sexta-feira, 21 de maio de 2010

Crônicas Torquatianas

1.Tive a pensar no poeta Lázaro Dias Torquato que Deus o tenha, viveu num tempo diferente do atual, quando tudo parecia estar no lugar, o milagre brasileiro,o desenvolvimento do mundo pós-guerra contrastando com a corrida armamentista, a filosofia pululando nos meios universitários do Ocidente, nos circulos intelectuais, a construção exaustiva de tantas teorias e pensamentos.Na prática estouram Woodstock,Soborne, ícones de seguidores setentistas vislumbrando o amor livre, a liberação das drogas em franca constetação à sociedade normativa de então.


2.Sob à sua arguta ótica também pensei em Freud, Darwin, Marx, reunidos para uma confabulação estranha, o primeiro tentando expor a sua visão de sexualidade, seguindo a busca Neardenthalesca, enfim a hora da dialética burlesca. Não deu em nada a conversa pois o sexo, a evolução das espécies e a política não se entenderam e rcaram para outra data o entrevero. O que nunca sucedeu.


3. Não era fácil ao poeta rimar ou desacordar das posições dos figurões proclamados pela crítica, dos preceptores da verdade.A sua caneta tinteiro ,eu me lembro, esquentava às pampas e o seu travesseiro esfriava pelos calafrios desajuizados dos seus chegados. O que ele gostava mesmo era de historiar em suas aulas a linha mestra, grande condutora dos destinos dos povos,as manipulações, as revoluções, em última análise o homem e suas potências, ora para o bem, ora para o mal.


4.Fazía-nos imaginar o vôo de Exupery em busca da sociedade ideal para nunca mais voltar, Julio Verne aficcionado em seus personagens, Hermann Hesse,de uma maneira célebre, sonhando com o encontro da Grande Arte em série.Quem mais? Stevenson povoando de marujos suas ilhas de ouro, repleta de piratas medonhos, Jim Walkins um colosso,nas viagens de Noni na Islândia, mais remotamente La Fontaine elucidando fábulas aos montes.


5. Penso nas mãos do poeta anotando irriquieto no quadro negro os últimos lâmpejos da Idade Média, Alcacer Quibir, a Dieta de Horms, a Renascença, as andanças de Bonaparte, seu fim solitário na ilha de Santa Helena, a queda da Bastilha, Voltaire,impiedosamente Voltaire, Baudelaire e sua simbologia, enfim a queda do Csar o assassinato do Arquiduque da Austria, haja assunto e rima forte, as guerras frias e quentes, a aviação Dumontista e as bombas dirigiveis, os átomos enriquecidos querendo apressar o apocalipse.Hiroshima, Nagasáki,Chernobil, quantos pavores o mundo assistiu, acrescentava ele contristado.


6. Este mesmo poeta se estivesse vivo o que escreveria? Como reagiria aos embates da era da alta definição digital, à moda cubo-futurista de Wladimir Maiakóvski ou igual ao realista Alexander Soljenitsin? Como seriam seus versos na sociedade de consumo,que tão bem vislumbrara, em contraponto à dinâmica escravagista moderna? Qual seria sua posição ao lidar com a física quântica dos nióbios? O que pensaria sobre a estultícia do cromossomo sintético. Já não temos tantas artificialidades neste planeta, pontuaria indignado!

7. Com que versos rudes condenaria a vergonhosa pedofilia, os lucros exorbitantes, o abandono da infância e da juventude, a falta de atenção e respeito a idade senil, à violência a mulher, dentro se seu próprio lar, as corrupções da política, os descaminhos da vida, a licensiosidade, a falta de liberdade de expressão, a intolerância programada,a discriminação estatelada, a falta de oportunidades em todas as esferas da atividade.


8. Com versos tristes olharia para seu planeta, sem água, respiração curta gente abaixo da linha da miséria sem pão e esperanças,sem vezes diria: oh! ânsia maldita do progresso feito trator, nisto encerro com a notícia estampada no Diário do Comércio no Brazil com Z-12 Loco 14/05/2010 no seu prólogo inteligente anuncia: " O SHOPING DOMINA A FLORESTA..." The Wall Street Journal destaca: "...Uma moderna economia de consumo está na rota da região que muitas pessoas ainda acreditam ser uma densa floresta cheia de rios infestados de piranhas."


9. Felizmente minha caneta está acabando a tinta pois não saberia o que chorar a respeito da Amazônia que está perdendo seu frescor, poesia e candura pois a massa cinzenta da poluição já já vai encobrir seu céu,sua mata nativa, uma das últimas esperanças para o futuro do mundo sustentável, me custa acreditar O que diriam Rondon e Jacques Custeau?


10.Nadamos em facilidades, a comunicação sem fio, a informação em tempo real, o You Tube,o Twitter são avanços que endoideceriam a cabeça do preclaro poeta finado, bateria de frente com seu estilo calmo e esta história de ficar 24 hs. plugado fugiria de seus conceitos lógicos. A reverência ao seu talento e gôsto lembrado deve estar alegrando o seu espírito, ora já empossado no seio da grande luz ao que fez jus ao seu chamado de simplicidade, verdade e autenticidade.


11. O que me alegra é que ninguém mais vai tirar, vender ou barganhar seu mérito, oh! meu amigo poeta e santo Lázaro. O Epulão não alcançou seu gesto claro, os tentáculos desta vida passageira há muito ficaram para trás e hoje encontra-se no seio dos espíritos iluminados para saborear a poesia divina na presença de Deus, dos Anjos,dos Santos e da Santíssima Virgem Maria.


12. À memória de Lázaro Dias Torquato, dedico o que se seguiu, amanhã será outro dia e os sonhos se encontrarão empurrando este que lhe escreve e a ti leitor que surgiu na minha vida de poeta mínimo para novas projeções que espero sejam tão boas quanto estes momentos que se permitiu privar comigo algumas linhas deste blog vivo.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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