quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mínimas breves na era e-ink, Kindle

1. Fui convidado a declamar outro dia, e escolhi uns versos mimados escritos nem sei quando, retirei-os da gaveta onde jaziam inertes meio amarelados pelo tempo, coitados! Juntei-os com cuidado e gosto pensado.

2. Andei averiguando o assunto, reli com satisfação, pensei, eles hoje vão encontrar o seu caminho, quando me dei tinha a tiracolo um calhamaço respeitável. O amigo Adler, camarada de talento na música me chamou de lado e foi dizendo a questão é essa; meça as palavras, ajeite as rimas e agradará ao auditório, meu véio poeta da augusta paulistana. 

3. Agradeci e me dispus a seguir à risca seu conselho. Tudo de encaminhou bem, declamei a poesia, acalanto, fui aplaudido e mais tarde no meu canto, percebi o quanto o arrazoado procedia.

4.  E nesta mínima não consumista, continuo seguindo a sua visão, rezando em sua cartilha pois assim fica bão, almejamos  o mundo bom e nesta ocasião vejo que a poesia não carece de normas estabelecidas, as rimas serenas não servindo a propaganda maciça, nem a entrevistas marcadas, vão fluindo, graças ao seu olhar de interação.

5. Que continue perto, bem perto deste mínimo a inspiração, sem maiores condições, que repercuta nos corações apaixonados que visam a contemplação de eternas monções. Enfim, disse o que disse e espero que estes versos peregrine muito, qual andarilho sem destino e alcance a felicidade de situação.

6. Consuma conceitos de lirismo, não obstrua jamais desejos inconfessados, assuma as aspirações desejadas e construa com ela a harmonia na diversidade, declare-se amigo das rimas ocultas, oculte-se das vaidades parnasianas e celebre  com o irmão o consenso da verdade, ame a simplicidade de origem interiorana.

7. Quando conseguir a vertente da inspiração, vou voltar para o meu lado, descansar um pouco, louco confesso por versos desencontrados, assumindo a posição de poeta minimalista, não consumista, tentando sobreviver na era Kindle da mídia digitalizada.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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