segunda-feira, 24 de novembro de 2008

ensaio sobre as sensações

1.Quantas sensações ao longo do dia atravessam em nossa frente que torna-se difícil discerni-las corretamente, apresentam-se poderosas, despojadas de interesses, esbanjando certezas, lisonjeiras, agradando sobremaneira, capciosas, blefando sem cerimônias, maviosas,afirmando preliminares, pretensiosas, acenando honras fugazes, sem mencionar os ares de prepotência e insolência predominante.


2. Neste redemoinho alucinante, habita o risco concomitante, as preocupações não dão tréguas,o fenômeno podaqui se estabelece, anuvia a razão, nos quebram, nos ensurdecem,senhor suserano sujeita príncipes, homens do povo, atinge de cheio o antigo e o novo, aparta a inspiração e a paz.


3. Não sei o que seria da esfera global se não fossem os pensamentos, único sustento cabal em meio aos despautérios presentes, ou melhor dizendo, sei sim, um campo imenso de sensações indômitas, ausência de refrigério, capazes de pulverizar o mundo num clique apenas.

4.Não cabe ao poeta desvendar, somente apenas levantar o véu da perpétua mutação,a vontade submissa capitula-se, vai ao chão, as sensações soberanas ditam doravante as normas e o mundo se conforma com o caos em ebulição.

5. Nas trincheiras apertadas os pensamentos se enfileiram, a brasa ainda fumega e na espera demorada o que restou das fôrças do bem se arregimentam, o passado de glória os sustenta, os arcanos se concentram, o grande toque de recolher os orienta.


6. Nos quatro cantos do mundo os selos são quebrados, os imponderáveis revelados. Amanhece no universo o grande dia revelado, as potências acordam com propósito inusitado. Os clarins anunciam a batalha, o julgamento tarda mas não falha e tudo carece de explicação. O tempo de semear, colher, passou. O firmamento carregado de impressões avermelhadas e cinzentas parece pressentir o grande momento decisivo do embate.


7.O poeta, coitado, plugado na História, na sua mente a trajetória de um mundo cansado de injustiças, vaidades, transformações várias. Não faltaram os avisos, os milênios o comprovam, os prejuízos seriam minorados se o calor humano fosse respeitado. Infelizmente nada disso encontrara exequibilidade. Os átomos embravecidos foram deflagrados em proporções nunca antes imaginadas. Quem tiver a ventura de sobreviver a hecatombe, com siso e radiante poderá construir um mundo novo baseado na harmonia, pois das cinzas frias nascerá um novo dia...para o que restar da humanidade.


8. O tempo registrará os sinais quando estiver prestes a se consumar. Os tambores 1+6 repicarão, os ventos ruidosos se concentrarão para levar a turbulência de fôrças descontroladas espalhando a consternação.

9. Muitos dirão iluminadas as palavras de um poeta mínimo, elas não carregam consigo visões de desatino. Os prognósticos subliminares já se tornaram conhecidos, divulgados, corroborados.Estas rimas aleatórias enfatizam a situação de alerta, que sem em bloco homogêneo as potencias detentoras e as emergentes propulsoras não viabilizarem a medida correta, a vida no planeta Terra se tornará muito em breve, incerta.


10. Muito bom seria se omitisse estas loas amargas, se a espada de Damocles não fosse a grande ameaça moderna, se o Co2 estivesse em patamares aceitáveis, se o avanço da ciência e tecnologia em níveis invejáveis se tornasse de igual valia, beneficiasse todas as partes, se a essência humana fosse preservada, o mundo seria um paraiso, onde todas as raças irmanadas conjugassem as fôrças do bem.


11. Então, o poeta minimalista, falo por mim, explanaria versos, se tornaria o paladino das cores,cultivaria flores para ofertar ao parnaso dos pensamentos soltos.Ao invés, amuado no seu gosto, canta triste sensações outras, que preferiria esquecer de uma vez por todas.

SP 24/11/2008 - Poesias Arcanas - verso 17- pág 23.
Helder Chaia Alvim
Poeta Minimalista

Postar um comentário