segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Jornada quase sem fim e fábulas brasileiras...

1.E a jornada quase sem fim continua na mente de Torquaro Alvim, homem simples e observador, de olhar irriquieto e sincero.Um dia estavamos parolando la onde o vento faz a curva e a lua na amplidao alumia o pensamento espargindo aquela alegria despreocupada de viver. Saudoso amigo e parente, pena que ele partiu e fui privado da sua insolencia provocativa, dosada por aquele bom humor, so dele. Pensando em seu espirito de boa lembranca, me encontro na cidade grande, na agitacao embaracada das endoencas em chamas.

2.E a jornada agora previsivel de fim vai tentar desenrolar o seu novelo na inquietante atmosfera que tudo indica se delicia em sabores diferentes daqueles degustados na outrora Pirineus dos vagalumes solidarios.
Sendo assim esta lente minima,  carente por mais que queira nao consegue mais ficar fora  da realidade complexa da mencionada era moderna com seus icones eudeusados e marketing altamente elaborado que induz e seduz esta ou aquela opiniao desavisada.

3.Reviro os bolsos, assunto a memoria e nada se apresenta. Caminho pensativo na Augusta Paulistana, alguem me chama, nao ouco, grita, entao, meio absorto, viro e nao enxergo ninguem. Estou louco? Nao creio! Estou vivo e na perfeita faculdade mental. Ando mais um pouco... de novo ouco vozes dissonantes,
poeta delirante, nao vem conosco, onde andara aquele que se intitula do polvo.E percebi que as rimas estavam me procurando, recolho as ultimas gotas de inspiracao, volto para casa e comeco e escrever novamente.

4. Pensei na finitude humana que martela minha mente, na fugacidade de tudo quanto ha na terra, na disposicao frenetica de muitos, na corrida do ouro, fama e gloria. Nas minha pisadas de bola, no meu telhado de zinco e vidro, na minha falta de juizo. E constato com Chesterton: o que vai mal no mundo...
eu mesmo.

5. Foram-se as cruzadas, o epico de Camoes, passou D.Sebastiao a fustigar mouros insolentes.Veio a era das grandes navegacoes, o comercio maritimo, o trafico de escravos, Tiradentes, a era Barroca, Colonial, Republica Nova, Velha, Antigo Reinado, foi-se tambem as Caravelas, veio o submarino, a 1a e 2a grandes guerras.

6.Nao exatamente na ordem cronologica as Ferrovias do Barao de Maua, a RFFSA  e outros movimentos, Euclidianos, dos Sertoes, conselheiros de opinioes diversas, o cangaco, Pe. Cicero, Vieira, Othon Bastos,Sao Jorge a guerrear dragoes, de rojoes joaninos, trovoes em ceu limpo, passamos ligeiro pela era dos arcabuzes, pelas cruzes a marcar as encruzilhadas das estradas traicoeiras, das leiras de arroz, do cafe erradicado, dos tostoes da venda do Juca Santana, haja pinga, causos e fama estranha, tramas politicas das gerais e suas duas divisas do noroeste fluminense e do espirito santense.

7.Passou montado em seu alazao o coronel de muitos rocados, o mando da vilania, as emboscadas no boqueirao da ventania, as vozes das ladainhas silenciaram, os cantos gregorianos, o credo em latim, os exorcismos dos cruzios nos delgados ranchos, o sermao dos novissimos calou no pulpito claretiano, as cancoes divinas que amamos tambem emudeceram.

8.Haja filosofia, historia e mudanca de geografia territorial, o poder da Idade de Vargas, o grande exodo do trabalho rural, o amontoado das grandes cidades, abertura, fechadura e ditadura, Quercia, Ulysses, Tancredo, Sarney, Collor, Henrique, Covas e Cardoso, Luis Inacio no palacio presidencial, atualizando os numeros o 2o turno da Marina ambientalista, com Serra e Dilma tete a tete.

9. 'E impressionante o relogio do tempo inexoravelmente passando, a politica pulando de mao em mao e a gente nao conseguindo um guardiao para segurar seu ritmo forte ou retardar por algumas horas seu destino cruel. Morre o homem fica a fama, ou nao.

10.Juizos a parte, a posteridade se encarregara melhor do que eu deste mister, em meio as tantas tentativas desta escrita incompleta as horas continuam a se esvair num processo quase louco e misterioso, sabio e procedente, coadjuvamos a situacao do mundo, ocupamos na sorte papeis principais, mas todos somos uns mais outros menos, personagens de um romance que nao foi escrito, os arredores de uma cidade que nao existe... a imaginar neste contexto o esforco de Dutra, Juscelino, Lacerda quase perco o arrimo. Tudo para eles um dia amanheceu e nao anoiteceu e o tempo para o poeta, para o estadista para o padre,continua correndo levando a esmo a seu bel prazer tudo o que atravessa em sua frente.

11. Quando na nossa ilusao fragmentar pensamos que o temos nas maos ele foge da fama, gloria e brilho e irreparavelmente nao volta mais, esta marcha a re, ele nao quer nem saber de seu nome, sempre em frente com seus propositos insondaveis pela mais inteligente das mentes humanas, mesmo par o QI mais avancado.

12. Esta eu nao esperava, indica a critica de plantao, olha o poeta chamando a si a prerrogativa de explicar o tempo, tirando o nosso sono com alegorias.Vamos colocar uma beca em seu ombro pois neste tom magistral vai assustar os calouros de algum tribunal.

13. Mas nem intenciono tal feito, pois considero estes versos inacabados, faltoso de moncoes. Me situo na escrita mais ou menos qual ebrio na esquina, aguardando a luz do poste acender para que possa ascender a minha casa de escada esguia e vazia de sentido quando fora da poesia minima que me alumia com clareza. 

Helder Tadeu Chaia Alvim
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