quinta-feira, 30 de junho de 2011

A última palavra...

1. A história é a mestra da vida, dizia Heródoto acertadamente. Em meio ao paradoxo da era moderna, em meio à sua dimensão cultural ciclicamente asseptica, em meio à desordem cósmica de sua mente, os símbolos ambivalentes se opõem categoricamente ao mundo bom, ao mundo das serenas e parasidiacas melodias que embalaram os santos, os heróis, os feitos dignos de nota, que ninguém poderá deturpar ou negar.

2. O tempo em que viveu o Grande Poeta dos versos perdidos que "os ventos e o mar obedeciam"as margens do  Tiberíades Ele pensou, pregou, cantou um cântico novo: "ubi cáritas et amor, Deus ibi est." Ele contemplou os séculos com olhar imperscrutável, viu o fatalismo de hoje, o moralismo deturpado, o brilho dos olhos inocentes, a piedade, a bondade dos belos gestos.

3. Na sua onisciência ponderou as revanches, os estratos do poder, as intolerâncias, os desmedidos consumos, avistou os estados laicos, sua desafinações com os  direitos divinos, viu a negação das negações sobre  a coerência, a ética, a paz, a harmonia social, a humanidade fragmentada, as catátrofes,os conflitos, as guerras, a terra, obra de suas mãos, mutilada, o livre arbítrio do homem guindando-o às posições frágeis da fama, que esbanja charme, às posições avançadas da grana, a alta costura das passarelas iluminadas, o movimento holofotizado, a grande corrida da alta definição, os nióbios quânticos.

4. E seu olhar observou uma parcela de gente marginalizada, refugiada no teto à céu aberto,vislumbrou tudo isto com tristeza divina. Gente impecável no corte fino, de postura invejável cultuando o corpo na aparência de um bom sono; outros na solidão desconfortavelmente insones sem o calor humano da consideração, uns alarmados, outros afagados pelo mormaço passageiro das veleidades.

5. Muitos e muitos, milhares,  na artificialidade de uma era moderna, avantajada em inventos extraordinários, engendrando artifícios, dando a volta na alma, sepultando a calma, posando de galgos imortais, outros tantos abrigados na indefinição, enxugando gelos de tropeços que os levam ao chão.

> Muitos paralelos podemos traçar do alvorecer da era cristã, e era nova por excelência
e a nossa. Muitas semelhanças e muitas diferenças. Quando Cristo nasceu, uma estrêla apareceu e com ela três reis magos  e seu imponente séquito estremeceram  a cidade de Jerusalém. Roma, então mandava na Palestina, tinha lá sua pretória, governador, centuria de soldados e à fôrça de armas colocava "ordem" no povo Judeu.  Herodes preocupou-se com a boa nova que nascera o  Rei dos Judeus, cioso de seu cargo faria de tudo para matar o recém nascido. E Pôncio Pilatos estava lá, subserviente, coso de suas prerrogativas, tergiverso e ficou do lado da maioria cega, lavando as mãos condenou o Justo.

>> Nexte contexto político complicado, Tibério César, imperador da altiva Roma queria estatísticas de seus comandados e ordenou o recenseamento. O sinédrio tinha a sua frente duas figuras cônscias de poder e ambição, Anás e Caifas. E no desenrolar da trama, eles ocuparão papel principal na morte do Justo. Eles que deveriam revelar ao povo eleito a nova esperança para si e para o mundo, decidiriam pela sua mais abjeta condenação.

6. "E o verbo se fez homem e veio habitar entre nós..." O Cristo percorrreu a Palestina de então, incansável, operando milagres, curando os cegos e paralíticos, animando seus futuros apóstolos, preparando-os para a missão por excelência, como ela não houve e nem haverá igual na face da terra. Escolheu minuciosamente 12 deles, em sua maioria gente simples para pregar a fé em sua divindade, o batismo em nome do Espírito Santo Paráclito, o perdão sem limites, o amor sublimado.

7. Uma beleza de mistério envolveu sua vida e façanha mística, seus gestos e palavras, sua pureza ilibada, enfim Ele, amanhecia com o pensamento no Pai Eterno e deixava transparecer o amor ao semelhante, e podemos imaginar suas conversas com os discípulos e a alegria imensa deles ao conviver com o Mestre dos Mestres, um Deus humanado conforme havia previsto os profetas. Era um fato! E o bicho pegou quando o mestre ressuscitou o amigo, Lázaro, irmão de Marta e Maria Magdalena.Naquele dia ele, por assim dizer, assInou sua sentença de morte.

8. E ao subir ao Gólgota salvífico deixou-nos a herança sagrada de sua Virgem Mãe, para ser dora em diante nossa Mãe também, Mãe de misericordia, vida, doçura esperança do gênero humano. Isto é que eu chamo de amor pleno e sem restrições! Uma reparação aos desmandos de Eva sedutora.

9. E num salve sem limites chorou sangue no Getsemâni e no calvário de ignomínias ponderou as razões do bem e concretizou totalmente a redenção do gênero humano, perdoou o bom ladrão e passou a lição que se estenderá até o final dos tempos. A lição a que me refiro são as 7 palavras finais daquela trágica e dolorosa sexta- feira santa, que arrancou lágrimas copiosas das santas mulheres, de João e da Virgem dolorosa. Palavras de sublime unção poética como a terra nunca viu.

10.  De volta aos versos mínimos, queria dizer que não é próposito deles tornarem-se âncoras de um canal especionado, o estrado da vida me proporciona observar o movimento atual, apressado, mal temperado, agnosticado, revestido de tapetes vermelhos ao longo da jornada que levam os incautos para a grande noite de núpcias onde o caos vai desposar a era moderna, a dama viúva do mundo bom, de dote respeitável, graciosa.

11. O baile final acontecerá no salão nobre dâmoclesiano, sem hora para terminar.Um convite, um chamado "irrecusável" sem pretextos de recusa. Quiçá espero ser incluido fora da lista dos comensais. Vivemos hoje em dimensões articuladas e o bezerro de ouro não deve aguçar nosso paladar modesto, mas exigente, nem as taças oferecem a bebida ideal.

12. Seria melhor um brinde alegre à poesia divina nas nossas canecas de ágata, tilintando a restauração do mundo bom, seria o que há de mais arrazoado e de melhor tom. Pois quando a borrasca se aproxima, o farol que não dorme, emite sinais alertando o perigo, e estes sinais já foram emitidos a mais ou menos dois mil anos atrás ás margens do mar de Tiberíades.

13. Ao darmos um giro pela nosas época, assistimos avanços tecnológicos em todas as direções, as surprêsas quantitativas aparecem e multiplicam-se aos bilhões, e a característica torna a mesma da era do Nazareno, poder, mando,guerras, ambições,traições, gente boa, gente ruim, tudo junto.

14. O fundo de quadro é o mesmo, só mudam as paisagens, os contornos tornaram-se mais pesados, ora belos, ora horrorosos e será assim pelos séculos dos séculos, até o soar da trombeta do arcano trazendo a notícia final não ficando "pedra sobre pedra".

15. Conflitos existênciais, atitudes exponenciais, gente sensata, gente doente pela fama, gente vendendo a alma por um prato de lentilha mal cozido. Era moderna dos nióbios quânticos, só mudou de personagens que o tempo já, já vai ofuscar e nada passou e passa despercebido ao olhar psicológico de um Deus, daí a razão de sua dores salvadoras.

16.- Mas poeta da mão pesada que chama sobre si o declinio, a consternação, onde foram parar as rimas benfazejas daquele sertão iluminado? - Hum eu nem mesmo sei só entendo com Cecília: "Estarei mudo um dia e nada mais..."

17. O coração da humanidade está gelado e não há quem derreta este estado de espírito pois se afastou deliberadamente da fornalha ardente que é a presença de Cristo Nazareno, nos olhos da humanidade não se encontram mais lágrimas, há muito secaram, obsecadas pelos colírios das imagens fátuas.

18. Seus braços estão cansados de sustentar o consumo exarcebado e não suportam mais as faturas sem fartura, o seu andar está ébrio de passos desacertados e seus lábios perderam a cor  e não balbuciam mais palavras  de bondade e expressam apenas atitudes insensatas e convencionais. Alguém se habilita a enrolar este novelo e redesenhar um novo modelo?

19. Prepare um bom cobertor parayba, pois a nave terra encontra-se à deriva. Não é cinema do Titanic, Armagedon, mesmo o holocausto descomunal localizado na cabeça e braços de facínoras desajuízados, nem mesmo também ficção do planeta dos macacos, é a realidade nua e crua globalizada que não deixa nenhum povo impune e sem ter provado a mirra amarga de um ou outro acontecimento infeliz.

20. Estamos atravessando a era da turbulência anunciada, a era acessa da quântica dos nóbios, da divisão dos átomos ao infinito, a era imprevista dos biohackers, a era dos softwares da morte. Náo é bravata, recursos de linguagem,  blefe sensacionalista, não! pois o nó que aperta a gravata é o mesmo do click que pode reduzir tudo a cinzas e as aparências de normalidade podem deixar cair as máscaras e fazer surgir leviatãs vorazes.

>>> A palavra final não pertence à afiada espada de Dâmocles suspensa sobre nossas cabeças atônitas e sim ao Príncipe da Paz, aquele poeta dos versos perdidos:"Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado." Ressaltando que seu amor é puro, elevado, efetivo que o fez assumir nossa condição humana, que o fez realizar prodígios, fundar sua Igreja, subir  ao gólgota e ressuscitar conforme reza o símbolo dos apóstolos, friso bem, não  um sentimento vazio, terreno, no campo afetivo que expresse afeição ao sabor de veleidades. Ele é o senhor dos tempos a Ele pertence em última instância o juízo dos povos e nações.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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