quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Gigante que dormia na curva do rio...

                           
1. Ah! o Brasil que amamos, que nasceu à sombra da árvore da vida em que rumos encetou? Não certamente naquele que um dia o Príncipe da Paz imprimiu suavemente na terra sob o bafejo sagrado da Virgem de Nazaré. Se iguala mais aos rumos do império decadente dos Césares Romanos, ao clássico: ‘panem et circenses’ ao regalar hoje o consumo, os modismos, a ausência de cultura e calor humano.

> Em São Paulo assistimos uma Virada Cultural que não virou, teve até Senador da República assaltado em seus pertences... A coisa está séria e o markenting cultural não está resolvendo os anseios maiores da moçada... A meu ver o que realmente há mister é de políticas públicas que contemplem durante os 365 dias do ano integralmente os artistas de rua, poetas, artesãos, músicos, escritores, artistas plásticos, etc., numa bem estruturada ação e- arte e não esta - apesar da boa intenção - aglomeração perigosa em que põe em risco a vida dos cidadãos do bem.


2. Sob o jugo anestesiante do ter em prejuízo de ser uma grande nação, solidária, equânime com suas contas publicas em dia, sem este assistencialismo de cabresto, sem esta violência crassa, sem esta disjunção entre o pensamento e a prática, sem esta empreitada exaustiva nas passarelas fashion da realidade editada.

3. A Grécia de Sócrates um dia esboroou na dicotomia entre ação e lógica; Roma altiva implodiu sua gente nas sombras do mundo bárbaro e nem o grande senador Cícero conseguiu obstar seu declínio. Em tudo e por tudo nossa era não difere ‘destroutras’ quando a  democracia de uma sucumbiu ante a ambição do mando ou sob a bota de Títeres laureados, destoa sim a não ser pela amplificação dos bytes vigiados a serviço de uma política deficiente e fora do eixo constitucional que ameaça constantemente o equilíbrio e autonomia dos três poderes constituídos.


4. Em tudo e por tudo a verossimelhança entre a ‘pax romana’ e a res publica bar zileira se apresenta símile, à situação psicológica que pregou o Justo sob a ovação da turba multa, impulsionada pelo conluio sinedriano na lendária e santa Jerusalém do ano 33 da era cristã, com uma agravante que estamos no reino da alta definição nióbica que transforma seres humanos em máquinas anômalas e cilício em cérebros pensantes.


5. Pesar a mão na escrita de pouco adianta, apelar para a noção de bom senso não resolve e sequer encontram ressonância natural neste imenso país continente de riquezas 'indefinidamente' in vitro, de poder e charme esbanjados à custa do erário em contraposição ao senso comum, onde o fazer público se antoniza com o povo que o elegeu. Os anseios de unidade nacional e brasilidade como queriam Gilberto Freire e Mauá se esboroam nos muros não  representativos da atualidade brasileira. Para que? Porque? Soem acontecer desta forma, não o sei exatamente, talvez Lampedusa esclareça: ‘... para que as coisas permaneçam como estão, é preciso que tudo mude...’ Será? Serão? Em face da realidade atual, eu passo!

6. Ante os cordéis da fama agitados na azáfama do momento fútil tudo é possível, imprevisível, enredos montados, passíveis de acordos; pautas e mais pautas preenchidas pela voracidade dos interesses partidários fazem escola e impedem ao Brasil de decolar para seu destino de verdadeira grandeza pátria no concerto das nações.

7. Ao andar pelas ruas da metrópole paulista ( termômetro inconteste da situação doméstica) tem-se a impressão de ver gente que anoitece e não amanhece, gente faminta de pão espiritual, gente desnuda no seu corte à carácter, gente carente de conceitos empiristas e desapracatada em seu recato concretista, gente ativa em potencial, muitas vezes quedada em seu canto desativado, sobrecarregada pelas contas a pagar, desalentada em seu seio familiar, e descartável no que tange aos aspectos financeiros.

8. Gente que a sorte contrária condenou ao invisível de sua condição outrora pujante, gente batendo o prego sem estopa e envolta sem perceber numa vida surreal, presa a conceitos ditos modernos, mas que guardam em seu bojo o inferno existencial, gente sensata que na exata medida de suas conveniências se isola em seu ‘infinito particular ‘, esquecida da alma aquecida na cultura e prece correta. 

9. Muita gente, gente de todo o quilate humano, diversa, simpática, inteligente, sóbria, simples, empoada, introspectiva, espontânea, sombria, triste, alegre, comedida, louca, irmã, gente acelerada para não saber aonde ir, gente apressada em sua evolução neutrina, gente imprensada cantando a beleza da vida a plenos pulmões, gente poética, lírica, patética, gente a esgrimar com o tempo, o relógio e a agenda, gente a se refugiar nos smartphones, a saciar sua sede de futilidades nas redes sociais yotubeanas.

@ Gente andando de bicicleta, a pé, de moto, carro e caminhão, avião e ônibus nesta imensa e complexa cidade nação onde a vida passa de repente, às vezes com silvos de serpente e o tempo agigantado não espera e pela janela vi nuvens diversas, ao acaso dispersas, inversa de dores, de sabores perplexas.


10. Muitas realidades presenciei, infindas solidariedades vivenciei, de um povo sofrido, desapercebido talvez, no revés forte e constante, de planos periclitantes, cambaleantes de anos, sem falar dos desenganos numa extensa e rica metrópole de diversidades mil.


11. Vi gente misteriosa, desnuda, muda, atenciosa, laboriosa se quiser, se puder, silenciosa, sequer talentosa com as quais meus sonhos de mundo bom compartilhei... Com tudo isto chegar ao fim e um não valer por um sim a verdadeira rosa vai desabrochar com perfume de jasmim, afinal por sinal dos tempos a Grande Arte vai chegar!


12. Isto tudo eu vislumbrei pelos olhos dos homens simples do povo e esta gente gritava um grito forte que ensurdeceu a nação canarinha e diziam na amplitude de todos os lugares: - Acorde gigante Father de seu sono letárgico e pese bem o que realmente quer para si e sua geração de filhos devotados. E ele dormia um sono solto intercalado de pesadelos, pude perceber sua respiração ofegante. Em determinado momento seus tremores cessaram, passou para um ritmo suave, balbuciou alguns sons ininteligíveis, abriu os olhos e no seu olhar pude ver coisas que não sei contar e  palavras mais bem arranjadas não saberiam exprimir corretamente.

@ E uma série de intuições passaram em minha retina de uma só vez, eu vi o esforço de Nóbrega e Anchieta e sua fé conjunta na terra iluminada de Santa Cruz; eu vi Mem de Sá e sua épica jornada; a guerra e destemor de Arariboia e seus feitos marcantes a favor do Brasil Colonia; Bernardes e Vieira, ambos em sua oratória primorosa discorrer sobre o destino promissor reservado à jovem nação; vi a sorte de Antonio Conselheiro sua luta e prece, e depois  receber da mãe pátria, açoites, canhões e morte; a azáfama e missão de Mauá e Taunay, com visões de  além época; as andanças categóricas de Euclides e o sertão em riste de resistência. 


@ Eu vi nesta imensa amplidão um chão povoado de feitos, glórias, conquistas, tristezas, amanheceres consumidos de arranjos derradeiros, cruzeiros iluminados, procissões do divino e o terço da santa ser desfiado por mãos de esperança e devoções de reza forte.


13. Eu vi nestes olhares de fé singela tantas coisas, atos puros de tantos brasileiros a alumiar o terreirão  na lua cheia de um Brasil primevo. Vi a bondade de D. Izabel e seu coração redentor, a inteireza de carácter; genialidade, parcimônia, e  inteligência de Pedro II, o primeiro e único monarca que amou, viveu, morreu pela pátria amada e idolatrada e soube durante seu reinado gerir o reino brasileiro com equidade, amor, justiça e paz.


14. Eu vi a santidade  de Frei Galvão, a clarividência de sua fala e suas obras meritórias a favor dos deserdados da sorte, a sua fé inabalável na Providência Divina; pude saborear o lirismo de Cora, Cecília e Clarice, mulheres fortes a nos indicar o norte da beleza feminina, muito antes do feminismo crasso.


15. Eu vi Graciliano limar sua caneta na áspera e contundente escrita; vi Gilberto Freyre ensaiar sua magistral antologia remissiva de inigualável  contexto histórico, social e antropológico, com riquezas de detalhes e profundeza de pensamento; eu vi a moto serra devastando matas, a bio diversidade em mãos erradas, o ouro, estanho e esmeraldas berganhadas a preço de vidas humanas e na boleia do caminhão muitos sonhos do eldorado naufragados na cidade grande.

16. Eu vi o irmão em senzalas, vindo desterrado da vizinha Mãe África de todas as cores, vi de um lado trabalho escravo e de outro muita consideração e na pena de Castro Alves visitei os porões da vergonha em mar e terra sem vitória. Eu vi o sabiá na laranjeira ensaiar seu mavioso concerto matinal; o ipê amarelo representar a inteireza da beleza brasileira; o machado ferindo impiedosamente o jequitibá; a seriema ruidosa; o joão de barro arquiteto dos seus sonhos ao lado da amada na sua amurada de barro fresco; o fôlego do colono, os casamentos em maio florido, a festa da padroeira no arraial da santa.


@ Vi o doutor Zerbini, Carlos Chagas, camaradas da saúde modelar intuindo rumos, difundindo conhecimentos na eficácia de tratamentos espetaculares; eu vi o coração de Tancredo estudar rumos diferentes; eu vi e friso novamente tanta gente em potencial claro e insofismável de um Brasil unido a acreditar na sua gente, eu vi policia atrás de gente na ditadura inclemente, vi a abertura em caras pintadas, e as pitadas de corrupção intestina na república de nossos dias. Eu vi a descrença dos brasileiros, muita ideologia a serviço de poucos privilegiados, muito tesouro nacional  ser açambarcado nas tratativas da politicagem sem noção.


17. Eu vi os acordes maravilhosos de Milton Nascimento cantando o Brasil brasileiro por inteiro e Emílio Santiago   'ferindo' a fimbria do sentimento na afinidade de sua voz sem igual. Eu vi Airton Sena correr na amplidão de nossas conquistas com a pertinácia de um herói, eu vi o parlamentar Plínio Correa lutar pelos valores da Civilização Cristã in Terra Brasilis, revestido de  denodo e resolução de um santo e patriota, vi em seu caráter aliar-se num só lugar fé, razão e devoção.


18. Então surpreso eu vi o Gigante Father se levantando, esfregando bem seus olhos de anil e clareando as águas turvas com o elixir da fé, compostura e determinação e de pé na curva do rio da sua história tocava um acorde diferente e na beleza intrínseca de sua nova performance vi que salvaria a si mesmo e seus mais de duzentos milhões de filhos. 

19. E eu vi o tempo soberano, no acalando de seu cântico novo, revestido de brasilidade se achegando para acertar o curso do rio que um dia passou pelo coração de Deus. Eu vi outros tantos gigantes frathers se multiplicando e o mundo das certezas empíricas se concretizando para o bem do novo e felicidade da nação de abastança geral. Eu vi um enorme ralo dragando tudo que não tinha a ressonância do bem, tudo que era contrario a harmonia e a paz social.

20. Dirá o cético serem desencontradas estas palavras escritas ao amanhecer de um dia de maio frio. Tanto faz como tanto fez, apesar de respeitar seu ponto de vista, constatei que a dúvida, para não dizer descrença no sobrenatural pode prevalecer na mente do homem, no entanto ‘per si et in rebus’, o evangelista João dissera no prólogo de seu livro inspirado pelo Espírito Paráclito que o Verbo in principio pairara sobre todas as coisas e na sua essência divina conhece o passado, futuro e presente e este mesmo Verbo veio habitar entre nós.


21. Deduz-se da Profecia Joanina acima que o 'topos noetós'  rege o movimento desde os primórdios e não foi à toa sua peregrinação e sua chegada abriu o leque para uma transformação histórica inegável e de proporção universal plena, válida para todos os séculos até o cair da última folha e o secar da derradeira fonte na terra dos homens. 


22. E o Batista, ‘maior homem nascido de mulher’ em sua prédica prediz também a evolução simétrica de um Deus humanado, sua abrangência transcendental onde o querer e fazer humano, a fímbria dos corações, o cabelo de suas cabeças, às vezes empoadas, estão em suas mãos.


23. Infere-se naturalmente que entre os descaminhos desta era de trevas, a humanidade ruma inexoravelmente para a era do Pater quando as veredas serão concertadas pelo Autor da Criação, e o quadro com seus contornos sutis e diáfanos totalmente restaurado, a paz e a harmonia universais entronizadas e o pó que anda poderá finalmente suspirar pelas plagas empíricas de anilina eternas, aquela que nem os ladrões e muito menos as traças do egoismo abocanham para si.

24. Ainda nesta terra de ilusões a Luz Plena da Janua Caellis aparecerá e fustigará os caniços quebradiços das revisões sensoriais e tudo se tornará claro como o sol do meio dia, cristalino qual as decisões sobrenaturais e quem viver neste tempo dirá: - Sim, eu fico para presenciar um novo mundo baseado no calor humano, na fraternal convivência entre os povos e nações. E inserido neste nova realidade mundial  estará o Brasil da diversidade na unidade.


25. Então o Gigante Father esboçou um largo sorriso, ( E FOI ME PERMITIDO VER SUA GRANDEZA EM POTENCIAL), Ele me olhou com bondade de  confidenciou: - Poeta de nada, não se avexe, pois não fora Deus que criara o mundo do nada! Ah! Poeta amigo das rimas desconexas, eu fico para realizar o ‘fiat voluntas’ ponto por ponto até ao anoitecer dos séculos quando serei julgado pelo Amor! Quanto a ti, filii mii, eu lhe concedo o tempo suficiente e as condições módicas para atravessar as 7 cachoeiras que em sonhos desejou...

26. Acordei, confesso sobressaltado no meio da madrugada, e me pus a anotar ponto por ponto o que acabei de relatar. Disse o que disse na embolada destas linhas, no afã confessado de mudanças verdadeiras nas andanças deste Brasil que amamos com todas as veras de nosso coração mínimo, que somado aos desejos bons da maioria, a cidadania seja fato concreto em meio à abstração deste povo que guarda reservas de  generosidade e bondade para um futuro próximo, dado os cômputos descritos.

27. Tenho presente na minha ingenuidade tola de poeta que as fábulas continuarão trazendo notícias outras, tortas, caóticas, como sói acontece hoje, pirando as mentes enxutas e alastrando o pessimismo sem rumos aparentes. O nevoeiro denso e asfixiante da espera envolve cabeças togadas, magistrados, homens simples do povo, políticos conscientes de seu dever pátrio e toda a camada laboriosa da população brasileira, e a pergunta vai e volta sem resposta: E nós aonde vamos parar...


28. Ah! Posso afirmar que a espera será longa ou menos, atrelada que está ao nosso desejo de transformação sincera e total. Quando o ser humano resolve se abrir para a monção correta as pedras se afastam, os rios soberanos se encontram, a dúvida se encurta, a luz afugenta as trevas, os pássaros dos sentimentos voltam a enxergar o caminho e as rimas, ora as rimas continuam e continuam a perscrutar unidas os abismos sem casuísmos até contemplarem o grande e esperado encontro entre o concreto e o abstrato à partir da ótica inerrável, inefável e inenarrável do Grande Ser, que poucos conhecem, mas cuja a glória a natureza, o firmamento e os segredos arcanos cantam sem cessar...

29. Pelos critérios do Senhor do tempo, o porvir da Rosa se dará, após as tristezas do tempo... então se verá nuvens diversas, ao acaso dispersas, repleta de cores, semeada de favores, a rosa que o vento balança é rosa cor de rosa, rosa flor, rosa amor, há mais beleza que tristeza ou solidão, e o vento sopra forte no sertão, traz a sorte ou traz a morte ou então só ilusão...

30. Em tudo e por tudo  o que não tiver as bases no coração de uma Rosa Mística  por Deus escolhida, sempre virgem, não encontrará lastro no projeto de Deus. Lembre-se disso e quando bater aquela desolação incipiente, esquente a mente no poder daquela que sozinha enfrentou o principio do mal e conseguiu corroborar magnificamente com  plano da salvação do gênero humano e seu fiat se tornou a melhor noticia, a mais doce, auspiciosa, bela e suave de todos os tempos.

Helder Tadeu Chaia Alvim
abraços de união galera do bem!
São Paulo 22/05/2013





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