quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O homem do chapéu

                     o poeta que usava chapéu

1. Usar chapéu em muito caracteriza o poeta, descortinando algo inocente, "mal sucedido na vida", podem pensar os desavisados de sua essência pura. Mas, o chapéu é sua casa, seu escritório, abrigo do sol , partícipe do sereno, veste bem na chuva, nas madrugadas vazias, a todo momento...


2. O chapéu e seu dono são um só, dão nó no cabeça de vento. Use o chapéu Sr. Poeta e ganhe o brinde da eloquência, seu ornamento.Assim aprendi de Fernando em pessoas, o chapeleiro amigo e lúcido da mais paulistana de todas as ruas... o poeta das noites frias, nunca vazias de sentido...

3. Lá vai ele, o poeta dos versos soltos, loas inspiradas, semblante calmo, passos cadenciados, munido do alforje da subsistência, o bastão da paciência, de rimas à tiracolo, ele carrega consigo o sentido único da existência...

4. E na fronte do pobre poeta sem nome, seu troféu meio usado, o chapéu, solene, eternizado. Por isso ele canta versos na humildade e confessa na verdade ser fugaz o som das letras.


5. Ele fala, ouço a sua voz: 'O que você quer... faça!' Ele se deteve por uns instantes lá num bar da augusta paulistana, pediu uma pinga do alambique de Taveira, tomou uma folha de guardanapo e deixou impressa esta palavras anônimas, tão desconhecidas da mídia qual ele mesmo é desconhecido das estantes literárias: - noites frias vazias de sentido, acho que não, nela idealiza-se mundos, muda-se os rumos de um universo em versos...

6. - Quem sou eu? quem somos nós: ah personagens de um romance que não fora escrito, os arredores de uma cidade que não existira, mas é preciso persistir no sonho e nunca deixar de admirar...

Helder  Chaia Alvim
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