quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A realidade vivencial em a nova Canudos sitiada

              a realidade vivencial em a nova Canudos sitiada 
                                           manifesto mesa de todos
1.    Há muito tem-se  propalado a respeito da situação brasileira, uma enxurrada de noticias  por conta da mídia atenta, os jornais, as revistas  estampam diariamente o assunto, a televisão se empenha em uma ampla cobertura, as redes sociais focam a dramática e perniciosa crise politica, as opiniões se dividem , os ânimos se conflitam , olhos marejados, atenção redobrada, e todo mundo aponta os maus feitos de parlamentares que não fazem outra coisa que legislar em causa partidária, quando não em interesses pessoais, e uma espécie de classe privilegiada se instaurou na artéria combalida da republica federativa, gente sem escrúpulos e faltosa de patriotismo querendo se dar bem, e engendrando corrupção, deixando-se corromper e para tanto armaram  esquemas e mais esquemas envolvendo importantes empresas da construção civil. Onde puderam levar vantagens escusas levaram e trouxeram um montão de dinheiro.
2.    Por inteiro o pais foi divido em novas sesmarias, e cada um queria se apropriar a seu modo do erário de todos, e as tonalidades aumentaram, os ânimos lá em Brasília se acirraram com a possibilidade do impedimento. ‘ É golpe, não é golpe...’ E daí, e depois no dia seguinte pairam medidas sérias? E  se o ministério publico não agisse a partir de um lava jato não sei a que cargas de mais  corrupção  a instituição publica por excelência estaria enchafurdada. 3.
3.    E o povo, ora o povo ele que se aguente como possa, cabeças rolariam para acalmar as ruas soberanas, a tese esboçada, depois seria a vez da vindita partidária no irresponsável e perverso jogo do poder, as férteis terras brasileiras, a sua riqueza in vitro, as suas extensões territoriais, o povo lhano e que espere em seu sonho latente de bem comum, pois na pouca farinha o pirão dos políticos primeiro.
4.     Mas, este mesmo povo batalhador acordou da apatia e em riste quis de volta a democracia, o acato incondicional         às leis constitucionais, à liberdade de se expressar e muito e muito mais... Isto assustou a empoada classe politica, e a tirou de seu conforto e a celeuma do bem tomou conta  do  pais inteiro, nunca se falou, gritou, se indignou tanto em tão pouco tempo, e de longe se avistou a encruzilhada, sonhou-se novamente com o sorriso do gigante, e dali por diante a realidade vivencial iria se transformar em ações e desejos de mudanças substanciais e reformas urgentes no judiciário, legislativo, executivo, fiscal e tributário, ou seja reinventar a nação novamente.
5.    Ah! o Brasil, o querido e amado Brasil carece sim de liberdade para ser ele mesmo em toda a extensão de seu desígnio pátrio, e para superar este momento único de sua triste história, ‘ quando os porões da republica se abrem e revelam à sociedade quantos segredos guardam, quanto caixas dois e três, quanta corrupção e consequente lavagem de dinheiro por fora e quiçá de fora,’  afirma a mídia consciente , atesta-o criterioso ministério público,  a situação se parece mais  às caçadas de  pokemons  em voga, a politica perdendo a noção de espaço, alijando a brasilidade, e seu  fenômeno restaurador às estantes virtuais sem consequências reais e práticas.
6.    Mas e a matéria humana para, caldo da legitima  democracia ? Pois se eles e elas ( dirigentes eleitos pelo sufrágio universal) na maioria padecem do mesmo mal que os  atuais investigados? Fora que tem este tal de foro privilegiado, as manobras dos veteranos e novos congressistas? Ou seja todo um Brasil a renascer de novo desta imensa crise sistêmica, crise de carácter ou literalmente falta de vergonha na cara.

7.    E o povo brasileiro ( ao todo 207 milhões de habitantes ) do qual emana o poder, ora ele se viu mais uma vez outro conselheiro de Canudos sitiada,  Ele  acorreu à sua tribuna livre, as ruas soberanas, às redes sociais, e os ânimos se afloraram  e ao alcance  dos dedos digitadores do mundo bom delinearam e construíram sua percepção intuitiva e construtiva acerca  da realidade vivencial que se abateu sobre  pátria. E de análise em análise, de conversa em conversa, e de opiniões contrárias a sociedade se posicionou, se xingou, se ofendeu, chorou, se estranhou numa espécie de guerra psicológica de  ‘irmão contra irmão.
8.    Em discordâncias e concordâncias, a opinião publica se posicionou, trouxe o bem comum para sua convivência, gastou as solas dos sapatos em passeatas prós  e contras, mas a par desta situação de sobressaltos somente uma união cívica em torno das leis constitucionais  a molde da revolução constitucionalista de 32, ampliada e modernizada poderá de fato mudar os rumos tortos, e fazer vingar o bem comum, aprovar as reformas urgentes, enfim devolver a nação  Brasil aos seus donos de direito, o povo brasileiro.
9.    Se estas palavras são bonitas, não sei, mas falhas seriam elas se não carregassem um amor incondicional a cada palmo de terra deste imenso pais, se não pulsassem de esperança, se não reforçassem os anseios da maioria da sociedade, se não se abnegassem, se não ajudassem reverter o quadro adverso, se não arregaçassem as mangas em conjunto com todos os irmãos e irmãs espalhados pelo Brasil afora, que não querem políticos corruptos e de carreira não legitimada pela brasilidade, que querem sim ver reavivados os contornos da bem querença social, que querem a sinfonia perfeita na sua diversidade de raça e cultura e sobretudo querem ver respeitados os valores da família, da honra, da decência, do civismo e do bem comum.
10. Em terras de Uauá, Cambaio e Jeremoabo a força bélica  federal um dia destruiu sonhos de uma população lá no alvorecer da neo  republica contrariando os anseios legítimos de um povo simples e humilde que via em Antônio Conselheiro seu líder social e religioso, e o horizonte daquela bandas se viu tingido de vermelho quando mais de 6.000 sertanejos foram impiedosamente decapitados. A republica atendia aos interesses dos coronéis da região, a necessidade de cobrar impostos, e uma mal entendida reação  de Canudos . Uma página triste, uma divida atroz. Hoje na era afônica parece que a Republica não aprendeu a lição amarga e insiste em ações de desação politico social, de desagregação dos valores constitucionais, e parece não querer as reformas fiscais justas, as tributárias, equânimes, as judiciarias prementes que dariam um retorno favorável à  consciência nacional.
11.   São Paulo  respira a realidade vivencial de toda uma nação, que geme sob as botas ferrenhas de uma politica corrupta e mal direcionada, que faz reviver de uma forma psicológica um estado mandão e autoritário, mas em meio a este caos a gente ainda percebe uma pontinha de esperança nos olhos da multidão que locupletam suas esquinas intuitivas numa tarde de inverno de Agosto começado, mês frio e gélido mas que divide o tempo ao meio, que agrega à  verticalização sua cultura diversa, que apressa os transeuntes, e me pergunto quando enfim a verdadeira democracia vai voltar a conviver nos lares de cada brasileiro, de cada repartição, de cada Igreja, colégio, quartel, hospitais, vilas e vilas, cidades, roça e povoados.
12. Meu sertão iluminado continua lá à espera de respostas, ele contempla a lua cheia refletindo no seu terreirão de pedra, os sonhos que seu povo perdeu na cidade grande... embora suas cigarras continuem em seu canto mavioso, seus vagalumes solidários emigraram faz tempo para longe e hoje Crisálida tem saudades de um passado de fartura, prosa e muitas festas no arraial de Alterosa. Mas ele sorri um riso solto de satisfação pois  pressente que está á espera de feitos heroicos quando os seus retirantes da fé retornarem à sua origem. Um dia eles partiram felizes, e foram até o fim da jornada com seus companheiros, e está chegando a hora  sim que retornarão com as mãos cheias de brasilidade.
13. Brazil problem?  Is not!  Na realidade vivenciada o povo enxerga a incoerência, que ficou a cargo dos políticos, irremediavelmente deles e de seus vieses de personalidade torta. Potencialmente o Brasil tem jeito, sequencialmente está a caminho de sua reconstrução na paz, harmonia, sociais, na sua liberdade constitucional, e os panoramas de Pajeú modernos estão à espera de povoamento e de grandes feitos a favor de seu bem comum. Hoje Ele, Malaquias de seus lamentos ao anoitecer, amanhã pregoeiro do mundo bom e sustentável de alma e corpo.
14. O Brasil, mesa de todos parece dizer, e expressa de fato o quanto carrega de apreensões em sua alma, o quanto sua veia artéria está carregada de sobressaltos, o quanto espera de seu povo a reação legitima calçado em sua leis e constituição, e ele grita um grito ainda abafado mas salutar de recomeço, e diz que os políticos inescrupulosos é que se cuidem pois o juízo inexorável  da história os aguarda, e não ficará votos sobre votos, e não adianta mais balança-lo, pois o gigante acordou  insone e sôfrego de bem comum, mesmo trêfego carrega sua vida  reservas de generosidade e heroísmo, capazes de em um determinado momento arcano alavancar para seus mais de 207 milhões de filhos e filhas, o mundo bom.
15. Mal aventurados os inconsequentes vendilhões do templo sagrado da republica federativa, que teceram para o povo a cama de prego pós moderna, e a indignação geral já se esboçou nas ruas soberanas, e a boa ordenação nacional do bem comum está a caminho, é irreversível, constrangedora aos incautos, salutar aos patriotas.
16. E continua sua fala de intuição, ao homenagear aqueles e aquelas atuantes da democracia, que com alegria, criatividade e bom senso tiraram o gigante da letargia e emocionado os abraça com um grande enlace cívico e constitucional, e aproveita a ocasião para saudar o sertão, cidades e campos iluminados pelo cruzeiro do sul, às planícies, vales e montanhas, rios, florestas e mares e às vastidões quase infinitas de seu território derrama sua verve de esperança em dias melhores para sua prole E o primeiro acorde de nação sustentável, autodeterminada, livre , vigilante e democrática se desprende de seu peito verde e amarelo, e acaricia seus lábios  azuis  e brancos, na paz e abastança de um novo tempo, vaticina esta singela canção colhida na mesa de todo o povo brasileiro e a ele devolve em foram de um salve de gratidão.

Chaia Alvim Helder

Festa de São Lourenço



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Os Anjos esses desconhecidos

                                            Os Anjos, esses desconhecidos
1.       O proseio hoje é denso, de uma densidade transcendental, anímica, se quiser se puder empírica, será um longo caminho permeado de luz e trevas, um tema desconhecido à beça das estantes virtuais do mundo contemporâneo, olvidado por aqueles que se consideram  lentes da ciência da religião. O aluvião é sagrado, dinâmico e potente, e a ordem do universo depende dele ou melhor desta  legião de Deus chamada:  A n j o s.
2.       A que tudo indica o planeta está prestes a vivenciar sua presença palpável, de tonalidade suave,  também forte e decisiva, pois a hora presente requer sua revoada arcana, a natureza os chama, a alma desalentada reclama lá no fundo sua presença de luz. Confesso que a missão desta linhas será dora em diante trazer á sua apreciação alguns detalhes que passam desapercebidos da galera, nem por isso me acanho diante da tarefa  difícil  de falar sobre estes grandes desconhecidos da mídia, de nós mesmos então.
3.       Que para tanto me ajude a inspiração divina, pois na hora presente  a monção densa,  triste e tensa  bate à porta da humanidade, açoitando sonhos, amanhã quando acordarmos do pesadelo hodierno, quem sabe o panorama será outro , de proporções avassaladoras, que nenhuma força humana conjugada poderá salvar a terra dos homens, palco de enormidades tal, que a então passada conflagração da  2ª guerra mundial parecerá  um game infantil.
4.       Então infere-se daí que o assunto traz uma relevância prática, e nesta visão vamos tangendo a bigorna no intuito de acordar e acordar a rima, a prosa e os versos ao amanhecer, e ousar  aprochegar  bem juntinho aos  seres de luz, a caminhada tornar-se  mais leve, suportável do ponto de vista espiritual, este é meu pensamento. 
5.       Na infância, tivemos presente a figura do anjo da guarda, com sua proteção e amparo, rezávamos com nossa mãe a oração do zeloso guardador, confiado a nós pela piedade divina, nos iluminando e guiando no alvorecer da vida. Então fomos crescendo e esquecemos de tudo, menos  a obrigação de vencer...  e o anjo ficou em segundo plano. Veio a adolescência, as descobertas, os desafios, e fomos perdendo a familiaridade com ele, mas seu quadro ainda está dependurado na parede de algum canto da casa materna. Os anjos existem mesmo, embora outras emoções nos afastaram de suas asas aladas...  
6.       A idade madura chegou, e tragou a nossa inocência, o mundo absorveu nossos pensamentos, a combustão esmaeceu quase completamente esta nossa amizade e deu no que deu. E cismando percebemos o quanto perdemos, o quanto nada completou nossa vida exatamente.   A fugacidade apareceu quando perdemos um ente querido num desastre, numa morte repentina, e o flash acendeu e trouxe a triste realidade existencial. Nesse momento lembramo-nos  do nosso anjo da guarda, onde ele estaria agora?       Não fomos só nós, mas a história também o esqueceu, mas ele continua próximo, e      sua missão só se encerrará quando cair a ultima folha verde na consumação dos séculos. Daí a necessidade vital de uma reflexão acerca da  corte angélica e sua função social, espiritual  e humana na terra dos homens. Conhecer sua organização celestial só trará benefícios palpáveis a quem se dispuser a entender um pouco de sua ajuda especial  e intervenção  secular.
7.       E digo que houve um tempo no céu que um deles se revoltou, queria ocupar o lugar do Altíssimo Senhor, Ele, Lucífer carregava a luz, e detinha um alto posto na hierarquia, era uma espécie de general, se rebelou contra a ordem divina, e se tornou o anjo das trevas com outros seguidores, a quem diga que 30% da legião o seguiu, expulso que fora para os lugares inferiores ou inferno. De lá tentaria os humanos, e não daria trégua à  terra dos homens.
8.       Foi um auê monumental, pois o arcanjo Miguel liderou a 1ª batalha do Bem contra  o Mal, e vitorioso Miguel lançou esta corja para o quinto dos infernos, alguns titubeantes ficaram rondando o mundo, e indiretamente tentam abduzir os seres humanos, dotados do livre e solto arbítrio. Os anjos maus ou demônios conservam sua propriedade de inteligência, mas  perderam a inocência, os seus lugares no paraíso seriam preenchidos pelos homens criados à imagem e semelhança de Deus. Veio a promessa através do Redentor gerado pela Sempre Virgem Maria, a constituição  do primado do Grande Pescador Pedro, a possibilidade da ascese cristã através dos sacramentos, e a história seria doravante escrita com lágrimas, suor e sangue pelos santos e santas  em todas as eras históricas.
9.       A batalha do céu se estenderia ao universo com lances heroicos dos bons,  tentação e traição  pavorosa dos maus, haveria guerras, ódios, intolerâncias, escravidão, exploração do homem pelo homem, muita gente erguendo bandeiras sociais para roubar do semelhante seu pão e esperanças. Haveria atitudes louváveis, belos gestos  ao longo da história da trajetória humana, a medida que esses e essas se aproximassem dos anjos bons  ergueriam catedrais, evangelizariam toda a terra esparzindo sobre ela o sangue Redentor do Cordeiro, a paz e o bem estar social.E quando se afastassem da luz diáfana das asas arcanas ergueriam castelos assombrados da perfídia de outros Loudas Iskariotis.
10.   Inocência  e pecado se enfrentariam disputando cada parte do coração dos homens, ceticismo, pragmatismo, relativismo ocuparia as ações da nações, fé e metafisica se uniriam para erguer a Idade da Luz, depois viria a era do renascimento e a presença dos anjos iria se rarear a olhos vistos, ficaria tão somente nos afrescos das Igrejas, em algum pórtico de catedrais e na lembrança um tanto esmaecida de algum(a) devoto(a).
11.   Seria interessante notar que as santas escrituras confirmam sua existência, a patrística e a tradição da Igreja também; e eles estavam presentes na criação do mundo e ficaram tão cheios de admiração que ‘gritaram de alegria’ ( Jo, 4, 18). Mas não se apoquente, eles nos acompanham, dado à sua natureza especifica, não choram, não se afligem, mas se compadecem do mundo e de seus erros, e estão agora mesmo nos acompanhando e inspiram-nos bons pensamentos sempre.
12.   E mais, não arredam pé de sua missão cabal e assistência pessoal a cada individuo a si confiado, e assim será até a nossa última viagem, aquela do decesso de desdobramentos eternos, pois em lá chegando não careceremos do bilhete de volta. Haverá um tribunal a nossa espera, inafiançável sobre vários aspectos, naquele anoitecer haverá mister sim da presença de nosso guardião e de seu amor etéreo.
13.   Se, se tivermos a ventura de ser achados agradáveis aos olhos do Senhor, nosso anjo da guarda nos introduzirá na posse do reino, aquele que nem as traças e os ladrões abocanham para si, aquele que ‘ os olhos não viram, o coração não sentiu’, aquele que não carecerá de sol, pois o Sol de Justiça o alumia com sua resplandecência de diáfana luz.
14.   E vemos que a par de sua bondade, os anjos tem missões especificas como o relatado no livro do Gênesis (19,13), quando dois anjos foram encarregados de destruir Sodoma, Gomorra,  Admar  e  Zeboim;  quando o rei  David  faz o censo do povo eleito, um anjo os destrói pela peste, e por um anjo que o exercito Assírio é destruído ( 2 Reis, 19,35), e Ezequiel ouve seis anjos receber o comando para destruir aqueles que eram pecadores em Jerusalém, e Anjos aparecem a Jacó em sonhos, e o anjo que aparece a Balaão é visível primeiro a jumenta, e o anjo que segurou a mão de Abraão para não sacrificar Isaac, seu filho na montanha de Moriá.
15.   Inúmeras citações permeiam o antigo testamento e não deixam dúvidas quanto a sua existência, a visitação destas benditas hostes angélicas à Terra dos Homens, demonstrando que o elo entre o Senhor e sua criaturas não fora rompido jamais, mundos distintos mas ligados constantemente por estes emissários de luz, uma movimentação que até hoje acontece apesar de nossas vistas emblemáticas não perceberem não quer dizer que não existam e estão neste momento entre os atordoados habitantes deste mundo enganador.
16.   Foi em meio à nuvens resplandecentes que um anjo anunciou a presença de Deus ao patriarca Moisés, e quando veio ao topo da montanha sagrada do Sinai, ele estava acompanhado de milhares de anjos, tinha raios brilhantes em suas mãos, e foi tão terrível a visão que Moises quedou tremendo, assombrado.
17.   Um anjo apareceu no deserto de Sur, à escrava egípcia Hagar, anjos anunciaram o nascimento de Isaac a Abraão, anjos salvaram Ló do meio da destruição das cidades sodomitas, anjos guardam Jacó em sua vida de peregrinação, um anjo conclamou Moisés a libertar o povo hebreu da escravidão egípcia, um anjo guiou Israel no deserto, um anjo do Senhor falou a Josué quando se encontrava ao pé de Jericó, e também um anjo ordenou a Gideão que livrasse o povo de Deus do jugo dos Midianitas, um anjo anunciou o nascimento de Sansão.
18.   Durante o período da monarquia judaica os anjos tornaram se assíduos na vida daquele povo, algumas vezes livrando-os, outras castigando-os, um anjo feriu a 70 mil escolhidos de Israel no tempo de David, um anjo acudiu ao profeta Elias quando fugia da fúria de Jezabel, Elizeu de certa feita viu-se cercado de anjos, durante o cativeiro babilônico um anjo livrou o profeta Daniel da cova dos leões, um anjo ajudou a Zacarias na redação de seu livro. E assim foi durante todo o período da antiga aliança os anjos estiveram presentes, estas citações tão somente exemplificam as manifestações tópicas, mas durante todo este tempo os anjos estiveram presentes, porém invisíveis aos olhos humanos. 
19.   Uma palavra sobre os anjos envolvendo a crença judaica seja importante mencionar, pois eles também acreditavam nesses mensageiros celestes, máxime no período inter testamentário por ocasião do retorno do cativeiro da Babilônia e a construção do segundo templo. A convicção aumentara a medida que escasseava os profetas, então elegeram outros mediadores da vontade divina: o ministério dos anjos.
20.   Mesmo antes da vinda do Messias, esperado das nações, a angeologia estava incipiente na cultura greco romana, e o misticismo helênico que o diga. Os historiadores encontraram  vestígios nas obras de Platão, Homero, Xenofonte, Sófocles e Epícteto, pois eles afirmam que os inúmeros cativeiros forçados do povo hebreu e a convivência com estes povos, alguma referência aos anjos foram passadas a estes povos antigos.
21.   A língua hebraica traz a definição de anjo ou mala’k, aggelos ( mensageiros) que povoam o mundo celeste e assistem constantemente o trono de Deus. Em tudo e por tudo no novo testamento vemos nos evangelhos sinóticos a intervenção divina, direta,  clara e insofismável por ocasião da encarnação do verbo no seio da Sempre Virgem Maria, em Belém de Judá no primeiro natal, na fuga para o Egito, na tentação de Cristo, no Getsemani, na Ressurreição, e o Mestre  menciona várias vezes em suas preleções que os anjos o assistirão em sua segunda vinda ( era do Pater) e também no juízo final.
22.   Não fora Jesus mesmo que dissera uma vez às margens do mar da galileia: ‘ ... Cuidado para não desprezar nenhum destes pequeninos, eu afirmo que os anjos deles estão sempre na presença de meu Pai que está no céu.’ (9 Mt 18-10,6). Também temos noticia dos anjos em Atos (1,10-11) que foi visto dois homens com vestes resplandecentes  no local da Ascenção; o livro do novo testamento está repleto de presença deles e trazem em mensagem oficial o pacto de Deus, acrescendo à sua missão a função protetora. Por duas vezes libertou os apóstolos da prisão, ou mesmo punir algum mandatário do poder, especificamente o rei Herodes ( At, 12,23).
23.   Enfim, anjos eles existem mesmo, são mencionados no antigo e novo testamento, pelos Padres da Igreja primitiva e acompanham a gesta da humanidade em cada era histórica, não há como negar, e com acentuada nitidez na Idade Média, a era por excelência da luz, eles  voltaram  a  conviver  na  terra  dos  homens,  pois nesta época (‘ não nos disseram’), o evangelho imprimiu sua marca de bondade, paz e harmonia entre os povos e surgiram as catedrais, a hagiografia cristã está repleta de belos gestos, de virtudes e heroísmo de congraçamento eficaz, de equilíbrio social, de avanços no saber que até hoje impressionam os estudiosos do assunto. A vivo e a cores os afrescos de Fra Angélico, a Suma teológica de Santo Tomás de Aquino atestam que quando um povo se abre para a realidade angélica ele voa voos de liberdade e felicidade de situação, fatores ausentes em nossa era massificada e totalmente avessa à realidade anímico empírica.
24.   Na renascença pagã, eles, os anjos foram maldosamente estereotipados de forma tendenciosa e puramente humana, e ao que parece se distanciaram de nós, e os séculos subsequentes foram endeusando a matéria, foram explorando o trabalho pelo trabalho, foram aparecendo teorias e mais teorias, ilusionismos, ceticismos, e o elo entre o profano e o soberano se partiu, no coração do homem se abriu fendas de desamor, ele quis ser um outro deus que renascia das cinzas da incredulidade, mas se afundou em crises existências, engendrou poder, e pela arte da guerra espalhou as desavenças seculares, e sem saber onde ir, idealizou o mundo sem Deus, até que em 1917 apareceu novamente em Fátima o Anjo de Portugal a três humildes pastorzinhos nos campos de Leiria, precedendo as aparições da Virgem Maria em Fátima. O anjo, revestido de luz trazia o cálice santo e a hóstia nas mãos.
25.   E na inflexão portentosa de Deus, Nossa Mãe do céu revela segredos da maior importância, que se desdobrarão na perda paulatina da fé, no advento de guerras mundiais, na expansão da hegemonia bolchevique, e delineia a era mística do seu Sagrado Coração, e depois da grande procela, enfim a paz para todo o mundo. Infere-se que estará a cargo dos anjos o ante e o pós, e hoje enquanto traço neste papel, muitos estão despreocupados em seus afazeres, muitos armando traição em plena era quântica dos neutrinos enriquecidos, mal sabem que  está se aproximando outra de tonalidades totalmente diferentes, sim,  vai acontecer mais acontecimentos tristes, não podemos perder a esperança de um tempo de paz, e quem soprará os ventos arcanos, eles os grandes desconhecidos, os anjos de Deus!
26.   Estas rimas acanhadas vão ficando por aqui em sua módica expressão, e não almejam créditos na versão, a não ser saudar os pregoeiros do mundo bom: os Anjos e agora você  vai conviver com um portento no assunto, o doutor  Tomás de Aquino,  Os capítulos subsequentes vão tratar de alguns tópicos  DE ANGELIS, ou a brilhante tese que o santo medieval discorreu  com maestria sobre o assunto. Aliás  em Motu próprio o Papa São Pio X o denominou Doctor Angelicus, pois sua inteligência, argúcia se equipararam a dos anjos, pois ninguém em sua suma teológica conseguiu conciliar fé e razão,  ‘ ... e pelo mesmo fato de tratar os anjos de criaturas puramente espirituais, se não o vemos, eles existem sim, não possuem matéria, e nem estão submetidos ao movimento e ao tempo.’
27.   A origem, natureza, faculdade e hierarquia específicas desses seres alados sempre chamou a atenção da exegese bíblica: ‘ Coisas essas que os anjos anelam  perscrutar.’( 1 Pedro 1:12), e Santo Tomás melhor que ninguém abrangeu extensamente, e que a molde de conclusivas citaremos neste capitulo final. E ele adianta que ‘... houve um espaço de tempo entre a criação e a queda do anjo, se não fora assim, alguns anjos não se teriam afastado de Deus depois de sua criação.’
28.   ‘... os anjos são eviternos, porque não são nem eternos, justamente porque foram criados e começaram a existir a partir de um momento, nem temporais, precisamente por serem de natureza puramente espiritual, sem nenhuma mescla com a matéria e por não estarem absolutamente sujeitos ao tempo., mas pode atuar no tempo em razão de sua operação se referir ao homem.’
29.   ‘... Por isso o anjo, mediante seu dom natural, é capaz de conhecer a si mesmo, outro anjo, a Deus, as coisas corporais, o homem, mas nem o anjo bom, nem o mau podem conhecer o futuro e as intenções humanas.’ ‘... e resumindo a faculdade do anjo: amar, pois o amor é a síntese de entender a verdade, querer o bem e servir no bem. O anjo que, mediante sua faculdade livremente entendeu, quis, aceitou, escolheu e decidiu-se pela verdade que lhe foi manifestada no instante da criação, foi confirmado no amor e  no serviço a Deus, num instante imediatamente posterior: eis a bem-aventurança.  Mas o anjo que fez o contrário, que decidida e livremente afastou-se do amor e serviço a Deus, logo no instante depois de sua criação, com uma decisão que o determinava para todo o sempre, caiu: eis a queda.’
30.   ‘... O non serviam livre e voluntário do anjo, que era superior a muitos outros, deu origem ao mal de culpa, cujo pecado induziu à queda de muitos que lhe eram inferiores, enraizado soberba por não quere submeter-se a Deus naquilo que que lhe era devido, na inveja, na inveja, por não conseguir-se que não existissem os santos., e entristecer-se diante do bem do homem e da grandeza de Deus, desejou ser semelhante a Deus por virtude própria e não por auxilio divino, ao mesmo tempo em que quis tomar para si aquilo que, para Deus, é o seu bem mais precioso na criação: o homem, criado à imagem e semelhança de seu filho.’
31.   ‘... Afastou-se da presença de Deus por causa de sua maldade, isso privou seu intelecto da verdade, a qual de fato não quis conhecer, e excluiu de sua vontade o bem. Converteu toda a sua inteligência à mentira e sua vontade obcecou-se plenamente no mal. Incapaz de amar, à semelhança do amor divino, embora ame desordenadamente a sua própria natureza, são lhe imperativos a partir de então, a dor, o ódio, e a mentira, que o fazem contorcer-se  por se voltar inteiramente ao que é contrário à sua natureza. Por causa disso padece essas penas do inferno e elas se intensificam quando atormenta os que lá estão sob seu jugo ou quando, no mundo, tenta ou possui o homem, ou ainda infesta os locais onde esse  vive.’
32.   Ao contrario da atitude acima  afirma o gênio tomista: ‘ ... A individualidade especifica do anjo bem aventurado o torna mais semelhante à unidade divina, em razão da unidade da verdade revelada e iluminada em sua natureza. Essa mesma individualidade especifica auxilia na atuação de guarda individual de cada homem, segundo aquilo que cada homem necessita para alcançar a salvação. de fato a individualidade humana  exige uma guarda individual, pois seria sem sentido que o bem mias preciosos da criação, o homem, por representar a modo de imagem e semelhança a perfeição do Filho do Homem, não fosse guardado cuidadosamente.’
33.   E o grande teólogo da fé e filosofo do pensamento vai alumiando em seus estudos a ordem entre os anjos, a sua missão na terra, a sua função e especifica substância que a gente fica boquiaberto acerca do ele traz em sua suma, apenas estou citando trechos esparsos para alinhavar estes versos escritos ao amanhecer, pois ‘no anoitecer de nossa vida seremos julgados como diz Santa Teresinha do Menino  Jesus, seremos julgados pelo amor’. E esta ultima viagem pode acontecer a qualquer hora, e eu resolvi humildemente aproveitar o sopro de vida para deixar anotado a quanto em Deus vai minha inspiração.
34.   ‘... O demônio fingiu conhecer o futuro para ludibriar o homem, e fazer-lhe crer que tem tal poder, na verdade conhece a causalidade material do mundo melhor que o homem, por isso infere seus  efeitos como se fosse uma previsão do futuro... o anjo mau pode enganar o homem fazendo-lhe crer que conhece, mas não conhecendo, com efeito como as intenções se traduzem em ações, pelo movimento do corpo, dos sentidos, ele pode antecipar qual será o efeito mesmo antes que o homem aja. Do mesmo modo que, pode agir influenciando com imagem a fim de que o homem realize sua intenção, mesmo sem a conhecer. E isso pode fazer tanto o anjo bom quanto o mau, mas com finalidade distintas.’
35.   E Lúcifer no seu orgulho entranhado tem a faculdade ‘ de pensar ser sua unidade a referencia da individualidade humana.’ Ele e seus asseclas mentem para si e espalham o mal no mundo, onde eles vão espalham danação, perfídia, onde vão geram a negação, por isso infestam, possuem, não tem limites para o mal, ele mente ser forte, e seu poder é um poder limitado de criatura, suas juras são falsas, seu espelho é o orgulho, dai a inesgotável guerra, invejam os humanos criados à imagem e semelhança do Criador. Enquanto na corte angélica, OS ANJOS DE LUZ,  se decidiram  in fieri pelo bem, pulcro e belo e mereceram a bem aventurança, estão felizes, incomensuravelmente felizes, ditosos.

                               F i n a l
Tocamos ao termo destas rimas mínimas, hoje visitadas pela celebre pena de um sábio, e erudito do pensamento teológico e filosófico,  um santo que se debruçou atentamente sobre as  sagradas escrituras, nas teses de Aristóteles, nos conceitos de matéria e forma, na ordem da criação divina e material e sorveu no tabernáculo as verdades da religião. Em ultima análise compreendeu que fé e razão coabitam sem crises e em riste sagrada defendeu a escolástica e lançou luzes para todas gerações futuras enquanto o mundo for mundo.

Quanto a mim, na humildade reconheço ser fugaz o som de minhas palavras, muitas noites insones, para traçar neste cânhamo acanhado um esboço sobre esses grandes desconhecidos desta era afônica:  O S  A N J O S ! ! !  O peito bate forte, e nesse acorde vejo que as citações da Suma de Santo Tomás envolveram o tema para resgatar para você a realidade anímica que envolve esses seres alados potencialmente salvadores do planeta, realmente protetores da raça humana contra as hostes infernais.

Esses seres de luz que refletem a bondade, a justiça e força do Altíssimo Senhor, são dotados de beleza, amor, determinação, são eles os guardiões da terra dos homens em meio aos caos, em meio aos perigos em que hoje nos encontramos, em meio ao desvario existencial do mundo, somente esta profilaxia bendita do céu poderá afastar os flagelos em curso, e apontar o caminho em meio à borrasca iminente.

E o Doutor Angélico afirma alhures ‘que o bem em si se difundi’, possam estas páginas contribuir um tanto para tal ensejo, e no contraponto deste tempo adoidado em que vivemos, possa o Amor total do Espirito Santo Paráclito inflamar os corações, e preparar a humanidade para o advento da era das promessas contidas na oração de Cristo Senhor: o Pai Nosso, quando a  Rosa Mística de eleição se manifestará  e falará  aos anjos como dissera um dia nas bodas de Caná da Galiléia: Fazei tudo o que meu Filho amado disser.’

 Então meus irmãos a terra, após uma consternação momentânea e salutar, será  restaurada pelo hálito fresco dos anjos arcanos e  vai provar, ditosa, o ardor caritativo dos Serafins, a plenitude de ciência dos Querubins, o juízo divino dos Tronos, as decisões das Dominações, as Virtudes e suas determinações físicas do bem comum, as Potestades e suas espadas flamejantes, os Principados e o destino das nações, a guarda intuitiva dos Arcanjos, e os Anjos anunciadores do mundo bom das certas certezas anímico empíricas. Então somente então ‘ Fé e Razão’ unidas, tão ao gosto pensado do Doutor Angélico serão os condimentos de sobra, a perfeita  equação entre alma e corpo, a bem querença do céu transportada à Terra dos Homens pelos nossos amigos do outro mundo: O s   A n j o s ! ! !
Chaia Alvim Helder



quarta-feira, 20 de julho de 2016

A carta de Sitero

                        A   c a r t a   d e   S í t e r o,
               Prezada Arte 
a.      Escrevo-lhe   hoje não por email, whatszap, ferramentas importantes da era digital, mas vou me utilizar do modo antigo, sim porque não? Fazía isso na época do ginásio, que até esqueci o formato. Era bom, muito bom depois ir postar nos correios a correspondência, o ato em si revestia-se de uma solenidade prazerosa. Ah! Aqueles selos variados, a cola arábica, o envelope de cor branca, com riscos amarelos, azuis e verdes? Trazia impresso as palavras:  via aérea par avion  ! E ficávamos à espera da resposta, e lá vinha o carteiro depois de algumas semanas entregar a carta. Pois é, tudo isto se foi, levado a esmo se pôs e o movimento on line apressou tudo e encheu a vida das pessoas com o nada em ebulição...
b.      Déia, hoje lembrei-me de você, foi uma lembrança suave, recordei de sua última viagem à São Paulo, sua empatia com esta cidade, sua intimidade com as rosas do concreto, lembra-se? No meu caso alembro bem, tive infância, subi as grimpas das serras, escorregava  pelas pirambeiras em cascas de palmeiras, pescava lambari no rio neblina, aprendi a cartilha com minha  bondosa mãe Geralda, aprendi ‘a amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo igual a nós mesmos’. Infância distante, infância feliz, e as cirandas  ao luar, com meu irmãos e primos, uma algazarra só. Mas na tenra idade o destinou me  separou deles, cada um foi para um  lado, cuidar de seu recado.
c.       Cresci, mas o torrão da terra natal ainda hoje perdura em minha   memória de estórias mil, lá não sei porque seu sol  tinha algo de diferente, dourava tudo quanto tocava, e fazia brotar canções nos lábios que acariciava. Depois de muito chão, a prosopopeia daquelas serras azuis brilha ainda, e me convida a escrever versos e mais versos ao amanhecer. Hoje moro na cidade grande, cheia de detalhes, cidade esta encravada no planalto de Piratininga, que dista uns 970 km de minha querida Estância Pirineus no Noroeste Fluminense (RJ).
d.      A razão desta missiva, um tanto longa e para relatar minhas impressões de quase escritor, que vive entre o concreto e o abstrato de uma metrópole insone, aguerrida, hospitaleira, irônica, franca, forte e fraca ao mesmo tempo, aliás você a conhece muito bem, pois aqui nasceu, viveu grande parte de sua juventude, se formou no balé clássico. Ah ela   acolhe sonhos, dissipa esperanças, espalha movimento, criva seu solo de cimento, muda de estações num mesmo dia, esfria, esquenta ao compasso de horas, demora e adianta seu querer, enfim inspira canções, respira poluição, respeita opiniões, incentiva as gentes, deprecia intolerâncias, e parece não querer perder a pose e o status de condutora dos destinos da nação Brasil.
e.      Ora pois, se me permite me estender mais um tanto, vou relatar, minha cara, um dia dela, da grande e dinâmica cidade de São Paulo, quando ela comemora sua revolução constitucionalista de 32, marco importante na democratização do Brasil, então fechado pelas duras botas do Sr. Getúlio Vargas até quando São Paulo se rebelou e pagou com vidas um alto preço por afrontar os desejos de hegemonia ditatorial do então Presidente, o gaúcho Vargas.
f.        A aliteração se ausenta completamente de seu parecer, a assonância acentuada persiste e move seu modo de ser, sem prosopopeia ou animismo, é uma cidade concretista, ainda hoje teima em se expandir ultrapassando seus limites, superando crises, e em riste sempre encontra motivos para sorrir, as vezes chorar, sem auto piedade respira fundo e se inunda de sonhos, e não se iludam os desavisados de plantão, máxime da politica partidária, ela não se contenta só em versejar seu ideal de liberdade e bem comum, mas acorda cedo para beber na fonte a água limpa da democracia e agir no sentido que o bem maior da nação se torne uma instituição livre, atuante e verdadeiramente brasileira.
g.      Ela, mesmo displicente, não se deixa iludir pelos fantoches de Brasília, pela corrupção sistêmica, haja vista, irmã dileta, que em junho de 2013, por um simples aumento de tarifas dos ônibus na capital, ela trouxe a rua muita gente, e depois disso muito aconteceu à nível nacional, temos uma presidente em processo final de impedimento, três ex presidentes sob suspeitas ( não condenados). Que mais? Tantas e tão diversas coisas que o espaço limitado desta carta não suportaria linhas em profusão.
h.      O fato de seu amigo está escrevendo estas linhas, foi porque ao viver aqui neste solo, a gente também fica contagiado em suas ruas com tanta gente querendo a bem querença e a abastança geral para cada metro de terra deste Brasil brasileiro. Na verdade a metrópole parece dizer coloquialmente aos seus transeuntes: filhos e filhas, não se avexem não, vamos agir no sentido de purgar esta crise sistêmica, vamos lutar para que a honra volte a contagiar os mandatários do poder, vamos fazer acontecer a democracia plena  de 32, atualizada para nosso tempo, vamos respeitar e aplaudir a promulgação das leis constitucionais, e voltar a ter orgulho de nossa bandeira nacional.
i.        Vejo que o que foi dito corresponde aos seus anseios, desnecessário seria destilar aqui nesta pauta, estilo e classe, pois mesmo nesta caminhada atual com laivos escatológicos, a cidade urbe, se em determinado momento caminha descalça sobre lodos de loucos calabouços, ela vislumbra a saída honrosa não só para si, mas também  para o conjunto da nação brasileira. Bom, minha irmã, no dia nove de julho p.p, 84 anos após os acontecimentos ensaístas do estado de direito democrático o sol finalmente deu o ar de sua graça diáfana por estas bandas, tímido mas salutar, resolvi bater pernas ao léu, estava lindo o dia, os raios da madorna refletiam nos prédios coloridos, desenhando neles figuras variadas, a temperatura controlada dava a impressão de se estar em pleno veranico; sem chapéu arrisquei a caminhada à caça da bendita  inspiração. Subi a rua Bela Cintra, uma breve parada na Igreja de São Luiz Gonzaga C.J, e depois lá fui eu anotando no cânhamo as impressões de um domingo diferente, tendo como fundo quadro a lembrança de 1931 com a queda do café, a crise de 1929 que deslocou grande parte da população do campo para São Paulo, tornando-se maciçamente urbana.
j.        Sem chapéu, ausente o fotoshop, risos,,, me senti só no meio da multidão que locupletava a avenida mais paulista de todas, aliás fechada à veículos, parecia mais um imenso calçadão franqueado a todos, e tinha de tudo, músicos do arrimo, feiras livres, crianças brincando com bambolês, gente para cima e para baixo, grupos musicais dando uma canja aos transeuntes, e como não poderia deixar de ser, os protestos contra a corrupção, independendo o partido politico, muitos deles viraram alvo destas manifestações em prol da democracia, em frente a Fiesp, muitas barracas montadas, gente acampada, aguardando o veredicto do senado, o famoso impedimento em curso! Vi o concreto armado rodear a multidão, os arranha céus, orgulho da Metrópole com seus mais de 11,89 milhões de ha, equivalendo segundo o IBGE, 6% da população brasileira, que hoje atinge a cifra estimada em 202,77 milhões de habitantes. Contemplei por uns instantes fugidios a aglomeração à minha volta, quantas faces intuitivas, alegres, brejeiras, as construções homéricas esbanjando charme, arquitetura de ponta, desafiando a lei de Isaac Newton, e uma cidade de estilo próprio,  sem muito verde, que teima em ser a condutora do movimento, que ocupa o posto de vanguarda financeira da América Latina.
k.      Ás vezes alguém caminha ao meu lado, ouço seus passos descontraídos em companhia de seu animal de estimação, esses mesmos passos que no dia seguinte vão correr em busca de seu status social, é o cidadão (ã)  paulista inveterado(ã) em seu pensamento, corre e corre a semana toda, transforma-se  em uma espécie de bandeirante da era pós moderna, e só se aquieta nos fins de semana, este modus vivendi contagia seu sangue, e se você se apresenta como um ser lírico à busca das realidades empíricas vai ter dificuldade em interagir com ele por completo.
l.        A não ser se você na arte ser tornar um agraciado da mídia, aí ele vai privar contigo  longas e prazerosas horas de flanação, primeiro ele ouve seu proseio para em seguida demonstrar conhecimento geral da literatura, fala que tem algum livro autografado por este ou aquele lente das letras... que visitou a ultima exposição de Dali, Tarsila, Merisi Caravaggio, Monet ou  Rembrandt  e Van Gogh  no MASP, que assistiu o lançamento de certo filme cult no espaço Itaú Unibanco, Paris – Manhattan é seu preferido, que participa da Ong, Transparência Internacional, Green Peace, e que quer ajudar a salvar as baleias ou os golfinhos. E fala com sinceridade, e se empolga a cerca da história universal, Copérnico, Rosseau. Churchill, Gandhi, gosta das éclogas de Virgílio, cita textualmente Camões e Fernando Pessoa, a Iliada de Homero, curte Osvaldo Montenegro, Zeca Baleiro, Renato Teixeira, Alceu Valença, Zé Ramalho, Elis, Raul e Taiguara, cultua Aroldo de Andrade, Libero Badaró, Antônio  Ermírio de Moraes, Gonzaguinha, é mesmo ! E a prosa se estende nas casas da rosas, hoje uma instituição cultural que leva o nome do poeta Haroldo de Campos, e para encerrar o meu consulente cita ainda Mario de Andrade e Álvaro de Azevedo, E vai indagar do consulente se já foi assistir a ultima montagem do musical ‘Tempestade’ de Shakespeare no Tucarena? E de quando em vez tem arroubos de saudosismo com Adoniran, Demônios da Garoa e Benito de Paula, e quer assistir de novo, a Douce Vitta de Federico Fellini. E mais vai lhe perguntar invariavelmente sobre a ultimo espetáculo Spartacus do Balé Bolshoi no Teatro municipal do Rio de Janeiro!  Vejo que o paulistano, assim como a maioria dos mortais ( nós) vivemos plugados, agarrados no tal WatsApp, mas se te encontra para um papo formal, ele adia a navegação por uma hora, depois esquece... que você vai ficar falando sozinho!
m.    Voltando à avenida, já é fim de tarde, e o sol vai se despedindo da galera, e promete voltar qualquer dias desses para dissipar a depressão do frio, já que a magia de sua amiga garoa há muito que não aparece, e sem desmerecer esta cidade que me agregou ao seu sonho louco de unir ao abstrato o concreto, avisto uma pedinte, me detenho  um pouco, pergunto seu nome e ofereço alguns tostões, ao que ela sorri um riso solto e me abraça e agradece  o quinhão! Eh, dileta bailarina, o relato se estende, e agradeço sua paciência em me ouvir, pois ainda faltam 7 letras para complementar a descrição de um domingo especial deste seu admirador,  cantador inveterado de rimas, que tange a bigorna dos versos, inversos escritos sem perceber, pois desde que o mundo é mundo a legião dos poetas cantaram seu canto, choraram seu pranto com arte, talento e engenho, qualidades que não tenho, apenas me esforço para vender meu peixe não nas tendas de célebres xeiques, mas no recôndito escondido de seu coração intuitivo, inteligente e incentivador de meus escritos, será sempre meu doce empenho, tenho dito!
n.      O poeta já teve um pé ne helênica pátria, conheceu gregos e fenícios lá bem lá no  inicio de sua jornada, esteve presente em todas as eras históricas, uns pobres desconhecidos, outros de sorte fulguram na literatura antiga, clássica, moderna e pós, e será assim até o cair da ultima folha verde na consumação arcana. E o maior, mais célebre foi e será sempre Aquele dos versos perdidos, Aquele que detém o tempo e a história, que acalma ventos e tempestades, e que poderá restaurar alma individual e coletiva da nação Brasil, Aquele que um dia às margens do Mar da Galileia proferiu palavras de vida perene:  ‘ Amai-vos uns aos outros... olhai os lírios do campo’,  por sinal nosso Deus Humanado, fonte da sabedoria, mansidão, força, Jeshua, o Mestre Divino a quem ofereço estes singelos  traços e outros mais... Minha irmã, você sabe, a metrópole paulista é extensa e contrasta no avesso de sua antítese entre o concreto e o abstrato e me insiro nela.. você já  definiu este meu estado de espírito ser e ter... e por esta razão resolvi me estender nestas linhas, sabedor que tenho alguém do meu sangue que me entende melhor que eu mesmo, risos... Ela, a grande urbe, coexiste sem traumas na harmonia, e em meio a sua diversidade cultural e financeira, ela, auto critica por natureza conhece seus problemas domésticos, está sempre pronta a dar o ombro amigo, não discrimina os poetas do povo, nem tão pouco consegue dar-lhes voz e vez, mas este domingo ameno propicia  muitos cordéis da rima a mostrar seu trabalho, composição, performance nesta rua de todos que é a Avenida Paulista, centro financeiro mais importante do Brasil. Isto posto continuemos na locução poética, para absorver a inspiração e plasmar no papel em branco a versão de um sonhador que é  o ´menino esquisito’ de d. Idalina, o ‘irrequieto’ neto de Vó Vivina, que ora lhe escreve.
o.      Tem gente aguerrida nas ruas, pleiteia um Brasil melhor, a cidade sorri, um riso disfarçado de apreensão e tristeza, dado a corrupção espantosa na malha politica porque passa a nação, vendilhões do templo da republica assenhoram-se do erário com fome de mil dragões, a honra fora conspurcada, a ética engambelada, bandeiras sociais tremularam à guisa de dolo, e na calada laia dos ministérios, verbas e mais verbas foram açambarcadas deixando a nação brasil à beira de um colapso cívico, ético e financeiro, mas... mas... embasados no direito de livre expressão que lhes faculta a constituição federativa, milhões de brasileiros acorreram às ruas soberanas pedindo o fim destas aleivosias, e tudo parece , a reversão dá sinal positivo de esperança, e o Juiz Moro e sua capacitada equipe não estão dando tréguas aos malfeitores do poder, e acenam para um pais, justo, e auto determinado, plugado doravante no bem comum maior inerente aos seus mais de 207 milhões de ha.
p.      Um frêmito de certeza pude colher daquelas faces da brasilidade em pessoas, a politica qualquer que seja ela boa ou ruim passa com os ventos lá para bandas de nosso sertão iluminado, não é verdade? E estas fisionomias pareciam dizer a cidade de São Paulo, quiçá ao Brasil inteiro:
 ‘ Oh! Sampa, oh! Pátria, mão gentil, força em Deus e na patrona negra de Aparecida, não importa o mal que te acometa, estamos contigo, estamos aqui de pé, animados em te defender destas aves de rapina, encasteladas no poder, não se avexe não, és um pais de fronteiras continentais, de povo pacato e lhano, de sonho latente, lá na frente acreditamos que tu vais continuar a gerir seu destino, renovada no amplexo do bem comum maior, aguenta firme que estes miasmas vão se dissipar com o grito altissonante do gigante, ‘pois os filhos teus não fogem à luta’, e o começado em 1933, abriu o franco glorioso do direito constitucional, pois em São Paulo tempo houve que brasileiros deram o sangue pela convicção de uma nação em que a auto determinação vingasse a honra, o estado de direito, os valores da cidadania, a paz se lhe apraz!
q.      Ah! Já que você me nomeou poeta andarilho, a que fico imensamente lisonjeado, e  fazendo jus ao cargo recém empossado, estou mostrando serviço lírico, no intuito de passar de ano na nomenclatura poética, que tal hein continuarmos a caminharmos juntos neste mister prazeroso? Se lhe agrada para ‘exorcizar as ideias’,  enquanto se faz  tarde em Piratininga do planalto de Nobrega e Anchieta, Mem de  Sá  e palmilhado pela figura santa de Frei Galvão e tantos outros e outras valorosos paladinos da fé autêntica, e defensores da civilização cristã, aquela que nasceu no gólgota das dores, quando o Nazareno foi  ferido no coração pela lança pontiaguda do centurião Longino, há exatos dois milênios  atrás, aquela que mereceu da Virgem Mãe seu primeiro osculo de esperança!
r.       Por estas razões enunciadas acredito que um dia vai se realizar a profecia do mundo bom, Pois não é possível que o mais belo gesto da história tenha sido em vão, e em pensar nisto, chegamos aos contrafortes da avenida e de longe avistamos a estação Metro do Paraiso, nossa jornada está prestes a terminar, deparamo-nos com figurantes anjos, e pensamos na realidade anímica que nos rodeia, invisível mas existente mesmo, insistente, a mover os corações na Terra do Homens, para que o ‘profano’ se assemelhe ao soberano, mesmo que para tal a humanidade tenha que novamente subir  o calvário, sofrer as agruras da crucificação moral e psicológica para depois ressurgir para um porvir totalmente voltado à Rosa Mística de Eleição.
s.       Um sinal, apenas um tenro sinal, me deparei no canto do asfalto com uma pequenina rosa brotando... e nomeei-a a rosa do concreto armado, e concomitantemente a isso apareceu ao meu lado alguém de olhos vivos, com jeito de menina, tez argentina se deteve e dispôs-se a transplantá-la, doravante seria a expressão maravilhosa de um concerto amado! A singela  rosa brotou em situação adversa, resistiu, encontrou a boa samaritana de nome Prado de Mel, e sua vida adiante seria a junção harmônica e possível do ter e ser, tão ao gosto da bailarina.
t.       Assim como chegou a bailarina, agora em companhia da rosa, distanciou-se com seus passos sintonizados nos movimentos convexos daquela avenida,   algo em seu ser denotava equilíbrio, admiração, meiguice e uma força suave capaz de mudar a realidade da rosa, dora em diante. Um doce perfume ficou no ar que expressava determinação, equilíbrio, leveza, capacidade de concentração, e percebi que ela e  a rosa iriam transpor os limites da determinação...
u.      A gente se depara com belos gestos, apesar da situação aflitiva porque passa a capital bandeirantes, espelho fidedigno do Brasil atual: desacionado por uma corja de malfeitores do dinheiro publico, e precificado quase ao infinito por ações politicas de gradual apropriação indébita. Esperamos sim um golpe, mas de vento arcano, de legitima brasilidade, para afastar de vez esta espécie perversa de ‘ liquida tudo’ orçamentaria de parlamentares inescrupulosos, encerrar de vez este capitulo escuso da nossa história pátria,  que se possível fora faria estremecer na tumba  Sir Ruy Barbosa e o monarca, o mais brasileiro de todos: D. Pedro II. E São Paulo, agregadora fiel e vigilante de todos os brasileiros, guarda em seu bojo sagrado o sonho latente de liberdade e bem comum, pode apostar que sim!
v.      E a tarde amena se foi, como se vão seus transeuntes, viveram um momento de lazer maravilhoso com sua família; a Igreja da Imaculada anuncia o Angelus, muitos fiéis católicos se aglomeram em seu interior, ouve-se o barítono entoar o gloria, depois o credo, e a presença real do Cordeiro vem visitar seu rebanho, depois o Agnus Dei, e finalmente o Ite  Missa  Est. A noite chega de mansinho na avenida das idas e vidas, amanhã será segunda feira  e a batalha por dia melhores para sua prole não sairá do peito, mãos e pés do paulistano , afeito às agruras do trabalho, ao transito congestionado e tudo o mais, mas valeu a pena, ele vai aguardar outro domingo para espairecer os ânimos...
w.    O véu da noite cobre o sol, o frio começa a aparecer e dizer: não esqueçam estou aqui... Olhe o lado bom de minha temperatura, tire do armário seu casaco de veludo, calce as botas, fique mais elegante, frequente o café, leia um livro, e não esqueça que tem irmão morador de rua com carência de tudo, reparta o pão, dê-lhe um aperto de mão, solidariedade é bom, aquecerá seu coração, e um dia o norte certo lhe dará a monção de um fogão quente e fartura incipiente, quer dizer esta singela canção!
x.      O velho e o novo se encontraram, confabularam em prosa amena, restou  apenas ideias abstratas, a esperar voos concretos na mente de um certo poeta de tez serena, sorriso franco, ‘interiorano’ que se fundiu ao ‘cosmopolita’ no    dizer de Math  minha irmã querida... que avalizo nesta escrita; embora perceba que estou novamente sozinho na multidão, olho de soslaio que a cidade carrega um quê de pujança, crise existencial, apreensões, pois sua fé esmaecida, não suporta a levitação,  o seu  tempo de consumo de bens duráveis foi-se, a passarela  fashion  já não encanta sua psique, os modismos de comportamento estranho, e contra a natureza ais  a afastaram da consecução de seu destino ultimo. E só uma volta ao imponderável conseguirá dela o retorno a casa do pai das luzes.
y.       Bem, minha diva, mentora destes versos, a noite cerra seus véus de prata, lâmpadas de neon ofuscam dela o sentido transcendental de sua existência, e a cidade torna-se fleumática ao extremo, ela se trona, encolhe sonhos,  ilusionada, parece uma dama ornada para a festa com falsos anéis, e o brilho de sua face torna-se incolor a medida que sua maquiagem excessiva quer cobrir as rugas de seus desamor, e queda pensativa, outrora se tornou o eldorado das oportunidades para tantos que aqui aportaram, hoje o movimento é inverso e pouco há pouco percebe que sua senectude a afasta mais e mais... sua riqueza esvaiu-se em bolhas de sabão levadas pelo vento do esbanjamento. Mas no fundo carrega um riso irônico no canto de seus lábios sinceros .Ah, ela já viu passar em seu habitat, tanto amor, tanto ódio e traição, tantas querelas e desavenças, tantas aventuras, mas em contraponto tanta fé, tanta virtude e bem estar social, que ela agora vive de saudades, remorsos... zabaneira que foi do  seu passado.
z.       Mas no fundo no fundo ela almeja  ainda a voltar a gerir os destinos do Brasil, qual cão de guarda carrega consigo reservas de generosidade e heroísmo, e ao mesmo tempo vivida, tem algo de esperança em seu olhar... que ela mesmo não sabe definir ao certo, mas que se renova a cada dia.  tem, ora se tem! Ela tergiversa entre o concreto de sua vida, e o abstrato de suas concepções anímico- empíricas, ao mesmo tempo que  quer ter, o freio do ser a controla, contrastes de sua maneira de agir e enxergar a realidade que não a enlouquece mas aquece sua trajetória de fazer historia...
aa.  Um duelo existencial que mantém seu equilíbrio, a faz humilde, inspiradora, protetora e incentivadora das artes e canções, pois sem esta faceta concreta misturada à  abstrata, ela a cidade de São Paulo, não privaria com seus  poetas das avenidas intuitivas, seu sonho latente de mundo bom!

Epilogo
No meu caso, sai vagando pelo mundo afora, deixei minha terra, o riacho, o pé de jenipapo, fogão quente, e sobretudo o carinho de minha bondosa  mãe, e de meus amados  irmãos,  e numa tarde de outono estival, peguei a viação Itapemirim e parti... Em lá chegando avistei uma metrópole barulhenta, e pensei comigo não esquenta a moringa, pois é aqui que sua vida recomeça. Sofri á beça, mas sobrevivi, aprendi a rimar para passar o tempo e esquecer a triste sina de certo moço interiorano em meio ao concreto protendido. Um rapaz cheio de sonhos que iria viver em  meio ás agruras da cidade grande. Foi o bastante para me inspirar, tanto que sobrevivi, com a graça do bom Deus estou novamente aqui! Certa  feita encontrei uma bela dama, ao que logo me perguntou: - Seu esbelto moço cadê suas malas? Eu a fitei por uns instantes, respirei fundo tentando encontrar o bastante das palavras certas,  e respondi com a voz embargada: - Senhora das mil faces, minha mala e este alforje de pano cru, e meu cadeado é o nó de embira! Ela me observou demoradamente, ensaiou um passo em minha direção, vi o brilho em seus olhos cor de mel, Ela  aprochegou    de  mansinho, me enlaçou forte e sussurrou em meus ouvidos: ‘- Não se avexe não poeta, aqui tem lugar para vancê,  juntos vamos cantar versos e mais versos na humildade e confessar para toda esta cidade e para o mundo inteiro, ser fugaz o som das letras.’ O enlace não é que  deu certo, nos  entendemos demais,  e esta sintonia  sagrada já dura uns bons 28 anos! Seu nome, o nome doce e suave de minha confidente: Ars Poiésis.

Posfácio
Déia querida,  me alonguei, em uma prolixidade sem fim... não liga não seu amigo  é assim mesmo, acho que foi o leite materno, aquelas subidas e descidas i{íngremes da serra dos Pirineus, e os bancos duros do seminário, as longas horas da filosofia tomista, em Niterói e Campos, as incertezas do caminho... sei lá o que, sô! Então o perambular pela grande Urbe, de ressonância inquietante, que me agregou incondicionalmente na clarividência contrastante do seu consciente coletivo, me empurrou para o fazer poético, compensando perdas alheias ao meu querer primeiro,. Daí a ideia louca de anotar no papel gipseo minhas impressões acerca de sua versão intimista.
E na trilha resolvi escrever sobre ela,  de A a Z – explico-me  se consigo! Ah! ela carrega em seu bojo algo de sagrado e profano em constante evolução, não nega claramente suas origens, mas afirma ser futurista do ter, abre sua perolas em conchas do ser, e não quer saber o que perdeu, o A, que bem poderia se auto intitular:  atitude altaneira, alteridade convexa,  anverso  na antítese. E o Z:  cidade zagaia da sorte, do zonza,  do zoom, e sobretudo extremamente Zelosa. De direitos e obrigações bem definidos, séria, grave, alegre, taciturna.
Enfim , foi bom, muito bom estar com você , que considero inspiradora destes versos, inversos ao amanhecer, neles esbocei realidades, das contrariedades me apartei, estive inteiro no que escrevi, obsequioso ao extremo à cidade que carrega ainda hoje, depois de muito chão um quê de bondade, um quê de esperança, um suspiro pelas coisas certas, apesar dela ostentar o que não possui mais; seu aluvião atual, suas esquinas e avenidas carregam ainda saudades de seu passado, tremores de seu presente, e uma vontade danada de voltar a ser a locomotiva atuante da verdade, do belo e do movimento retilíneo correto para todo o Brasil, seu povo e suas miragens de cidade nação. Quem sabe um dia ela vai conseguir dosar na dose certa sua percepção de ser para ter...

Assim termina a Carta de Sítero, em uma visão intimista da cidade de São Paulo, quem ler estes versos, escritos ao amanhecer, agradeço de antemão a consideração, pois seu olhar será minha satisfação, um incentivo precioso a um certo andarilho das letras soltas, interiorano de origem, cosmopolita por opção lírica, que resolveu imprimir as razões de Sampa em forma de gratidão hoje postada em forma de canção as afinações do mundo bom! Traz uma vontade danada de abraçar esta cidade de contrastes mil, de acentuação tônica que se chama Sampa. Sem ela não teria proposito, meio e ação para concluir, intuir o que você acabou de ler.

Conclusão
Ao desembarcar  abri a janela de minha alma, um vento suave ventilou minha vida... desci da boleia do destino e passado tanto tempo posso relatar alegre sobre a cidade que me acolheu e agregou de pronto ao seu sonho latente de liberdade e bem comum, e reparti consigo estas emoções, é que de melhor se pode oferecer  em meio à catarse anunciada, ainda resta a ela força escondida, o desejo inconfessado de democratizar a arte, a cultura e o conhecimento.

Neste chão concreto, me dispus a semear um pouco da semente interiorana, que misturada à citadina fez brotar rosas em meio a duro concreto protendido, e no repente do ritmo empírico deixo a todos os que lerem estes versos um longo e sincero abraço de união, pois somos todos nós e seremos assim!

Na verdade, a cidade me ensinou  a desacorrentar a inspiração de suas esquinas intuitivas, espantar a solidão, intuir seu movimento, entender seus juramentos, inquirir de seus julgamentos, e depois encher o papel em branco com versos de alento.

Se alguém me indagar, então o que faço nesta cidade? Eu diria que ando pelas ruas de São Paulo para recolher alguma inspiração que sobeja nas mesas de bar, depois o exercício de anotar no guardanapo,  ver formar uma letra esparsa, e em seguida  distribuir a quem passa e se demora com um quase poeta... e se detém neste longo caminho estendido... Não mais que isso!

Se disser, que porventura estas rimas mínimas, enfunadas  com gosto pensado, é que empurram as velas do poema em demanda deste tal mundo bom das certezas empíricas, irei discordar um tanto e afirmar que são os ventos invisíveis da inspiração coletiva desta cidade que soem acontecem tal finalização!

Helder Tadeu Chaia Alvim, 
São Paulo, 9 de julho de 2016
aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932



                         

O cacarecado x ativismo do senso comum

  O cacarecado x ativismo do senso comum O momento estonado traz um viés de tudo ou nada, uma espécie de negação das verdades absolutas em p...