quarta-feira, 22 de abril de 2009

Alumiações cismadas x o vazio sem voz

alumiações cismadas 
1. Externar em palavras o que se passa na alma sustenta o poeta, qualquer que seja o seu estilo, torna-se uma forma simples e prazerosa de dialogar com o papel. O vazio sem voz é preenchido, a poesia reveste-se de sentido, torna-se analista perfeita na analítica situação humana, quase desfeita.


2. Nessas horas, o peso da existência fica mais leve, a cabeça tumultuada pelas angústias e desacertos financeiros, ordena sentimentos, aquece a memória, desanuvia problemas, e se embrenha em factíveis soluções. A vontade e a inteligência se alimentam de bons temas, a teimosia dos dilemas se afasta, a trégua é estabelecida e o enfrentamento se esvazia declinando as ameaças.


3. Alguma idéia flue, o cansaço se dilui, o gênero irriquieto se apresenta no conta-gôtas das praças literárias,e na contra partida o coração despedaçado por motivos de aparências insolúveis,se recompõe nos traços que o acompanham.


4. A terapia iniciada avança resoluta na estrada infinda de alumiações cismadas e a acanhada conversa com a caneta e o papel se estende sem retissências e preenche as lacunas de escusas existênciais, que esmaecida, brilha, esquecida, grita, muda, busca a inocência perdida.


5. Talvez pareça estranho ao leitor este jeito esquisito deste aprendiz estreante das letras no fazer poético,nem pretendo laurear méritos ao escrever estes reais versos. Não é minha intenção confundir rimas, a verdade é que por trás destas linhas espaçadas esconde-se a satisfação de realçar os contornos de minhas ânsias reveladas.


6. Sem estender em demasiado as alumiações cismadas afirmo sem retórica, se é certo que a vida passa, propuz-me a percorrer o caminho que ainda me resta, na poesia. O fato de você ser meu amigo, me engrandece, sobremaneira. Estabelece no meu pensar a condição salutar que o seu olhar de irmão enriquece meus versos, alumia com clareza os meus percalços e incertezas, anima e incentiva a cada dia a criação destas rimas.


7. Se me falta a métrica apropriada, sobra a disposição renovada de continuar, continuar perseguindo os poemas, tentando encher de temas, o vazio sem voz da fugaz existência, meu bom rapaz!


8. Em lá chegando, ou melhor, quando chegar, é inevitável uma parada, uma olhada para trás,pois na memória guardo a insólita trilha percorrida, as arestas aparadas e direi a quem me ouvir que você meu amigo, tornou-se peça chave, suportou com paciência as lamúrias ora declamadas, me deu um ombro amigo, fez um leve, eu digo! E agradecido vou relatar, se consegui concluir o estabelecido restabelecendo o equilíbrio emocional foi porque encontrei um amparo e seu nome guardo comovido, meu irmão.

Helder Chaia Alvim
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