sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Coração de Mel

I
Onde andará o coração de mil melodias? Que surgiu no brilho de um sorriso em junho frio e aqueceu a vida de um certo poeta. E no calor de um abraço terno revelou o doce olhar de seu jeito sincero.
II
A onda do mar sem fim é assim: ao acaso surge, na inspiração se compreende, na trilha afora se estende, na prosa e verso adiciona-se, nas estrelas, oceanos, vales e montanhas, vislumbra- se.
III
Ai da rima _se não fosse a partícula SE, se quiserem indispensável até. Ela mereceu ser lembrada, estar a seu lado é um poema, ouvir sua voz um dilema, ser seu amigo uma razão a mais para acreditar no inatingível tempo, ao lado dela, onde estiver, a existência tem sabor de suave delírio.
IV
A cada dia uma visão se sucede à outra, podem achar devaneios, mas no seu olhar não anda-se, voa , não caminha-se faz-se peregrinação, na sua intuição feminina atilada a vida se torna mais leve,o juízo esclarece, a calma e a paz estabelecem a prosa alegre, ou a possibilidade de um sonho arcano ser decifrado nas asas da imagem em ação.
V
- Oh! amigos: mar e tempo não duvidem não brothers do eu digo! Ainda não terminei, por favor me ouçam mais um pouquinho antes de rasgarem estes versos escritos ao amanhecer, sentidos para perceber; dela a gente não se cansa de falar, a sua lembrança traz uma suavidade incomparável, seu nome destila néctar espiritual, gotas de riquezas indizível, uma realidade empírica emanada dela que pouco a pouco me envolveu completamente.
VI
- Oh! tempo não fora seu impulso dos deuses que determinou o encontro do mar e a lua? - Oh! mar não aconteceu você ter soprado a monção da esperança que trouxe esta amizade sem fim... Então porque ralham comigo como se eu ousasse roubar-lhe o encanto.
VII
Então ela mereceu este louvor e outros mais... a razão e a emoção juntas me conduziram a externar em palavras o universo de intuição que poucos conhecem mas cuja a alegria esta estas rimas soltas pretendem doravante cantar. Ao fitar sua fisionomia um quê de humano, simples, sincero e divino afloram naturalmente, sem se revelar inteiramente. Juízos e observações à parte, a cristalina amizade que nos une nesta cidade me permitiu escrever esta trova deveras.
VIII
Calem-se hoje os bytes velozes, desapareça de sua frente a moda fotoshopeada, ela não carece destes artifícios e nos solstícios de inverno setembro desponta no calendário e de onde estiver vou me lembrar de seu aniversário com carinho e afeição.
IX
Ao contemplar solitário o mar sem fim... ofertar-lhe-ei rosas de mistico sentido a pensar comigo: a Mel é assim... – Oh! Mar, leve esta canção singela a ela por mim! - Oh! tempo me dê uma chance para desfiar estes versos de presente, mesmo despedaçado pela ausência momentânea, carente ao extremo de sua presença amiga. ansioso de sua anuência, vou frequentar por um instante apenas seu pensamento e declarar o quanto prezo esta amizade sem fim...-Ah! amigo mar você já se sentiu assim ao avistar a lua clara e não poder tocá-la com amor pela distância que os separam?? Dedicar a ela versos e mais versos nas enseadas frias? Compor uma melodia a cada minuto? Pensar nela a cada segundo?
X
- Ah! Amigo poeta, eu entendo sua inquietação, também fui guerreiro e conquistei várias sereias, mas a mulher que admiro ficou distante e Jorge ganhou a disputa em riste, fiquei tão triste que minhas lágrimas lá no começo inundaram metade da terra. Amigo estamos nessa e a sua vantagem é que poderá velejar até ela, rolar qual pedra para seu pedacinho de céu.
XI
- Obrigado mar sem fim... vou sonhar e desejar para ter este tesouro sempre perto de mim... ouvir indefinidamente a melodia suave que brota dos lábios desta ninfa de mel.
XII
Confabulei com ela nas mesas de bar, entendi seu pensamento, interagi o entendimento, estendi o mais que pude o momento, analisei pelos seus olhos o movimento do tempo na São Paulo das manifestações e dos contrastes mil! Ela me ensinou a ver a face correta do semelhante, e aos poucos fui percebendo em sua alma detalhes escondidos e hoje me ponho a rimar recordando seu semblante alegre e sorrio, e me ponho a rimar para sempre e sempre no seu universo viajar mesmo estando a 970 km de distância.
XIII
É, ao fixar seu olhar,numa boa, queria possuir do mar a imensidão, a amplitude, a coragem, a suavidade para prosseguir esboçando versos e mais versos do coração! - Ah! tempo irmão das coisas efêmeras > me diga francamente você que conhece o sentido exato da existência, que já viu muito, viveu o bastante, você já sonhou acordado, já se encontrou a cismar nas asas do vento impetuoso em noite enluarada?
XIV
- Já sentiu o gosto de duplat em seu paladar amargo e porventura, atordoado, em suas veias não se confundiu em seu próprio time? Você algum dia 'irmão das coisas fugidias' à moda de Cecília Meireles, não ficou ou não passou quando esteve ao lado de alguém que admira e não parou o relógio?
XV
O tempo como que disfarçou seu riso irônico e declarou seu ponto fraco: - Simmm, foi numa tarde de sol eu me apaixonei por ela, uma nuvem bela, e consegui dela um quis eterno. Fui punido e hoje vagueio vigiando a efêmera condição do ser que deveria ser humano! Mas poeta é assim, gosta do imposível, e quanto mais o mar for sem fim, melhor!
XVI
- Mas... mas... poeta me fale mais dela, desta princesa que arrebatou seu coração... continue amigo de minha condição, aprecio sua elaboração e sei que não mente, o que fala sente. - Misteriosa sereia, que clareia o pensamento, o sentimento incendeia, ela conseguiu unir em sintonia o concreto e o abstrato. Esse é seu o retrato no esboço desses traços, amigos mar e tempo!
XVII

Então o tempo balbuciou pensativo uma espécie de prece, parece }'kaire poiésis ars tou karpous' e tive um arrepio: -Você passou junho esperando setembro... poeta, poeta calma, cada rima a seu momento. E continuou com uma voz que ficou gravada em meu ser, e não era nada do que queria ouvir para meu gosto desencanado, que me despertou de um sonho... que relutava em acordar. Mas fazer o que? - Veja meu caro, veja você que o mar na sua maré alta pula sempre para tocar a lua, dança uma valsa em ritmo de baião, mesmo ao captar a essência da lua, ele continua mar, sem chance de amar... e a lua devaneia formosa flertando com o astro de sua estatura e beleza...
XVIII
- Entendeu! Aos poucos volto a realidade, olho para cima e vejo a lua serena a refletir no mar de Marataízes suas 
certezas, toco no mar, ofereço a ele meu ombro solidário, somos parecidos, idênticos e ao me distanciar ainda ouço sua voz rouca, que entre lamentos e afeição parece dizer: 'kekaritomene ars poiêsis, kaire mel luna karpous'. E na silhueta do tempo que vai passando lentamente em minha frente me disponho a encerrar esta rima benfazeja agradecido a Deus por me proporcionar a oportunidade feliz de homenagear a meu jeito uma grande amiga e oferecer-lhe a inspiração nestas linhas, contida. 
XIX
Dezenove não é vinte, e para chegar em 22 falta trecho, é vejo que foi bom navegar por esses mares de mel, e por falar nela, aliás o que fiz o tempo todo com alegria e gosto pensado sem pesar na alma e com calma pretendo encerrar, viu.
- Querida amiga Mel Santana, estes versos são seus, guarde deles o que for bom para você,fragmentos esparsos de nossa
amizade, espero que goste de verdade! Postei estas estrofes em forma de prece, parece, nesta criação que guarda a grata 
emoção de ser seu amigo do peito.
XX
O título você escolhe, o presente é seu, somente seu, curta-o o quanto puder, o passado ficou no mar, o futuro pertence ao tempo soberano. Deixo a ti um grande salve, e que tua estrela continue a brilhar na vida de todos os seus amigos, inclusive eu. Sob o signo de mel foi ficando nesta paragem do mar sem fim, pois o tempo é assim... 
XXI
Que a chuva possa cair + mansamente em seu telhado, que Deus possa tê-la +calmamente na palma de suas mãos até que nos encontremos + uma vez. Abraços de saudades,de algum lugar do reino da amizade sem fim, perto do coração de Mel assim...
XXII 
Vai chegar, está a caminho... ah! um dia frio de junho as mãos preguntaram a uma certa rosa porque perdera a razão?
Ela pensou, pensou e respondeu com aquele perfume de mel que na verdade permanece na sua essência de rosa primeva e
respondeu simplesmente: - Entendeu... foram as gerações humanas que perderam o olfato e sensibilidade do toque essencial... ah! ah! ah! As mãos quedaram amuadas e sem dizer mais nada silenciaram...


' Sonho é um desejo d'alma n'alma a adormecer. E no sonho a vida é calma, é desejar para ter. Tem fé  no teu sonho, teu lindo dia há de chegar. Que importa o mal que te atormenta, se o sonho te contenta. E pode se realizar...'


Abraços de saudades,
Marataízes - ES
12/09/2013

Helder poeta











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