sábado, 18 de fevereiro de 2017

The decline of comum sense

         THE DECLINE OF COMUM SENSE

1.   Há muito tempo que se perde nas brumas da história existiu um reino que se chamava Paina do Cacter Geral situado no hemisfério sul, era rico em recursos naturais, possuía dimensões continentais, de solo fértil, irrigado por rios soberanos, banhado por oceanos, possuía as praias e falésias mais belas do mundo, parecia um paraíso de delicias naturais, vegetação exuberante, de altas serras, onduladas montanhas azuis, um primor de lugar.
2.   Seus habitantes, naturais da terra tinham herdado de seus ancestrais o sonho latente de liberdade, uma ideia entranhada do bem comum maior, eram uma raça audaz e hospitaleira, cordata e simples que encantava a outros povos.
3.   Solidariedade era seu lema, tanto que quando um vizinho ou mesmo alguma aldeia distante carecia de trigo podia está certa que o auxílio vinha quando menos se esperava. Trabalhadores, honestos e de fé viva reportavam ao Criador a abastança em tempo de safra abundante e ao Divino Pai Eterno pediam ajuda na estiagem prolongada.
4.   Tudo era motivo do riso solto, e as efemérides da vida eram sempre motivo de comemoração. Na colheita lá se punham eles a dançar e festejar, nos matrimônios numerosos mais festança e jantarado, nos nascimentos flores, e na hora da travessia de algum ente querido a compunção e as rezas prolongadas.
5.   Muito bem, sonhavam ao amanhecer de olhos abertos despertos e ao anoitecer se reuniam em torno do fogão à lenha embalados que eram pelos contadores de estórias sem fim... e naquela hora que convida à oração abriam suas mentes para seu destino certo de paz e harmonia, amor, camaradagem e bem querer.
6.   O acalanto era seu hino nacional, a sua bandeira motivo de orgulho e admiração, pois retratava a beleza dourada de suas convicções, o verde do eco sistema, planícies e montanhas, o azul de seu céu, o branco de sua paz sem condições. Tudo muito lindo, tudo muito alvissareiro.
7.   Não existia as grandes cidades em seu reino, apenas vilas e povoados entrecortados de paisagens campestres de perder o fôlego e encher a visão de alegria e felicidade de situação. Este reino ao qual me refiro existiu aos quinhentos anos atrás e tinha uma população de 5 milhões de habitantes.
8.   Mas um belo dia, um vento estranho soprou em suas faces e viram gente diferente aportar em suas remansas praias, eles viram a ganancia nos olhos deles, e pouco a pouco, dado a hospitalidade dos habitantes daquele reino, os estranhos seres foram assenhorando-se de seus domínios, e pouco a pouco um movimento contrário se fez sentir, e não correram cinquenta lustros adiante, o declínio do então Reino Paina do Cacter Geral se fez ver a olhos vistos.
9.   Poucos, muitos poucos resistiram, a maioria aquiesceu e saudou o progresso fisiologista dos novos mandatários, ora eleitos pelo voto da maioria, retalharam o reino em estados, e municípios e arquitetaram tributos em forma de impostos. Nas capitais seus filhos vestiram togas, receberam o título de doutores, as tribunas substituíram seus sonhos, as Igrejas deram lugar às tribunas, a luz de neon substituiu o brilho fátuo da lamparina, os valores se tornaram outros. Honra, justiça e bom senso se ausentaram dos corações daquela gente.
10.         Muitos até se abalaram para as recém criadas megalópoles ditas modernas, a quem se esqueceu de seu passado modesto, e depois de muito chão a face daquele reino fora desfigurada e que passava por ele não o reconhecia dado a balburdia de suas tavernas, dado a movimentação financeira de seus átrios, dado a correria insana daquele povo, outrora tão calmo e dono de si, agora elétrico e focado no consumo de bens perecíveis.
11.         Criaram bolsas de valores, bancos, arranha céus, o lucro, o comércio e ninguém era mais conhecido pelo seu nome, apenas número, qual mercadoria em série. Abandonaram o salutar hábito de pensar, de olhar no olho do semelhante, e acreditavam em tudo que os meios de comunicação despejavam a toda hora em sua mente.
12.        Na sua central organização bolaram leis até razoáveis mas deixaram duplas e tripas interpretações, e na sua dúbia maneira de enxergar a realidade desestimularam ações heroicas para focar no ganho e ter fortuna, sucesso e aplausos, mesmo que para tal trapaceassem, claudicassem, burlassem as mesmas leis que outorgaram    a sociedade.
13.         E não pararam por aí, de geração em geração o mais esperto era visto como vencedor, os que cismavam na abstração foram tachados de loucos e armou-se uma espécie de patrulha ideológica em constante vigilância para não deixar mais brotar o bom senso e a elevação de pensamento.
14.         Idearam um tal supremo que não suprema, mas que suprimia os direitos e o senso comum dos habitantes do outrora reino do sonho sonhado. A política não cuidou mais de suas relações exteriores, de sua defesa territorial, nem tão pouco da justa fiscalização de suas contas públicas. Os impostos de elevado teor tributário eram cobrados pontualmente, e quem atrasasse reincidia sobre o tributado, multas exorbitantes. Inventaram o dinheiro de plástico, e quem excedia o limite os juros se tornavam mortíferos e assustadores.
15.         É pois zé, sem falar que os tais impostos arrecadados não voltavam para a população em forma de melhorias, e a corrupção se alastrou naquele reino privilegiando a ‘casta’ dos honoráveis políticos, e se puseram a legislar em causa própria e fatiar a nação em novas sesmarias deixando o povo no apartheid total, sem rumo, voz e vez.
16.            E se me perguntarem o que aconteceu com o destino daquele povo digo     sim que um dia foram as ruas, e no outro começou uma tremenda comoção social em detrimento da paz sonhada, do sonho de liberdade, do desejo de bem comum! E a reserva de generosidade e heroísmo se esvaiu qual bolha de sabão empurrada pelo vento.
17.         A prudência e a paciência de outrora esboroaram-se, as aventuras emocionais, e a irracionalidade tomaram quase por completo a mente e as ações daqueles habitantes, outrora obsequiosos de suas tradições, costumes e cônscios de sua cidadania e bem comum.
18.         A corrupção sistêmica na malha política roubou deles seu sonho de liberdade e   auto - determinação, anestesiou seus valores de honra e civismo, e afastou quase que definitivamente de seu horizonte a esperança de dias melhores para sua prole. Mas vi que ainda não haveria a derrocada total, pois no olhar daquela gente pude perceber que a saudade de antanho persistia encrustada em suas almas, que a vontade de fazer as coisas certas dormitava em seus corações sensatos e em determinado momento iriam olhar coletivamente para dentro de si e soltar um basta do tamanho de seu sonho latente de bem comum
19.         Para meu alivio acordei, fora um pesadelo e tanto... passei a anotar para compartilhar aos meus chegados, de mesa, prosa e bar... será?! Qualquer noite destas talvez volte a sonhar de novo, Deus o queira, espero que seja para ver que aquele Reino do Carácter Geral tenha acertado o prumo, exorcizado a política maléfica, realizado as reformas de cunho constitucional para a felicidade de seu povo e para o bem comum maior de um novo tempo de abastança, sustentabilidade moral e cívica, que estas rimas e outras o digam!
Chaia Alvim Helder









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