quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As paredes de concreto modernas

1. Nos encontramos solitários em meio à tantos links, urls, pen drives e cliques de navegação. Paremos, pensemos, enfim todos lemos. Vale a pena reler aquele livro que nos tocou de perto. Cada um tem  o seu em particular. Quando não havia ainda as novidades da era definida eu costumava  ler tudo o que caia em minha mãos. Foi assim que à luz da lamparina eu conheci os Lusíadas, o Pequeno Príncipe, os Sertões, as Confissões de Santo Agostinho, o Grande Pescador - De Thomas Walsh, a Suma Teológica, a Ilha do Tesouro, Dias de Sol ou as aventuras de Noni na Islândia, entre tantos. No passado muitos leram, hoje lemos menos e mais na frente não vão ler quase nada. Que prejuízo será para a humanidade, uma vez que o sistema de informação tende a planificar tudo e levar instintivamente ao não pensamento. Oferecer tudo pronto e descartar tudo de imediato.

2. Hoje é fato consumado, o avanço descomunal da internet abrange todos os campos, para o bem ou para o mal, tudo tende ao controle minucioso dos bites e ao descontrole pavoroso das redes sociais, pluga-se em tudo, onlinea-se a torto e direito, e no fundo parece que fugimos de encarar a nós mesmos, finitos e mortais, fugimos de encarar a solidão construtiva da pausa, do silêncio, da ponderação e da reflexão que nos torna mais fortes, coesos e coerentes com nossas ações.

3. Na ânsia de contatos e adições acessamos todos os canais disponíveis, fazemos amigos dos amigos do amigo nosso e não estreitamos laços de amizade e afinidade com o vizinho ao lado, separado por uma frágil e robusta parede de concreto. Que vida estranha é essa que nos foi imposta, tudo virtual e abstrato, nada de palpável, tudo absurdamente perto, ao alcance de um clique, tudo incrivelmente longe, distante do calor humano.

4. Bernardes dizia que a bondade divina era um poço que não havia tampa nem fundo , pois poderíamos a qualquer hora enfiar a mão e tirar coisas novas e velhas e por mais que tirássemos não acabaria jamais. Já a imaginação fértil, a louca da casa, no dizer de Theresa D'Avila, sua ponte móvel nos transportaria em um segundo às alturas do nada, e nos proporcionaria uma queda livre na fragilidade e desespero de suas asas quebradiças e inconstantes.

5. O resultado está  a olhos vistos, nos dias que correm rumo ao absurdo, na era avançada dos tablets e blackberrys criptografados, problemas e problemas a emergirem  das areias rasas e movediças da civilização dita moderna, personificando seres brutais e sem alma, enlouquecendo uma parcela, regalando outras, devastando a mãe terra, poluindo rios, minando a capacidade de admiração da raça humana e pouco a pouco enleando a todos em uma teia invisível da grande depressão. Qual bola de ping e pong, a gente não sabe aonde vai parar e qual será o resultado final.Não espere coisa boa se o movimento continuar nesta magnitude de desacertos e piração.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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