alguma ou inúmeras imperícias que lhe acarretarão um fogo eterno em companhia da corriola de anjos decaídos.

6. Entendo a fôrça do sorriso, o abraço de união, o poder da prece, a palavra de alento, a ação que propulsiona a solidariedade, a mão que afaga a adversidade, minora os males da humanidade, a capacidade de amar o próximo a ponto de preservar o planeta, a largueza de vistas que neutraliza guerras e canhões.

7. Entendo uma porção de coisas, as canções dos que semeiam o bem, a junção em prol do semelhante, a dedicação dos médicos e profissionais de saúde, as pesquisas dos cientistas, os avanços inquestionáveis da engenharia quântica, a política que organiza as ações limpas.

8. O sacerdote, imbuído do espírito santo, que espelha sua fé a serviço do Cristo Eucarístico, à Devoçao à Virgem Negra, esperança de um mundo melhor, justo e que trilhe os mandamentos do gólgota salvífico. Entendo e louvo aqueles que depuseram e silenciaram as armas de destruição em massa, àqueles que gastam seus dias no louvor e prece desfiando o terço da santa.

9. Entendo a fartura de grãos, a retidão da mente sadia, a sanha bela dos heróis anônimos, o belo gesto que saca as necessidades do espírito inquieto, a sustentabilidade sem máscaras e maquiagens.

10. A certeza que a última viagem de cada um deve ser tranquila, compenetrada e que do outro lado, a visão beatífica se torne uma realidade obsequiada. 

11. Entendo a abnegação e o esfôrço dos que vivem na essência, garimpando o mundo bom, o tom afinado que suplanta as discrepâncias, que espanta a intolerância, que exorciza a discriminação.

12. Entendo  os luares da poesia que iluminam os terreiros da raça humana, a chama que fumega e reserva em sua vitalidade as surpresas que alavancarão uma era nova e inusitada a todos os marginalizados da história, aos novos lázaros modernos.

13. Entendo que a hora bendita vai raiar, procrastinada pelos arcanos, uma questão do tempo soberano, que resgata o bom, freia as paixões, nivela os poderosos, e sacia a fome de justiça que emana daquele a quem os ventos e as tempestades obedessem serenamente.

Helder Tadeu Chaia Alvim

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