segunda-feira, 13 de junho de 2011

O efeito caracol e os hangares da ilusão...

1. "Oia nóis aqui travéis..." Bom dia para você que se dispõe a gastar seu precioso tempo comigo nas viagens que percorremos juntos, saiba que minha alegria aumenta a cada dia e estou convencido de que é a melhor coisa que eu faço da vida são estes momentos em que podemos nos encontrar nestas linhas mínimas.

2. Se você gosta de escrever deixe o contato, pois gostaria de conhecer o seu trabalho, suas visões de mundo e a partir daí estreitar mais nossos laços sinceros de amizade, a vida é curta e vamos curti-la sabiamente na pureza das intenções, plugado em Deus, firme no arreio de santo antonio e vamos nós outra vez continuar sempre refém das rimas e inspirações, sempre com fé em Deus e dedo no click solidário.

3.Na vida coloquial a gente fantasia uma realidade que não corresponde exatamente ao real, a gente cisma acordado, isto tem vários nomes parecidos, idealizar, flanar, brisar. O ideal seria que... mas não o é. Devido as nossas imperfeições, negligências involuntárias não atingimos a perfeição plena e imutável, própria dos santos e servos de Deus que renunciam a si mesmos de uma maneira heroica, que o seu querer funde-se no querer de Deus. O ser humano é de natureza imperfeita, está na origem de seu pecado.

4. Também na poesia somos "águias cativas que sofremos o martírio daqueles que tem asas nos ombros grilhões nos pulsos" como dizia o poeta miracemense com apropriada direção e que ilustra nossa convenção a dois nestas linhas mínimas.

5. Quem escreve poesia tem o mesmo perfil psicológico - e nisso reconheço a beleza do fazer poético - sublima a existência, imaterializa a matéria, queda a alma para o abismo insondável do maravilhoso, sobe com ela as montanhas do inefável e descortina o mundo pulchro das certezas do Criador, o grande artífice do universo, o motor imóvel, intocável que mantém constantemente todas as coisas no seu lugar e dá força e vigor ao poeta imperfeito, de mãos frágeis,  para descrever suas perfeições infinitas.

6. O segredo, pode contar para todo mundo, é aceitar esta condição ltda e não s/a, as conquistas passam antes pelos sonhos, projetam os quereres, encaminham-se para os dizeres, para chegarem aos prazeres da degustação intelectual. Alcançadas partem em busca de outros sonhos e assim indefinidamente...

7. Porque a finitude é uma característica inerente ao ser humano, seu coração está inquieto - diz o doutor sublime e gênio de Cartago, santo Agostinho - e só irá descansar em Deus. Se é dotado de potencialidades , deve desenvolvê-las tendo em vista esta verdade imutável.

8. Daí a pressa, a corrida contra o relógio do tempo, sua ampulheta esvazia o orgulho do para sempre, e na sua sela de santo antonio traz a sensação da precariedade humana. Minha avó Vivina repetia sempre para seus filhos e netos, que a nossa mala tinha que estar sempre arrumada, pois num piscar de olhos viria a notícia derradeira.

9. Me lembro da infância, menino irrequieto montado na potra baia, contemplando montanhas, vales, cafezais, depois o admissão,  a 1ª comunhão , o ginásio, o curso de filosofia , e uma montanha de sucessivos acontecimentos no Rio de Janeiro, e as asas do destino generoso,  me trouxe para São Paulo para poder escrever estas coisas, e confabular consigo me traz renovadas satisfações e a esperança de continuidade, mesmo tênue, mesmo temporária à busca de novos sonhos e realizações no universo da arte.

10. Vejo no fazer poético um antídoto e tanto contra a depressão, o desânimo e as crises existenciais tão comuns na era moderna, alheia as expectativas da alma e focada no consumo e ostentações várias. Uma era refém da moda, da televisão, das novelas, das grandezas fúteis, dos descartes absurdos, uma era que devasta suas florestas, rouba a inocência das crianças, não valoriza a experiência da idade senil.

11. Uma era do efeito caracol, onde os sonhos e as realizações não são validados na generosidade, onde não são compartilhados à mesa para fartar a todos, onde são guardados com chaves herméticas e senhas sigilosas nos hangares da ilusão. Onde indefinidamente estacionados sufocam as aspirações legítimas da nave terra.

12.Existiu um escritor, um dos melhores, um dos mais iluminados que entendeu isto muito bem e foi muito, e muito além desta  minha  concepção  acanhada, seu nome  é Antoine de  Saint -Exupéry, que durante seus voos noturnos do correio militar durante a 2ª grande guerra costumava sobrevoar os céus do hemisfério sul, de seu punho saiu uma obra prima da literatura que encantou gerações e ainda hoje conserva todo seu frescor e louçania: O pequeno príncipe. São suas as palavras: "Em cada homem há reservas de generosidade e heroísmo, mas por falta de terreno favorável, de religião exigente, de novas oportunidades, os homens voltarão a dormir sem ter acreditado em sua própria grandeza."

13.A poesia não habita na casa da falsa modéstia, nem convive com a evidência midiática, o que lhe oferecerem de apoio e incentivo ela agradece e quer ver a expansão e divulgação de seus voos líricos. No entanto mais do que isto ela busca incessantemente a sintonia com seu primeiro e grande propulsor, Deus autor da vida, da arte  e das belezas que ela tanto ama nos seus contrastes, de tal maneira está imbuída da presença do Ser dos seres que com gratidão quer abraçar todos seus irmãos e dizer-lhes baixinho: Ele existe e em primeira mão lê o que disse e se for de seu agrado vai me dar tempo e condições de propalar estes versos humildes e despojados.


Helder Tadeu Chaia Alvim
poeta minímo do minímo 
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