terça-feira, 5 de julho de 2011

O que acontece...

1. Tudo eletrônico! Não dá brecha mais para os pensamentos bons, não tem espaço mais para a largueza de horizontes, as câmaras de gás modernas asfixiam a generosidade, tudo tornou-se praticidade, tudo é comodidade.

2. Tudo é conveniência, nada é verdade, nada é sério, a não ser  as contas, a fatura, tudo gira em torno das finanças, não se afiança mais a amizade, a confiança tornou-se banal, nada vale, tudo vale, dependerá do espelho que você "mira a realidade".

3. Ouvi alguém comentar na rua ontem - um transeunte que calculava:" Hoje tá tudo eletrônico, até a família, os amigos, a faculdade, o emprego, a namorada..." Tava frio, o termômetro da paulista em cima marcando 10 graus, e me vi repetindo a frase:"tudo eletrônico" O jeito é rimar... e saiu esta adiante.

4. Alguém vai indagar: - Não tem um lado bom? Eu sou suspeito de falar mas devo reconhecer quem  canaliza intenções, a eletrônica  coadjuva  e auxilia, proporcionando ao internauta ferramentas indispensáveis  em várias direções.Ela me deu ânimo e meios para externar estes versos e isto nenhuma editôra da era do papel sequer olhou para o meu lado.

5. Estou falando do espírito eletrônico, da forma de  utilizar  seu mecanismo e neste sentido eu digo respondendo à pergunta acima: - Deve ter sim, eu por enquanto só enxergo o menor esfôrço e o raciocínio, quando não se está antenado no trânsito louco da capital paulistana que a gente ama, tende-se a descansar preguiçoso, pois a confiança na máquina programada suplanta o lado perigoso da vida.

6. E os seus bytes salvadores solucionarão os transtornos do dia a dia, tudo por um click, nada que me motive a não ser repetir: "tá tudo eletrônico." Me lembrei do Biotônico Fontoura, ele me levou a outra esfera, me transportou para a era antiga das canções de roda, dos pontilhões dos córregos caudalosos e piscosos.

7. A vida, meus amigos, correndo solta nas roças de milho verde, nas trempes da broas de fubá, nos cantos dos canários, dos sabiás nas laranjeiras, dos sapos canecões nos brejos da canjerona, os juás e as dormideiras, do leite tirado no curral, dos embornais na escola do arraial.

8. E voltando a realidade de hoje pergunto prá que tanto carnaval, gente correndo, gente sofrendo, gente na conduçao apinhada, será que vale à pena tanto esfôrço, tanta invição de talento, tanto tempo malbaratado?

9. Se perguntasse ao ouriço-cacheiro a razão, ele responderia: - Seu moço, vou ficar aqui no meu mato sossegado, pois aí tá tudo complicado!

10. É um fato , são milhões de fatos que no conjunto me deixam exausto, roubaram meu sertão, fizeram dele uma grande cidade, inventaram a era on line, roubaram a conversa amena e no seu lugar plantaram as desavenças, a pressa virou tema, ao sair na rua começa a corrida sem rumo certo.

11. A calma perdeu a sua alma, o tudo e o nada se encontram para falar de futilidades. A tranquilidade se ausentou, quem não está preocupado com o serviço, perde o juízo em excentricidades, corre-se para casa para ver a novidade do capítulo da novela, se chover pode acontecer parar na marginal.

12. Sumiram o céu estrelado e a lua de São Jorge, ficou na saudade os sonhos de acalanto e vive-se amuado no nosso canto ou na beirada estreita. Deita-se extenuado, acorda-se cedo para o trampo espelhado e dá-se tudo para um pulo no shoping, às compras parceladas, um belo penteado ou caminhar nas esteiras das academias vistosas.

13. Nada me completa, tudo me aborrece, pelo menos escrevo versos e marcando o que acontece... que o tudo tornou-se igual ao nada e por isso a gente padece.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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