quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A primavera e a robótica em ascensão

1. A o iniciar este assunto, já passam das 23.00 horas, e ouço um vozerio na rua ao lado. É alegre, expansivo e procurei entender porque, não foi difícil, sim é  o início primavera, dia e noite equinociais e a moçada resolveu comemorar a estação do reflorescimento da fauna e flora enquanto é tempo, do jeito que a coisa caminha, seu Pedro Vaz vai ter que rever suas belas visões de brasis, aqui a poluição tomou conta dos rios e mentes alheias, a corrupção degenerou ideais primevos e daqui tá tudo realmente diferente, diferindo daquele Brasil inocente da era antiga.

2. Com a temperatura amena o convite ao copo cheio, às conversas deliciosas, não se fizeram de rogados e o amigos procuraram se encontrar para dividir o pouco de sonho que lhes restou. Posso imaginar a cena, depois do terceiro trago, a cabeça trabalha veloz, as palavras tornam-se lentas e um assomo louco de perspectivas boas ensaiam aparecer. 

3. As horas escoam rápido, fechada a conta, reviram os bolsos e agradecem ao garçom a última preza e dispõem-se   voltar para casa, no outro dia, pensam, o serviço os aguarda, ansioso, para despejar  encargos, compromissos que se alongarão até sexta-feira.

4.  A pausa fora reconfortante e prazerosa, no entanto os bites continuam em velocidade máxima, confundindo as mentes, introduzindo uma quantidade imensa de informações, que ora novas, depois ultrapassadas vão de nano em nano rescrevendo a hegemonia quântica global.

5. E em um esforço inaudito aqueles amigos do copo voltarão a se encontrar para plasmar idéias originais, alongar os fatos e resistir à sanha terrível da robótica, no intervalo de uns instantes lúcidos na mesa de bar.

6. No outro dia a cidade amanhecerá totalmente mecanizada, e na sua correria artificial, parece ter pressa, parece esquecer o calor, parece não querer as estações certas, parece não ter coração, parece não querer aderir ao movimento "um dia sem carro", parece que padece de um mal que a automatiza a cada segundo, coitada!

Helder Tadeu Chaia Alvim 

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