sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Sonho Perdido

1. Estou a um passo do julgamento, é mister registrar em cartório as notas do que considero meu último acorde, a música de uma tocata indeferida, certo refrão de sonoridade não dirimida, a pintura desconhecida nas galerias do coração.

2. O sonho perdido para sempre rompido não foi sem razão,houve quem nesta vida me amasse de verdade, por mim se enamorasse vivendo uma grande paixão.

3. Ela era meiga, sincera seus versos me deslumbraram. O sonho perdido não será mais encontrado, uma árvore de dourados pomos nunca pomos onde nós estamos.

4. Hoje sou muito infeliz, a felicidade foi embora, embotou a raiz, procurei e não encontrei, estava aoende eu nunca quiz.

5. Uma pobre dama alegre, célere em desvendar um grande mistério, estou pagando um alto preço pois sei que mereço, não compreendi o meu coração. Eu a amara deveras não me dei conta na certa e hoje a desilusão me encerra na tôrre que vela minha incompreensão.

6. O sonho perdido para sempre rompido não foi sem razão... Sepultou meus anos, esvaneceu meus desenganos, porquanto escrevo estes versos amargurando meus revertérios de uma falsa solução.

7. O que me resta? Isolar-me na tôrre que vela minha incompreensão. O sonho perdido para sempre rompido não foi sem razão...

8. Estou amargando a falta de siso, pois não quiz entender da Bela Cítera , os juízos, arquivo os sentidos, não sem antes dizer: Leve-me consigo, constitua-me novamente seu único abrigo. Quando desta terra se for,
consolarei suas dores, encherei de hinos, cores e de um amor puro seu alvorecer etéreo. Oh! meu anjo trovador!

9. Cancioneira por mim esquecida, ignorada por levianos planos, alivie meu pranto, perdoa-me, portanto minha santa sonhadora.

10. Assim termina minha história, Zé Lineu, com tonalidades de ficão, caso encerrado, loas desarmadas, hoje mal ouço ao longe os passos cadenciados de uma grande e incorrepondida paixão. Este foi o retrato escrito daquela pura visão. Estou sozinho, nem por isso perco o juízo, oh! meu quase irmão!

Dura Lex, sed Lex!

Helder Chaia Alvim
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