quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lembranças x constatações

minha existência !

1.Lembranças, lembranças, porque apertas tanto o coração?Vai longe, parece um sonho o tempo da existência simples que proporcionava àqueles que provaram de seu sabor a consistência exata do equilíbrio natural, do sorriso franco e da camaradagem inata de seu povo.

2.As belezas da mata nativa, as colheitas abundantes, a harmonia no campo, os casamentos, uma festa e tanto, o carro de bois singrando as serras da ventania, os pomares das frutas deliciosas, das mangas, jabuticabas, pitangas, goiabas, jenipapo, a fartura no paiol, a canto melodioso do rouxinol, a algazarra das maritacas, os latidos dos cães de casa.

3.Os ipês amarelos, símbolo da estância dourada, espalhados e florescendo nas encostas das minas de água cristalina, os riachos, córregos, cheios de lambaris, caranguejos, trairas, cascudos e o peixe barigudinho, as cachoeiras em suas quedas vertiginosas de transparência fabulosa.

4. A natureza em sintonia perfeita cortejava o céu estrelado, a lua cheia clareava o terreirão de pedra, as ladainhas entoadas em maio, o cruzeiro iluminado, o São João e São Pedro disputando o melhor recado dos "cumpadres solenizados. "O homem em sua melhor forma entendendo o sertão rude e os segredos da criação divina.

5. Completamente alheios ao alvorecer da nova ordem moderna, existêncial, das contas que não batem, dos desastres ecológicos,dos rios poluidos, dos conflitos mundiais, da intolerância, dos tsunamis colossais, dos lobos vorazes camuflados em pele de ovelha, da corrupção sem limites, da falta de lisura, dos rumos tortos espelhando crises, empurrando para o abismo as aspirações boas de outrora.

6. Aonde iriam parar? Perguntaria - a este poeta da tez fechada -  aquele rude e perpicaz roceiro da minha terra estimada. Que tempo danado continuaria confabulando - ao enrolar seu pito na palha de milho - que rouba das crianças o sorriso de inocência, a respiração do planeta, seu moço.

7.Realmente, tem razão, um tempo estranho que apaga no espírito humano a certeza do céu, que tempo desaprecatado que amontoa os seres nas verticalizadas babéis, aumenta os decibéis,enlouquece a placidez  a sua volta. As bolsas em baixa contidas, os valores engaiolados à mercê das múltiplas variações do seres camaleonados

8.Deveras deu errado a transformação por que passou a sociedade ao longo destes 50 anos, os costumes degeneraram em orgia, as construções equivocadas do pensamento alhearam o bom senso, as práticas de um poder abusivo, alusivo implantaram, traduzindo: a nova era da vida sem alma.A matéria efêmera desenfreada por lucros, honras, posição e reconhecimento, limitando atitudes verdadeiras e pondo a humanidade à beira do abismo.

9.E do jeito que tá, seu moço o que podemos mais esperar? Emperrou a fechadura e a ferradura do cavalo tá gasta até não mais poder.-É, conterrâneo da nata, amigo de semblante sereno, veremos! Acho que vão quebrar a banca nestes subsequentes lustros adiante, o consumismo e o possuir, das janelas cobertas de sua insensatez não suportarão o frio inclemente, nem os edredons darão conta do recado se um movimento contra  não nos envolver completamente.

10. A tendência inevitável é entrarmos na era nadirana sem volta, e o grande apogeu da humanidade mirando o zénite e os anseios de um perigeu de paz, poderá não acontecer, ficando só na saudade.

Helder Tadeu Chaia Alvim
Postar um comentário