quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Lunações de um poeta mínimo... a Fernando Pessoa

1. Escrever é muito bom, meu caro e proclamado poeta Fernando Pessoa. Mas ando atualmente sem inspiração. As loas se afastaram sem aparente explicação e não encontro mais o ponto de equilíbrio para tal lunação.


2. O que fazer? Sem este exercício não consigo viver. Esperar com paciencia seria padecimento. A ciência das letras é algo que transcende ao meu entender. Sua abrangência assusta e cala vozes ao alvorecer.

3. Assume e fala com conhecimento apurado, acerca de conquistas, amores, ódios, dores,desencantos, clemências e destinos jurados. Vá saber o que se passa na cabeça do poeta... Quantas recordações! Seria um misto de fé e coragem? Ou coração apertado, visões de um norte abençoado, como preconiza Alberico, homem sábio.

4. Você, Fernando, melhor que ninguém, pode deitar luzes ao meu raciocìnio por demais lento. E não me venha com mais nem menos, talento é o que não lhe falta, minho, entre tantos pseudônimos, que fatos sobram. Sabe, amigo, um pouquinho mais de conversa auxiliaria em muito este discípulo lerdo a entender afinal a essência correta, com suas interlocuções, transcendências e variações.

5. Foste genial em suas concepções, vate maior, desdobra os pensamentos em mil canções,anestesia a alma na pureza das intenções, vigia as letras, prestigia a semântica, interioriza a síntese, robustece a linguagem, galanteia a prosa, ampara os versos, agrada a sintaxe lusitana.

6. Com todo este formidável cabedal, sem redundâncias tal e qual! Oh! Poeta, Pessoa sem igual, me dê uma forcinha afortunada, dizendo-me como ascender ao patamar dos imortais, não para colher louvores e louros de reconhecimento, mas para acalmar minha consciência um momento apenas, beber na fonte um gole, um grau de discernimento

7. Creio ser as lunações um bom acepipe, as idealizações um bom convite, trago comigo um alvitre, ao escrever sobre você, oh! grande poeta dos versos iluminados, fico lisongeado e por demais esperançado.

8. A noite no hemisfério sul já está adiantada, o silencio impera ao lado dos poetas do povo, a cidade adormece e me parece que você grande mestre ouvirá minha prece... boa noite e até outra ocasião, quando voltar a inspiração.

Helder Chaia Alvim
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