quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pam - Pararã, pam, pam, pam...

Pã, pararã, pam, pam, pam.

a. A caneta desliza no papel. O movimento começa sem objetivos definidos, as crianças com seus alaridos sonoros, doces gritos. Thorquarto, cão irriquieto assunta o infinito, se esparrama pelo chão para ressonar um tantito . O irmão pegou estrada, segundona é sempre uma barra, pararã!Laurinha e Silvia, ausentes, pararã, pararã!!! Mestre Valter Luz na viola tira notas melodiosas, recordando sons, afinando tons de um tempo esquecido. Assim aquele domingo passa e a noite, senhora taciturna, vem vestida com seu manto breu, aos poucos o silêncio chega também, traz aquele perfume de duplá. Ele e sua amada vão sair para dançar. Leon pensativo, fita o pai com olhar de admiração e não disfarça a emoção.Benjamim se ajeita na cadeira, espreguiça e sonha com um mundo feliz...

b. Amanhã já é segunda-feira!!! Chafariz!!! Ah! havia me esquecido, fato novo, Silvia e Laurinha aparecem na janela, nessa hora os vaga-lumes solidários dão o ar da presença e alumiam sem cessar - o gigante- no jardim, os grilos em coro enchem o ar abafado com seus costumeiros cri, cri, cri, algum sapo retardatário faz-se ouvir, a coruja se aninha, dá boa noite `a bicharada e anuncia que vai ficar acordada.

c. Os cães do Chantrê conversam entre si animados. Será o que tanto confabulam? Thor levanta bem humorado e se dispõe a fazer a ronda costumeira, dá uma volta em torno da piscina, desce no quintal, aguça as narinas, corre até ao portão da rua, entra em casa,dá uma espiadela no gato Paina e retoma o seu perambular...*pararã, pararã, pararã. Bon Nuit!
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P.S
* Pararã, era uma bandinha musical de uma cidade imaginária chamada Crisálida, objeto de meu próximo romance. Nas festas de Rio Grande da Serra, ela madrugava com muita algazarra e pouca técnica, mas divertia a todos. Seria uma espécie de 'orquestra sanfônica', à moda descompromissada de escrever poesia... "minimalista"
como definiu bem Inti Leal.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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