quarta-feira, 29 de outubro de 2008

o acalanto

                 o acalanto

1.Deixar a palavra impressa acarreta responsabilidades e a probabilidade de ser compreendido, a meu ver, fica um tanto obnubilada se a essência não for bem limada.Do que adianta elaboração exaustiva se a locomotiva do pensamento não acompanhar a inspiração e a aparência carregar consigo a ausência de uma cantiga suava. Não sei se a hora é propícia, só há um jeito de saber, falando agora, pois o anoitecer da vida bate à minha porta.


2. A privação momentânea estanca a elevação, mingua a energia criativa, acelera a apatia seletiva. A fome é dureza, situação desconfortante, agride a natureza, dois passos adiante, lá vai o caminhante, torna-se triste o seu semblante, o estômago suplica um pão, a mão que o levante. No momento colhe o nada, sono ausente, cansaço requerente, suor frio, transpiração divergente.


3. O peito desacelera, as miragens não mais o alegram, vaidades à léguas, os nervos desesperam,na espera demorada, lágrimas já não são encontradas, lástimas porque declamadas? O raciocínio torna-se lento, o acalanto seu único sustento. Fome, infortúnio fracasso, descaso são seu momento ( pareceu-me  a imagem do Brasil atual...)

4. Mas... mas ainda consegue na sua confusa inspiração rabiscar alguns versos ou pensamentos colhidos ao vento, eu julgo, para engabelar a privação momentânea, é um jogo, almejando a volta da fartura momentânea, eu pulo.

5. Dramas à parte, nem tudo é desastre. Se não fôsse a situação descrita de desdita ou imperícia,talvez não receberia o afago das rimas suaves a roçar em sua face, não ouviria a cantiga ao longe de um misterioso acalanto, não correria célere nas asas da imaginação à busca de um espírito leve para doravante aquecer sua vida, vivida, para fortalecer sua veias sofridas e finalmente restaurar as energias perdidas.

Helder Tadeu Chaia Alvim
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