segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A nova canoagem x latitude zero e a longitude imaginária.

1. Averiguando o veio da latitude, constato que a plenitude do acontecer está para chegar ... e a longitude imaginária continua ainda assombrando a madrugada. Ela não tem pressa, detém a clave misteriosa do porvir. E depende do movimento seu desabrochar. Até o ciclo se fechar vamos percorrrer um longo caminho de aflição e incertezas.

2. O foco hoje em dia se desviou inteiramente do centro de sua gravitação para concentrar-se quase que exclusivamente na massa efêmera de atitudes vazias.

3. A medida do viver está ocupada obsequiando o poder, bajulando o possuir para usufruir comodidades plenas.

4. Os holofotes da propaganda assanha o juízo, estabelece o raciocínio do consumo e uma gama de cuidados com o status programado, obtenção de bens. Essa é a vida que almeja a classe laboriosa que detém o dinheiro elástico ou o desconhecido termo suitability que vai se adequando ao novos tempos das finanças.

5. Não se pergunta porque está no planeta terra, não se levanta a questão, sequer a razão do existir terreno. Tem microondas, celular, congelados, carro total flex, facilidades que mais lhe convém.

6. A robótica chegou com seus avanços incontestáveis, wirelles, bluetofh da comunicação. É de se perder a cabeça e esquecer a leveza inerente à condição humana. O endeusamento da matéria brilha acima de nossas cabeças pensantes um brilho falso e fátuo.

7. De fato não há diálogo que se estabeleça ou você entra na onda virtual ou perde a carreira para a velocidade descomunal. Fico com o avental de pano cru, o fogão à lenha aos domingos, o abraço de um amigo, papel e caneta no alinho.

8. E vou desenvolvendo meu raciocínio, ciente do carinho do leitor que paciente me acompanha e comunga comigo anseios da velha chama a par da situação atual carente de calor, na ausência de tanta cor. Seu brilho e ânimo, amigo faz a diferença e me mantem vivo e esperançoso da mudança para melhor do ser que chamamos, homem.

9. Mas, meu caro poeta, dirão mais uma vez os céticos, incrédulos, não apoquente nossas vidas com estas rimas estranhas e fora de moda. Não cabe na sociedadade pós moderna estes conceitos antigos da antiga era pré histórica... eh! eh! eh! O que vale é o carrinho cheio de compras, roupas de fina ponta, as marcas famosas pululando seu perfume nos shopings centers. Isto é o que conta.

10. Assim não vale! Ah que saudades do jumentinho, cavalo e charrete, do pito de corda, da pinga maravilhosa, dos casamentos em setembro florido, das rogações nos terreirões, dos hinos sagrados, da rapadura, do trem, a compra na venda, a roda nas fogueiras, as conversas, o bom papo à mesa.

11. Que vida danada esta a da geração antenada, não vou mentir tem seu valor, mas encontra-se tão solitária e com tanta solidariedade para oferecer... Não sei adonde vão parar sem terem conhecido a beleza do por do sol, o sertão iluminado, a prea saltitante no descampado, o sapo no brejo encantado, o vagalume brilhando nas noites de céu estrelado. Acho que sem apelar para o pluralismo, dariam tudo a troco desta apoteose singular como tantas vezes vivenciou este caburé anoitado.

12. Mas tudo está prestes a acabar sem deixar memória e o quisito estória não faz parte da nova canoagem. A viagem está se tornando sem volta, a correnteza está cada dia mais forte e denota desespero e grande preocupação.

13. Perdeu-se com o advento do progresso mal calculado a inocência e a consciência de um abastado sertão. Vive-se em meio ao som barulhento e confuso da grande metrópole e não se escolhe o destino a seguir. Sentimo-nos sem face, sem origem, sem sorte e o norte alvissareiro ficou para trás. Deixamos acontecer... Pergunto por que tudo isto? Corre-se o risco de perder o juízo, o equlibrio em meio a tanta notícia iníqua.

14. A vida é uma só depois vamos chorar na cama lágrimas ausentes e soltar as escamas da desilusão. Vamos acordar mundo perdido, levantar amanhã com um pouco mais de siso, antes que seja tarde demais e a balança quebrada não possa mais pesar o prejuízo.

Helder Chaia Alvim
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